DÚVIDAS

Comentário sobre a palavra "massivo"
Existe pelo menos uma situação em que me parece mais adequado utilizar o termo "massivo" e não maciço. A acumulação de líquido no espaço pleural (que envolve o pulmão, se for em grande quantidade, poderá ser designada como «derrame pleural “massivo”» e não maciço. E isto porque o líquido pleural nestas circunstâncias pode ser de baixa densidade, ao contrário de derrames pleurais de menores dimensões mas com líquido pleural mais denso. O adjectivo "massivo" no derrame extenso indicaria, portanto, grande quantidade, e não grande densidade (que pode ser baixa).
Os verbos grisar-se e ascentrar-se
Em expressões do tipo «O pessoal grisou-se todo à minha pala» e «Ela passou-se dos carretos de vez, e ele ascent(r)ou-se», os verbos grisar-se e ascentrar-se (não sei se este último leva erre), ainda que em gíria, querem mesmo dizer «divertir-se» e «acalmar-se», respectivamente?... São formas verbais que oiço bastante (e que sempre utilizei em família) mas que tenho dificuldade em encontrar atestadas em dicionários ou, pelo menos, com o significado que lhes conheço... Obrigado!
A "ota" da grafia
No número 954 do JL, no artigo de Maria Leonor Nunes, leio: «A "Ota" da ortografia, em função do subtítulo do artigo sobre o acordo ortográfico da Língua Portuguesa.» (na p. 12) Qual o significado da palavra Ota? Ouvi esta palavra nos noticiários portugueses, em relação à realidade das grandes empresas, como, por exemplo, a ota da Opel, a ota de um banco, tal e tal... No Dicionário da Porto Editora 2004 esta palavra designa um diminutivo, em função do sufixo nominal. Agradecia a resposta.
Ainda o nome latino Titus Flavius Josephus
Erudito consultor Carlos Rocha, Adro/átrio, ruga/rua são palavras que têm uso na língua portuguesa atual. Assim também como escala/escada, Bento/Benedito/bendito, -ário/-eiro, etc., etc., etc. No caso de Cipriano/"Cibrião", ambas originárias do prenome latino Cyprianus, só se usa atualmente Cipriano como prenome de pessoas e também para designar São Cipriano de Cartago, famoso padre da Igreja do século III, sendo Cibrião uma forma arcaica desusada desse mesmo antenome latino, salvo no caso dessa aldeia mencionada, o qual é, sem dúvida alguma, um caso isolado, um arcaísmo que acabou sobrevivendo por sorte, talvez até por conservadorismo. No caso de Josefo/José, formas provenientes do antenome latino Josephus, a primeira é totalmente desusada atualmente como prenome masculino, sendo José a forma corrente usada por todos. Josefo não sobreviveu nem para designar personagens bíblicas como José do Egito ou São José, pai adotivo de Jesus Cristo. Pode ser que eu esteja enganado, mas se trata de uma aportuguesamento mal feito. A não ser que se prove que, desde sempre em nosso idioma, foi, primeiramente, Flavius Josephus, ou algo parecido, e, depois, Flávio Josefo, aí. sim Josefo seria um arcaísmo que sobreviveu como Cibrião. Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa