DÚVIDAS

O género de uma sigla estrangeira
Estou fazendo um trabalho sobre um indicador muito conhecido pela sigla em inglês OEE (Overall Equipment Effectiveness). A tradução em português é «Eficácia Global de Equipamentos», e não existe uma sigla reconhecidamente utilizada em português. Em frases do tipo: «O OEE avalia a eficácia global dos equipamentos», que gênero devo utilizar: feminino, ou masculino, ou seja, o correto é «o OEE», ou «a OEE»? Obrigado.
As sílabas do nome próprio David
O nome próprio David tem quantas sílabas? Penso que são duas por não ter vogal no fim, não é? É correcto utilizar o termo estória em português europeu? O que eu penso é que uma história para crianças deve escrever-se desta maneira, enquanto estória só deve ser escrita quando não se refere a produção literária mas sim a factos narrados não ficcionais. Ex.: «Essa estoria está muito mal contada.» Estou certa ou errada? Poderão esclarecer-me?
«Molho bechamel»
Recentemente, entre colegas, surgiu a dúvida de como se escreve "bechamel" (de «molho bechamel»). Uns diziam que tem acento no primeiro e, sendo então "béchamel", e outros diziam que não tem qualquer acento. Os argumentos a favor do acento foram que a palavra é francesa e as palavras estrangeiras não são alteradas, e que em alguns produtos vendidos está escrito na embalagem «molho béchamel"». Quanto à palavra ser de origem francesa (não sei se é ou não, mas deduzo que sim) penso que não interessa para o caso. Muitas palavras portuguesas são de origem estrangeira, no entanto são adaptadas à nossa língua. Quanto a vir escrito com acento em embalagens, a mim não me diz absolutamente nada. Se em rádios, televisões, telejornais..., todos os meios de comunicação, leio e ouço com frequência erros graves de português, não é certamente por produtos comerciais que me vou guiar para encontrar a forma correcta de escrever seja que palavra for. Eu sou da opinião de que não tem acento por dois motivos para mim mais fortes que os anteriores. No dicionário online da Priberam a palavra é escrita sem acento e a sílaba tónica da palavra é "mel" (penso não estar errada — uso a infalível técnica de "chamar pela palavra"), logo não terá acento em nenhuma outra sílaba. Quanto a vir escrita sem acento no dicionário online, para mim é um ponto a favor bastante forte, apesar de admitir que quem a escreveu possa ter cometido um erro, no entanto, quero acreditar que o rigor de um site que é um dicionário da língua portuguesa é muito superior ao de qualquer outro site. Quanto à sílaba tónica ser "mel", isso faz-me ter 99,99% de certezas que a palavra se escreve sem acento. Os únicos 0,01% de dúvidas poderão estar relacionados com o facto de poder admitir que se a palavra for francesa, sem tradução, e se em francês se escrever desse modo, então tem acento. Portanto, e após a minha longa exposição sobre o tema, gostaria de ver esclarecida esta questão.
Sobre a palavra usinagem
Tenho-me deparado com a palavra usinagem em diversos textos de origem brasileira. Sei que deriva de usina, palavra usada no Brasil e derivada do francês usine = «fábrica», mas julgo que não se pode traduzir simplesmente por fabricação. No dicionário online Infopédia aparece o seguinte: «1. MECÂNICA operação que tem por objectivo dar forma à matéria-prima 2. MECÂNICA acabamento de uma peça metálica no torno mecânico» Poderemos então utilizar como sinónimo a palavra conformação/conformar (dar forma) ou acabamento/acabar? Obrigado pela atenção.
Sobre o nome e grafia da letra qui (alfabeto grego)
Relativamente ao estranho quiasmo de um consulente lisboeta, em 23/11, na consulta Quiasmo e anástrofe, respondida por Pedro Mateus, gostaria de comentar e ao mesmo tempo perguntar sobre a pronúncia da letra grega χ, ali transliterada foneticamente para "qui". Assim já a encontrei em diversos registros, mas acredito que assim se imagina, em português, por não termos em nossa língua o som aspirado do "h" em inglês, do "j" em espanhol ou de outros em outras línguas que não me vêm à memória, neste momento. Pediria um esclarecimento, não sem antes dizer ao consulente lisboeta que existem, aqui no Brasil, uns versinhos sobre o tipo, o ambiente e a condição de quem escreve poesias nesse inusitado local: «Triste sorte, triste sina, ser poeta, de latrina» Obrigado, e desculpem o tom jocoso no final; minha consulta, no entanto, é séria.
Quiasmo e anástrofe, novamente
Peço desculpa pelo exemplo que vou dar (retirado de uma quadra escatológica tradicional que se podia antigamente encontrar rabiscada nas paredes de qualquer quarto de banho de café da cidade do Porto), mas, de momento, não me ocorre nenhum exemplo retirado de escritas literárias mais elevadas. Reza assim a tal quadra: «A cagar puxei um cigarro, A cagar o acendi, A cagar o fumei todo, A fumar caguei para ti.» Agora, a minha dúvida: como se chama a figura de estilo presente nos últimos dois versos da quadra, com a inversão dos verbos cagar e fumar: «a cagar fumei», «a fumar caguei»? Muito obrigado e, mais uma vez, o meu pedido de desculpas pelo exemplo escatológico que dou. Se bem me lembro, este era um recurso estilístico comum no Padre António Vieira, mas não dispunha à mão de nenhuma colectânea das suas obras.
Novamente o prefixo anti- e o hífen: antitouradas
Costumamos escrever "anti-touradas" para enfatizar que somos "anti". Será, ainda assim, considerado um erro? Apenas é correcto escrever "antitouradas" ou, neste caso, é aceitável "anti-touradas"? Devemos escrever "touradas", ou "antitouradas", no plural, ou será mais correcto utilizar o singular, no caso, "antitourada" ou "anti-tourada"? Antecipadamente gratos pela resposta.
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