DÚVIDAS

Fecho de correr
Um vosso consulente questionava há alguns dias como traduzir fecho «éclair». A vossa resposta parece-me muito pouco satisfatória. Num caso destes ninguém melhor que os profissionais para dar uma resposta correcta. A minha mãe, que era costureira, dizia sempre fecho de correr. Terá esta expressão tão simples, expressiva e mesmo tão divulgada o vosso beneplácito? Fechos ecleres ou fechos-relâmpagos são ridículos. Duvido, mas talvez me engane que alguém sensato utilize realmente fecho-relâmpago. Neste caso, questiono-me sobre a legitimidade para que essa palavra possa aparecer num dicionário reputado.
A propósito de “antraz”
Em resposta à pertinente dúvida sobre a grafia de "antraz/anthrax", os utilizadores do ciberduvidas.com encontram num tom algo irónico (como, aliás, tem vindo a ser hábito) a resposta que passo a transcrever: "Na língua inglesa optou-se por utilizar uma grafia mais próxima da grega, com o xis no final: «anthrax». No entanto, o termo em português é antraz. Se por algum preciosismo ou por pretensão, o redactor quiser dar a impressão de que conhece o grego e pretender usar a forma em língua estrangeira, deve colocar a palavra entre aspas ou em itálico." (Amílcar Caffé) Ora, não só o tom irónico demonstra aqui uma extrema prepotência, como, mais grave, esconde uma grande ignorância sobre a matéria. Sou redactora, não sei grego, mas escrevo "anthrax": não por preciosismo ou pretensão, mas, simplesmente, por uma questão de correcção! Agradecia, pois, que procedessem às devidas alterações: O antraz é uma infecção estafilocócica que se manifesta por uma acumulação de furúnculos e nada tem a ver com anthrax, provocado pelo Bacillus anthracis. Aliás, a forma correcta de designar a doença que tem vindo a afectar algumas pessoas nos Estados Unidos é, na verdade, "carbúnculo".
Os termos osteossarcoma e condrossarcoma
Gostaria de saber como se deveriam escrever correctamente palavras científicas, do âmbito da medicina, derivadas de “sarcoma” (forma de cancro). Existem vários tipos de cancro cujo nome comum é “sarcoma”, mas que têm prefixos que indicam o órgão em que têm origem. Por exemplo, “osteo-” se tem origem nos ossos ,ou “condro-” se tem origem nas cartilagens. O que pretendo saber é como deverá ser a melhor maneira de escrever as palavras. Se “osteo-sarcoma” e “condro-sarcoma” ou se “osteossarcoma” e “condrossarcoma”. Se simplesmente escrever “osteosarcoma” ou “condrosarcoma” a pronúncia do "s" altera-se.
O género de bandas pop femininas
Consultei a questão que responde parcialmente à minha dúvida [...]. Embora minha questão incid[a] sobre o gênero, e não sobre o número, o fato de o uso em Portugal ser distinto demonstra que na verdade não existe nenhuma norma com relação a isso, mas apenas hábito linguístico, correto? Porém, uma nova dúvida surgiu com essa informação: por acaso em Portugal se refere a uma banda feminina como «as L7» ou «as Smashing Pumpkins» (artigo feminino)? Grato. Sucesso!
«E vedes qual será a loação»:
oração subordinada
Antes de mais, gostaria de agradecer ao Ciberdúvidas o excelente trabalho que desenvolve. Em seguida, coloco a minha questão: deparei-me recentemente, num manual de Português do 10.º ano, com a seguinte questão: «Classifica a oração "qual será a loação" na frase "E vedes qual será a loação".»[1] O que estranhei foi a solução proposta: oração subordinada substantiva completiva, pois, na minha modesta opinião, eu classificá-la-ia como uma oração subordinada substantiva relativa. Assim, peço o vosso esclarecimento, que agradeço antecipadamente.   [1 N. E. – «E vedes qual será a loação» = «e  vedes qual será o louvor». Trata-se de um verso da conhecida cantiga satírica do trovador português João Garcia de Guilhade, "Ai dona fea, fostes-vos queixar". Assinale-se que, por preocupações didáticas, o manual em causa escreve "loação", mas a forma medieval é loaçom. Acrescente-se que loaçom, «louvor», assim como loar, que significa «louvar» são termos utilizados frequentemente na poesia trovadoresca. Registe-se, ainda, o vocábulo loa, antigamente também equivalente a «louvor», mas cujo uso contemporâneo ocorre sobretudo no plural, loas, no sentido de «mentiras».]
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa