DÚVIDAS

O verbo perguntar e a preposição por
Gostaria de saber se o verbo perguntar admite esta preposição, como no exemplo: a) Eu perguntei pelo correio. b) Eu perguntei o Sr. João pelo meu correio. c) Eu perguntei-lhe pelo carro. Estaria mais correcto dizer? a) Eu perguntei se tinha correio. b) Eu perguntei o Sr. João se tinha correio. c) Eu perguntei-lhe sobre o carro. Este verbo admite esta partícula com valor passivo e interrogativo indirecto?
Atentamente ou atenciosamente?
Sou brasileiro e vivo em Portugal há 5 anos. Tenho uma dúvida, pois há alguns anos atrás escrevi um ‘e-mail’ para um cliente e o mesmo disse-me que eu ainda não tinha me "livrado" dos termos brasileiros. O exemplo que ele deu-me foi o do termo atenciosamente. Pergunto: atenciosamente é Português do Brasil e atentamente é Português de Portugal? (se formos verificar no Microsoft Word a sugestão de finalização de finais de carta segue esta lógica). Atentamente ou atenciosamente,
Pontuação no discurso directo
Tenho uma pequena dúvida relativamente a esta questão, que as perguntas no vosso arquivo não me esclareceram completamente. Concordamos que podemos construir um discurso directo mais ou menos assim: — Amanhã vai chover — disse o Manuel. — O céu está muito escuro. Por uma questão de coerência com as normas ortográficas (embora se conceda alguma liberdade de estilo em alguns casos), o ponto final do discurso do narrador encerra também a primeira afirmação do diálogo, começando a fala do narrador em minúsculas. Mas veja-se este caso: — Amanhã vai chover. — O Manuel voltou-se da janela para a sala. — O céu está muito escuro. Ora, não temos aquele momento de explicação do diálogo pelo narrador (apontando o tom com que afirmou, se afirmou ou exclamou, se foi este ou outra personagem a falar…), mas uma informação contextualizadora diferente (neste caso, cinética), que complementa, mas que não comenta o acto do falante. Assim sendo, a pontuação tal como assinalei está correcta, ou admite-se outra representação? Em inglês parece muito comum esta situação, substituindo-se pelas aspas os nossos mais tradicionais sinais de pontuação do discurso directo, bem como a criação de núcleos de sentido, parágrafo a parágrafo, conjugando-se em cada um deles a fala de um personagem com o que o narrador tem a dizer sobre ele. Obrigada.
Quando é demais e quando é «de mais»
Em Ainda demais, advérbio, Maria Regina Rocha, baseando-se no que, um pouco laconicamente, Rebelo Gonçalves anota no seu Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, não levou em linha de conta o facto de o mesmo autor (cf. Vocabulário da Língua Portuguesa, p. 317) classificar demais como advérbio de modo e não de quantidade, função esta que é suprida pela locução adverbial de quantidade «de mais». É inequívoco, pois, que apenas se poderá escrever «Os portugueses gastam de mais». Cordialmente,
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