Uso do auxiliar ter e do pretérito mais-que-perfeito do indicativo
No uso de formas verbais, tenho dúvidas sobre o uso dos verbos ter e haver como auxiliares.
– Em expressões como «Tinha-me preparado para a docência»/ «havia-me preparado para a docência», gostaria de saber se são equivalentes, se se pode usar um verbo ou o outro indistintamente. Neste caso coincidiria com o tempo verbal chamado em espanhol pretérito pluscuamperfecto: «Me había preparado para la docencia».
E também [queria saber] se é equivalente à expressão: «preparara-me para a docência.» Acho que neste caso a forma verbal em português é o pretérito-mais-que-perfeito, e coincidiria com o que dizemos em galego: «Preparárame para a docencia.»
Outros exemplos similares: «Ele disse que havia tido uma espécie de alergia na pele.»/«Ele disse que tinha tido uma espécie de alergia na pele.»/«A moça entrou e disse que tivera um sonho terrível.»
– Em espanhol: «Él dijo que había tenido una especie de alergia en la piel.»/ «La chica entró y dijo que había tenido un sueño terrible.»
– Em galego: «El dixo que tivera unha especie de alergia na pel.»/ «A rapaza entrou e dixo que tivera un soño terrible.»
O provérbio «tenho uma gaveta, não sei que lhe faça nem sei que lhe meta»
Gostaria de saber o significado do provérbio «tenho uma gaveta, não sei que lhe faça nem sei que lhe meta».
Gostaria também de questionar se existem mais provérbios relacionados com o termo gaveta.
Obrigada.
Os valores do advérbio só
Tenho percebido que o uso do vocábulo só se assemelha a valores semânticos umas vezes próximos de adversativos, outras vezes talvez a condicionais como nos exemplos abaixo :
«Divirta-se bastante nestas festas juninas, faça de tudo, só não solte balão.» (não estaria só exercendo o papel da conjunção mas ou então da conjunção condicional contanto que?)
«Todos quiseram o lanche. Só você [é] que não.» (não estaria neste caso só exercendo o papel da preposição exceto?)
«Foi só terminar a aula, que o garoto começou a brigar com os colegas.» (não estaria neste caso só exercendo o papel de uma conjunção temporal?)
Aspetos habitual e iterativo (II)
O segmento «agora estão ariscas, escapam-se por entre as mãos» veicula um valor iterativo ou habitual? Porquê?
Neste âmbito, surgiu-me outra questão. Li que os valores iterativo e habitual se podem conjugar. Podem-me explicar quando tal situação acontece?
Obrigado pelo vosso apoio!
A expressão «ter cada uma»
Gostava de conhecer a etimologia da expressão «tens cada uma».
Poderiam explicar-me, por favor, qual é a origem dela e os possíveis usos? Muito obrigada.
A sinonímia entre mesmo e próprio
«A sua presença na inauguração da loja irá valorizar a mesma iniciativa.»
«A sua presença na inauguração da loja irá valorizar a própria iniciativa.»
É possível usar a palavra mesma, como sinónima de própria no contexto apresentado?
Muito obrigado
«Matou a charada com tirocínio certeiro»
Na frase «matou a charada com tirocínio certeiro» ocorre um caso de alegoria ou se trata de um simples jogo de palavras?
Muito obrigado.
Paralelismo semântico: «chegar antes de ti para te ver chegar» (Nuno Júdice)
No verso «chegar antes de ti para te ver chegar», do poema "Isto é o amor", de Nuno Júdice, podemos dizer que estamos perante um pleonasmo? Se não, qual o recurso expressivo que poderá estar neste verso?
Obrigada.
Os números por extenso numa ata (II)
Gostaria de saber se existe alguma regra que obrigue a escrever todos os números por extenso numa ata?
Orações coordenadas explicativas introduzidas por «porque»
Gostaria de saber qual o motivo que leva a que raramente veja exemplos de orações coordenadas explicativas introduzidas por porque.
Tenho-me deparado sempre com exemplos onde consta pois. Por outro lado, também raramente vejo exemplos de orações subordinadas causais introduzidas por pois.
Em conversa com colegas, dizem-me «Os miúdos não as sabem distinguir se utilizarmos para os dois exemplos». Ora, sabendo nós que cada vez mais os alunos têm dificuldade em interpretar, creio que seria conveniente, desde cedo, fazê-los contactar com as diferentes hipóteses. Isto é como o falar/o oral. Cada vez mais ouço (inclusive a professores) «Eu já "falei" isso», «Eu dei "a ele"».
Acredito que, se não utilizarmos as palavras, no contexto correto, qualquer dia deixamos de ter esta maravilhosa (consciente de que também difícil) língua que é o português.
