Sobre alguns aportuguesamentos
Antes de mais nada, parabéns pelo site!
Gostaria de começar por referir duas palavras que encontrei em livros da editora Saída de Emergência: "dracares" e "escaldos". Fiquei chocado com estas grafias para palavras que, a mim, me parecem ser muito mais naturalmente escritas (como, aliás, sempre as escrevi,) drakars e skalds. Por diversos motivos: primeiro, são termos que procuram evocar um determinado ambiente (no caso, os livros eram de Fantasia Medieval) que "dracares" e "escaldos" falham em conseguir evocar. Segundo, chega a ser difícil até mesmo reconhecer o que significam estas palavras (admito que demorei vários segundos a aperceber-me do que queria o tradutor dizer com a palavra «escaldos»). Terceiro, sendo palavras tão específicas, faria sentido grafá-las de um modo a que se torne fácil descobrir o seu significado – e claramente haverá mais pessoas a saber o que é um skald do que um "escaldo". Por fim, não são palavras completamente assimiladas na língua portuguesa, sendo usadas com pouca frequência e quase sempre em contextos específicos (trabalhos especializados ou de Fantasia).
Dados estes pontos, não faria mais sentido o uso do termo estrangeiro? Não estaremos a chegar ao ponto em que procuramos aportuguesar com uma frequência para lá do aceitável? Vem-me à memória o assustador «blecaute» que eu vi num site da Internet — ou deveria dizer, num «sítio»? Dito isto, fico na dúvida sobre se será correcto utilizar o termo original após a oficialização da norma portuguesa: escrever dossier em vez de «dossiê», palmier em vez de «palmiê», e, já agora, blackout em vez de «blecaute». A dúvida mantém-se no caso da pronúncia: sou «obrigado», digamos assim, a pronunciar /dɾɐkaɾɨʃ/ em vez de /dɹɑkɑɹz/?
Siglas e acrónimos
A tradução de acrónimos usados em ciência (onde o inglês desempenha o mesmo papel que o latim desempenhou) é um erro, pois o grande número destes leva a confusões desnecessárias; p. ex. ATP e TPA, sendo o 1.º o acrónimo para trifosfato de adenosina (adenosine triphosphate) e o 2.º para activador tecidual do plasminogénio (tissue plasminogen activator); o resultado é a troca em português de duas moléculas completamente diferentes.
O meu reparo deve-se à vossa sugestão de uso de ADN em vez de DNA, que tem sido bastante usado pela comunicação social e público em geral. Para além do que referi acima, limita a pesquisa na Internet, não permitindo encontrar as páginas com melhor informação.No entanto, LASER (em vez de ALEER) sendo também um acrónimo, parece ser bem aceite no Ciberdúvidas... E mais, numa área relativamente nova como a informática, seria o caos a tradução de acrónimos de extensões de ficheiros como "jpeg" (Joint Photographic Experts Group) ou "pdf" (Portable Document Format).
A tradução do anglicismo pack + vosso, novamente
Gostaria de saber qual a melhor tradução para substituir o anglicismo pack. Encontrei em dicionários traduções como «pacote», «fardo», etc. Por exemplo, como devo dizer para substituir pack numa frase como: «Comprei um pack de cervejas»?
Desde já, obrigado. E continuem com o vosso (ou deveria ser "seu"?) bom trabalho.
Tricô e tricotar
Se agora se escreve tricô e não tricot, como se justifica o verbo tricotar?
A grafia offshore
Offshore, off shore, ou off-shore?
Julgo que é sem hífen e ligado, mas como vejo as três formas...
Obrigado.
Sobre o significado de fast-food, novamente
Não tendo qualquer interesse no ramo, escrevo por discordar da resposta de Carlos Marinheiro (23/10/2007), onde refere que o termo fast-food pode (e deve) ser substituído pelo pronto-a-comer.
Tenho para mim que não querem dizer a mesma coisa.
A fast-food refere-se a comida rápida — de feitura acelerada e, normalmente, conotada com má alimentação.
Ora bem, eu já comi feijoadas em prontos-a-comer; o que, não sendo propriamente uma excelente alimentação, não me parece englobável na categoria fast-food!
E comi-as, pois o pronto-a-comer quer dizer comida já confeccionada — é rápida no comer (no sentido de esperar — como o próprio nome indica!), e não rápida no fazer.
Caso as definições no(s) dicionário(s) da língua portuguesa sejam as mesmas, peço desculpa ao sr. Carlos Marinheiro, e passo a minha crítica para eles (os dicionários)!
Estarei assim tão errado?
Ainda os «direitos autorais»
Gostaria de saber se o termo «direito autoral» encontra respaldo no vocabulário do português de Portugal.
Já li respostas conflituantes no vosso site onde se admite o uso do adjectivo autoral, até mesmo autorial. EM 10 de Janeiro do corrente ano, CM responde com citação do dicionário eletrónico Houaiss, resposta que não me convence por se tratar de dicionário brasileiro.
Particularmente utilizo «direitos autorais», como variante de «direitos de autor», mas encontro sempre objecções por bandas lusitanas. Gostaria de uma resposta convincente sobre a possibilidade do uso em Portugal para poder dissipar qualquer erro futuro na minha escrita.
O género de bonsai
Agradeço me informem sobre o género deste nome proveniente do japonês: «um bonsai», ou «uma bonsai»?
O meu reconhecimento.
O género de "sex shop" em português europeu
Ouvi falar, pela RTP, no programa A Hora do Sexo, com Raquel Bulha e Quintino Aires, acerca de "uma" sexy shop: «Estes artigos podem ser encontrados "numa" sexy shop.»
Desculpe, mas disseram mesmo "uma" sexy shop? Porque aqui na Itália, na língua italiana, sexy shop é masculino. Em português é então uma palavra feminina? Fui procurar no meu dicionário de português-italiano, mas não encontrei.
Agradeço desde já eventuais explicações.
Sobre a grafia de haicai
Gostaria de saber qual a forma correcta de grafar em português: "hai-cai", "haicai", "haikai" ou "haiku"?Trata-se de uma curta composição poética japonesa (17 sílabas métricas).
Obrigada.
