DÚVIDAS

Sobre a divisão silábica ensinada às crianças
No 1.º ano do 1.º ciclo, como se ensina às crianças a divisão silábica de, por exemplo, carro, sossegado, pêssego, etc.? De acordo com o manual Pasta Mágica, a divisão silábica surge como aprendi na antiga 1.ª classe: guitarra — gui/ta/rra. Contudo, a professora do meu filho faz exercícios em que considera esta divisão errada, pois separa as palavras da seguinte forma: gui/tar/ra; car/ro; sos/se/ga/do; pês/se/go. Não estará a professora a fazer confusão com translineação? Creio que a um nível de 1.º ano do 1.º ciclo as crianças aprendem a noção de sílaba em termos fonéticos e não em termos gráficos (aqui, sim, será a translineação). O importante neste nível de aprendizagem é que a criança tenha a noção de separação baseada no som. Será que eu e as pessoas da minha geração aprendemos mal e o manual escolhido pelo colégio onde está o meu filho está errado? Será que algo mudou na nossa língua em termos de divisão silábica e não dei por isso? E aqui reforço que, no meu tempo de estudante, aprendi que uma sílaba é um fonema (som) ou um conjunto de fonemas (sons) pronunciado numa só emissão de voz. Assim, a palavra guitarra, dividida silabicamente, será gui/ta/RRA, pois os dois rr são um mesmo fonema (som). Será que até na minha formação universitária nas cadeiras de linguística me enganaram?! A noção de translineação, salvo erro, será iniciada ou em fins do 2.º ano ou no 3.º ano do 1.º ciclo, e aí, sim, a palavra será separada gui/tar/ra, mas já não será em termos fonéticos mas gráficos. Esclareçam-me, por favor, esta dúvida.
Efeminado, afeminado
Reparei que, numa dúvida anterior, JCB deu afeminado e efeminado como válidos para o mesmo sentido, embora só estando afeminado registado como verbo (confesso que não encontrei qualquer dicionário que contivesse afeminado enquanto substantivo, e penso que faria mais sentido que, se encontrasse, fosse como adjectivo). Lanço aqui a pergunta: Sendo afeminado, etimologicamente derivado da particula negativa «a» com origem no grego («ateu» p.e.) e do adjectivo «feminino», o mesmo não deveria transmitir exactamente a ideia contrária a «efeminado» – essa sim faz todo o sentido (até do ponto de vista etimológico) que esteja correcta – para transmitir a qualidade do que é feminino?
Sufixos: -íssimo/-érrimo
Eu sou um mero consulente cujos interesses pela própria língua são enormíssimos. Os sufixos -íssimo e -érrimo têm exactamente o mesmo significado? Tenho-os utilizado no sentido de: muito para -íssimo, como belíssimo = muito belo, e extremamente para -érrimo, como sujérrimo = extremamente sujo, mas infelizmente esta última forma raramente se encontra nas gramáticas. Qual é o termo correcto? Muito obrigado.
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