Aura Figueira - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Aura Figueira
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Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses e Franceses, pela Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa, com uma pós-graduação em Ciências da Documentação e da Informação, variante de Biblioteconomia. É professora de português dos ensinos básico e secundário. 

 
Textos publicados pela autora

São apresentadas duas frases com as mesmas palavras, mas cuja análise sintática é diferente, visto que o posicionamento dos constituintes foi alterado. Passemos, então, à sua classificação.

1. «O prussiano não se atirou sobre o oponente, tamanho era seu espanto.» 

A primeira frase tem duas orações:

oração subordinante  – «O prussiano não se atirou sobre o oponente...»

oração subordinada adverbial causal – «...tamanho era seu espanto.»,  em que está omissa a conjunção, embora seja evidente o nexo de causalidade «(porque) era tamanho o seu espanto 

2. «Tamanho era seu espanto que o prussiano não se atirou sobre o oponente.»

Nesta segunda frase, como se invertem os termos, o sentido da frase altera-se: aquilo que na primeira era causa, agora, é o que provoca uma consequência.

Assim, a classificação das orações desta frase é a seguinte:

oração subordinante – «Tamanho era seu espanto»

     Uma das formas de distinguir um modificador de frase de um modificador de grupo verbal é, como muito bem diz e faz a nossa consulente, aplicar-lhe o teste da interrogação e da negação, já que o primeiro não pode ser interrogado nem negado.

     Mas verifica-se ainda uma outra distinção: enquanto o modificador de frase se subordina a toda a oração, não fazendo, portanto, parte do predicado:

        ♦ «Na minha opinião, as crianças deviam ter ido para a cama mais cedo.» (Gramática do Português)

modificador do grupo verbal está subordinado ao próprio grupo verbal, logo, faz parte do predicado, designando uma circunstância acessória da ação.

      Vemos, assim, que na frase «Eles jogam golfe regularmente.», o advérbio regularmente faz parte do grupo verbal, pode ser interrogado e negado, devendo ser classificado como modificador do grupo verbal. 

      Segundo Evanildo Bechara, na sua Moderna Gramática Portuguesa, «Chamam-se semivogais as vogais i e u (orais ou nasais) quando assilábicas, as quais acompanham a vogal numa mesma sílaba. Os encontros vocálicos dão origem aos ditongos, tritongos e hiatos. (...)

      Ditongo é o encontro de uma vogal e de uma semivogal, ou vice-versa, na mesma sílaba: pai, mãe, água, cárie, mágoa, rei.

    Sendo a vogal a base da sílaba ou o elemento silábico, é ela o som vocálico que, no ditongo, se ouve mais distintamente. 

        Os ditongos podem ser:

            a) crescentes e decrescentes

            b) orais e nasais

            Crescente é o ditongo em que a semivogal vem antes da vogal: água, cárie, mágoa.

           Decrescente é o ditongo em que a vogal vem antes da semivogal: pai, mãe, rei.»

   Acreditamos que esta citação do gramático brasileiro esclarece a dúvida apresentada, acrescentando nós apenas os seguintes exemplos, que retirámos da mesma gramática e que dizem diretamente respeito ao caso que coloca:

...

    O verbo recorrer, quando utilizado como transitivo indireto, tanto pode selecionar um complemento indireto como um complemento oblíquo, dependendo do sentido na frase ou no contexto. 

    Como «socorrer-se» ou «apelar», seleciona complemento indireto:

  • «Nos momentos maus, recorro sempre à família.»*
  • «Acharam que não valia a pena recorrer aos tribunais.»*

    No sentido de «interpor recurso», rege complemento oblíquo:

  • «O réu recorrerá da sentença.»*

 

*CasteleiroJoão Malaca (dir.)Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses, Lisboa: Texto Editores, 2007

    O verbo morrer, no sentido de «deixar de viver», é intransitivo, segundo o Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses, de Malaca Casteleiro.

    Deste modo, a locução «em Lisboa» é um modificador do grupo verbal, pois não sendo selecionada pelo verbo, é uma expressão que pode ser eliminada ou mudada de lugar na frase.