DÚVIDAS

Pontuação no discurso directo
Tenho uma pequena dúvida relativamente a esta questão, que as perguntas no vosso arquivo não me esclareceram completamente. Concordamos que podemos construir um discurso directo mais ou menos assim: — Amanhã vai chover — disse o Manuel. — O céu está muito escuro. Por uma questão de coerência com as normas ortográficas (embora se conceda alguma liberdade de estilo em alguns casos), o ponto final do discurso do narrador encerra também a primeira afirmação do diálogo, começando a fala do narrador em minúsculas. Mas veja-se este caso: — Amanhã vai chover. — O Manuel voltou-se da janela para a sala. — O céu está muito escuro. Ora, não temos aquele momento de explicação do diálogo pelo narrador (apontando o tom com que afirmou, se afirmou ou exclamou, se foi este ou outra personagem a falar…), mas uma informação contextualizadora diferente (neste caso, cinética), que complementa, mas que não comenta o acto do falante. Assim sendo, a pontuação tal como assinalei está correcta, ou admite-se outra representação? Em inglês parece muito comum esta situação, substituindo-se pelas aspas os nossos mais tradicionais sinais de pontuação do discurso directo, bem como a criação de núcleos de sentido, parágrafo a parágrafo, conjugando-se em cada um deles a fala de um personagem com o que o narrador tem a dizer sobre ele. Obrigada.
Quando é demais e quando é «de mais»
Em Ainda demais, advérbio, Maria Regina Rocha, baseando-se no que, um pouco laconicamente, Rebelo Gonçalves anota no seu Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, não levou em linha de conta o facto de o mesmo autor (cf. Vocabulário da Língua Portuguesa, p. 317) classificar demais como advérbio de modo e não de quantidade, função esta que é suprida pela locução adverbial de quantidade «de mais». É inequívoco, pois, que apenas se poderá escrever «Os portugueses gastam de mais». Cordialmente,
O advérbio quase
A palavra quase é considerada um advérbio de modo e de intensidade. No entanto, na frase «Ele está quase a chegar», não poderá exprimir também uma ideia de tempo? Gostaria que me dessem exemplos de frases para cada um dos casos (quase como advérbio de modo e como advérbio de intensidade), pois tenho alguma dificuldade em arranjar exemplos claros que possam ser bem compreendidos pelos meus alunos.
Há anos não a vejo
Com referência ao período " Há anos que não a vejo", apresentado por mim anteriormente, devo dizer que minha dúvida respeita à classificação da oração " que não a vejo ", e não à análise sintática de seus termos. A propósito, discordo, se me permite, de se classificar a dita oração como temporal: a mim, me parece ser oração principal, mesmo porque podemos escrever " Há anos não a vejo ", sendo "que" palavra expletiva. " Há anos " seria, em meu ver, oração adverbial temporal justaposta. Gostaria de comentário a respeito, que já merece meus agradecimentos.
"Anteanterior" e "posposterior"
Anteanterior significa «anterior ao anterior». Exemplo: «2008 é o ano anteanterior ao atual.» Anterior significa «passado, pretérito, que vem antes». Exemplo: «2009 é o ano anterior ao atual.» Posterior significa «próximo, seguinte, que vem depois». Exemplo: «2011 é o ano posterior ao atual.» Posposterior significa «posterior ao posterior». Exemplo: «2012 é o ano posposterior ao atual.» E o que vós achais destas palavras?
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