DÚVIDAS

DNA
Vejo no Glossário que se critica o uso da abreviatura ADN para ácido desoxirribonucleico, por ser à inglesa. Discordo, por não me parecer que as siglas estejam sujeitas à gramática. Neste caso, se não há dúvidas quanto à designação por extenso, também não deve haver em relação à sigla, mas por outra razão. Já há muito que a União Internacional de Bioquímica definiu que as siglas devem ser únicas, em todos os países, para facilidade de comunicação científica. Quanto a muitas outras siglas, em outros domínios, creio que é o uso que acaba por as legitimar. Quase toda a gente diz ONU, OMS, SIDA (mas os brasileiros dizem AIDS), AVC, TAC, etc. Mas, pelo contrário, quase ninguém diz OTAN, mas sim NATO. Da mesma forma, OCDE. Então agora, com a profusão de siglas tecnológicas, muitos são os exemplos: ADSL, GPS, FTP, ABS, HTTP, PCR, etc. Quem é que se lembra de defender o seu aportuguesamento?
A pronúncia de -em em vendem, sentem, tem, etc.
Antes de mais nada, peço-vos perdão por não me lembrar dos estudos de fonética. Tento representar a pronúncia de forma mais que intuitiva. Além disso, tenho um péssimo ouvido e algumas dificuldades para entender um português que fala muito rápido. Pois bem, acho que o –em de vendem, sentem, tem e vem é pronunciado da mesma forma: [eim]. As terceiras pessoas do plural de ter e vir (têm, vêm) são pronunciadas [teieim], [veieim] ou da mesma forma que o singular tem, vem [teim, veim]. Para as formas lêem, vêem — [liem], [viem] — temos o singular , —[li], [vi]? Então temos a mesma pronúncia para li e vi (primeiras pessoas dos verbos ler e ver no pretérito perfeito simples)? E o que se passa com o verbo dar em e dêem? O mesmo? Pronuncio [di], [diem]? E o verbo crercrê, crêem: [cri], [criem]? Havemos de vos agradecer sempre a vossa infinita paciência e preciosa atenção. Aí vão os meus cumprimentos de Madrid.
Ainda a letra l em final sílaba (no Brasil)
Sabe-se que aqui no Brasil existe, penso que desde os finais da década de 50 e início dos anos 60, uma tendência de se pronunciar a letra L, em final de sílaba, como um /w/ ou U semivocálico. Fico sempre muito intrigado com esse fenômeno, pois vejo que é algo muito recente mas que já se espalhou por quase todas as regiões, e ocorre principalmente entre as pessoas mais jovens. Lembro que minha avó pronunciava os eles da maneira como se verifica na pronúncia do espanhol, pois não havia nenhum tipo de velarização. Ela dizia /bra'zil/ e não /bra'ziw/ ou /'alma/ e não /'awma/. Qual a possível explicação para o surgimento deste fenômeno em tão pouco tempo?
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