Massudo e maçudo
Na frase «O autor fica com raiva porque a inspiração varia; por isso, prefere aviar pastéis a escrever textos massudos», em que o texto é metaforicamente visto como um pastel pesado e compacto, deve escrever-se "massudos" ou "maçudos"?”
Amar, amante, amador
Qual seria a diferença entre usar um verbo, como amar, e um adjetivo que indica a ação dele, como amante?
Além disso, quão diferentes são os adjetivos desse tipo, quando há mais de um para o mesmo verbo? Por exemplo: existe, além de amante, o adjetivo amador; seriam sinônimos ou ocorre uma sutil diferença?
Com efeito, as três frases seguintes apresentam o mesmo sentido?
«O menino, que ama o futebol, não perde um jogo da seleção.»
«O menino, amador do futebol, não perde um jogo da seleção.»
«O menino, amante do futebol, não perde um jogo da seleção.»
Para evitar repetir excessivamente o pronome que (pois faço redações escolares, em que essa repetição é penalizada), tenho feito um uso mais recorrente dos adjetivos que indicam uma ação verbal, trocando esse pronome por eles. Por isso, esta questão tem como finalidade última verificar se há uma diferença semântica que implique a troca do pronome que por um adjetivo não ser uma boa forma de evitar a sua repetição.
Por exemplo: para evitar repetir o pronome que, escreveria a frase anterior como:
«Por isso, esta questão tem como finalidade última verificar se há uma diferença semântica implicadora de a troca do pronome que por um adjetivo não ser uma boa forma de evitar a sua repetição.»
Tais são as dúvidas.
Obrigado pelo serviço do site.
Paradoxo vs. oxímoro
Agradecia que, se possível, me pudessem esclarecer quanto à diferença entre oxímoro e paradoxo.
O que eu achava que sabia: a antítese apresenta uma oposição entre dois termos sem contradição lógica e o paradoxo ou oxímoro combinam essa mesma oposição com uma contradição lógica evidente. Ou seja, nunca distingui paradoxo de oxímoro ou, se quisermos, encarei sempre o oxímoro como outra palavra, mais apropriada em contexto literário ou estilístico para o termo paradoxo, este mais filosófico e abrangente.
Mas eis então o que consta no dicionário terminológico e que me sobressaltou:
“Oxímoro: Figura retórica de pensamento que associa duas palavras com significados logicamente opostos ou incompatíveis. Tem afinidades com o paradoxo e com a antítese, mas, enquanto esta figura encerra uma oposição lógico-semântica, o oxímoro é uma associação de palavras contrária à lógica. “Aquela triste e leda madrugada”“ (Camões).
Paradoxo: Figura retórica de pensamento que consiste em associar construções semânticas que aparentemente são contraditórias, irreconciliáveis e absurdas, mas que podem iluminar, de modo inédito e surpreendente, o significado do real e da vida. “Muito estranho é ver as pontes / por sob os rios correr / mais ainda ouvir as fontes / sua própria água sorver” (Manuel Alegre).”
Ora, fiquei confuso. Pareceu-me que o critério de distinção é obscuro e, nessa medida, concentrei-me nos aspetos formais da distinção, procurando alguma iluminação: o oxímoro referir-se-ia “à oposição de “palavras”, enquanto o paradoxo sinalizaria a oposição entre “construções semânticas”. Isto significaria que em frases como “na sala reinava um silêncio ensurdecedor” estaríamos perante um oximoro, enquanto noutras construções como “na sala os miúdos estavam tão calados que se faziam ouvir de forma ensurdecedora”, já se exprimiria um paradoxo? Estranhei, pois, nesse sentido, podemos definir oxímoro como uma versão condensada do paradoxo e o paradoxo como um desdobramento ou expansão do oxímoro, o que me parece curto para distingui-los como recursos expressivos.
Não satisfeito, revisitei algumas publicações do Ciberdúvidas que, na sua maioria, estão de acordo com a minha intuição inicial (oxímoro e paradoxo são termos intercambiáveis no contexto das figuras de estilo). A explicação dominante é que o oxímoro constitui uma espécie de versão estilística ou literária do paradoxo. Assim, por exemplo “andar sem sair do lugar” é um oxímoro ou paradoxo literário, “hipocrisia tão santa” (apesar da condensação) é considerado um paradoxo, sendo que, noutra publicação, oxímoro é considerado apenas um «aproveitamento estilístico de um paradoxo».
Continuei a minha busca e consultei quatro gramáticas, tendo notado que uma delas (Cristina Serôdio, Dulce Pereira, Esperança Cardeira e Isabel Falé, Nova Gramática didática de português, conforme o dicionário terminológico, Santillana, 2011, pg 300) apenas inclui o oxímoro, considerando-o uma figura retórica que expressa um paradoxo (portanto, não há distinção), sendo que nas outras aparecem como recursos expressivos distintos, essencialmente baseadas na tal distinção palavras/frases, seja oposição lógica entre palavras (“choro e rio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“dói e não se sente”) (M.ª Carmo Azevedo Lopes et al. Da Comunicação à Expressão. Gramática Prática de Português, Raiz editora. 2022, pag 424/425 –), ou na oposição lógica entre termos (“um grito de silêncio”) versus oposição lógica entre construções semânticas (“tornar o fogo frio”) (Vasco Moreira e Hilário Pimenta, Gramática de Português, Porto Editora, 2017, pg 293/294), ou ainda na oposição lógica entre palavras (“disseram o indizível”) versus oposição lógica entre frases (Zacarias Santos Nascimento e Maria do Céu Vieira Lopes, Domínios. Gramática da Língua Portuguesa, Plátano Editora, 2011, pg 338/339 - note-se que aqui a terminologia usada na distinção concetual é a mesma que a do DT). Concluindo, não descortino nenhuma diferença semântica entre as duas figuras de estilo nem na definição do DT nem nas das diversas gramáticas, mas apenas em algumas uma diferença formal (distinção palavras/frases).
O problema é que o dicionário terminológico opera a distinção. Independentemente de considerarmos a fundamentação mais ou menos arrazoada, importaria perceber os motivos que levam o DT a fazê-lo, de modo a compreendermos o critério operativo em exercícios concretos.
Agradecendo antecipadamente, gostaria da vossa ajuda para, parafraseando a definição de paradoxo do DT, nos iluminarmos, surpreendentemente ou não, sobre o verdadeiro alcance desta distinção.
Fabrico e fabricação
Podiam esclarecer, por favor, se existe alguma diferença entre fabrico e fabricação ou se podem ser utilizados indistintamente?
Obrigado.
Impacte vs. impacto: ponto da situação
Sempre utilizei o termo impacte ambiental, mas cada vez mais vejo «este impacte» escrito com o.
Para mim impacto está associado a choque/colisão e impacte está associado a questões relacionadas com ambiente. Houve alguma alteração? E quando falamos em termos de efeito, qual usar? Será que depende?
Devendo usar impacte sempre que esse efeito está relacionado com ambiente?
Por exemplo: «...transformar ideias em soluções com impacto social, ambiental, económico, artístico e cultura.»
Obrigada.
A expressão «fungagá da bicharada»
Gostaria de saber a origem da expressão «fungagá da bicharada», popularizada por José Barata Moura no seu famoso programa infantil e canção que lhe dá título.
Luso, como sinónimo de português
Gostava de saber se o gentilício luso é sinónimo de português ou se luso tem qualquer conotação histórica, geográfica que português não abrange.
População e multidão (nomes coletivos)
Peço, por favor, que me esclareçam a diferença entre os nomes comuns coletivos "população" e "multidão".
Ambos podem ser considerados nomes comuns coletivos para designar um conjunto de pessoas em contexto escolar?
Obrigada.
«Tudo de mau» e «tudo de bom»
Qual a forma correta: «Tudo de mal aconteceu na festa» ou «Tudo de mau aconteceu na festa»?
E qual a explicação para uma ou outra forma?
Obrigado!
Bendição e bênção
Caríssimos mestres, eu entendo que bênção seja o antônimo de maldição!
Em sendo assim, quando e por que bendição virou bênção (encurtamento, com troca de sílaba tônica...)?
Muitíssimo obrigado e um grande abraço!
