DÚVIDAS

Para vs. pára pós-Acordo ortográfico de 1990
Escrevo para dizer que aprecio positivamente o Acordo Ortográfico. Porém, e deparando-me com a regra em que se menciona a indiferenciação gráfica entre para (preposição) e pára (forma verbal), não compreendi a lógica desta opção. De facto, até cheguei a fazer alguns exercícios (bastante caricatos) sobre como esta situação pode ser francamente confusa. Passo o exemplo: «Para para que possas reflectir,para para que possas sonhar calmamente,para que o teu trabalho seja frutuoso para,para para olhar o teu redorcom a placidez dos sábios.Para com as soluções gratuitas,para com o facilitismo imprudentepara com a melhor das intençõessingrares depois num áureo caminho.» Qual é, enfim, o sentido desta regra?
Novo Acordo Ortográfico: faróis
É de nosso conhecimento que os ditongos abertos "ói" e "éi" não possuem mais acento agudo nas palavras paroxítonas com o Novo Acordo Ortográfico. Porém, na última semana, deparei-me com um texto na mídia escrita (jornal) com a palavra "farois" escrita sem acento. Ora, se somente as palavras paroxítonas que possuem ditongo aberto "ói" e "éi" perderam o acento, então há um erro de grafia nessa palavra citada, pois ela é uma oxítona. Observei essa palavra escrita dessa forma no jornal e em um programa de televisão também. A pergunta que faço: essa palavra "farois" é uma exceção à regra, ou seja, mesmo sendo oxítona, também perdeu o acento? Um grande abraço!
Pagar em espécie
Há poucos dias, numa loja de roupa de origem francesa, vi um letreiro informando que os arranjos para ajustar determinadas peças deveriam ser pagos "em espécie", querendo significar que não podia ser com cartão. Achei piada até porque me lembro bem que, quando prestava serviço militar, receber um subsídio de alimentação em espécie queria dizer que seria entregue pela Manutenção Militar, à unidade onde prestava serviço, artigos alimentares no valor estipulado. Entretanto, comentando o facto com amigos, disseram-me que em linguagem económica ou bancária (?) "pagar em espécies" significa mesmo em dinheiro, notas ou moedas. Aqui uma dúvida. Será verdade? Também, por acaso, vi um programa de televisão, sobre a viagem de circum-navegação de Magalhães, que me despertou a curiosidade para saber se esta expressão tem que ver com "especiaria" como meio de pagamento.
O plural de cirurgião
Qual o plural masculino de cirurgião? "Cirurgiães", "cirurgiões"? Aprendi que, nas palavras terminadas em ão, o plural se fazia tendo em conta a palavra latina no acusativo plural, caindo o n, substituído pela vogal nasal (leonem, leonesleões; manum, manusmãos; canem, caniscães). Nesse sentido, e considerando chirurgianum, chirurgianes, penso que o correto é "cirurgiães". Mas ouço e vejo constantemente, dizer e escrever "cirurgiões" – até por amigos médicos da especialidade de cirurgia...
Sobre a pronúncia do s
Quais são as regras que explicam a forma como pronunciamos os ss? Aqui no Algarve é comum ouvir pessoas a pronunciar os ss como j no final das palavras, não só quando a palavra seguinte começa por consoante sonora, mas também quando começa por som vogal, em vez do som z que as outras utilizam. Mas também reparei que, pelo menos aqui, a maioria das pessoas ocasionalmente utiliza a outra forma que não aquela que utilizam por regra. Facto que achei curioso, e que gostaria de saber se existe alguma explicação para essa variação ou se apenas aleatória, e já agora, se haverá alguma regra geral para a pronúncia do s, que possa indicar que forma é que deve ser utilizada na situação que enunciei.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa