Brevidade e clareza - Pelourinho - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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Brevidade e clareza

«[…] escrever bem é saber cortar palavras, é saber reescrever textos, é ser breve. Ser contido nas palavras não implica ser simples ou superficial, mas antes saber utilizar as palavras certas e em poucas linhas transmitir a dimensão de um acontecimento.», como se aponta neste texto publicado no jornal i,  do dia 26 de novembro de 2012, que a seguir se transcreve na íntegra, com os devidos agradecimentos ao autor e ao diário português.

 

Os jornalistas sabem: escrever bem é saber cortar palavras, é saber reescrever textos, é ser breve. Ser contido nas palavras não implica ser simples ou superficial, mas antes saber utilizar as palavras certas e em poucas linhas transmitir a dimensão de um acontecimento. As breves — as pequenas notícias que, num jornal, compõem a personalidade de uma página e fazem mais do que enquadrar graficamente os grandes artigos — servem de excelente indicador da qualidade de um diário.

Na semana passada li no “Público” uma breve que dizia que o Ministério Público havia pedido uma pena «nunca inferior a 20 anos de prisão» para «o pai da juíza que matou a tiro o ex-marido da filha». Pode o leitor ler a notícia quantas vezes quiser e continuará muito longe da informação: o pai da juíza matou a tiro o ex-marido da juíza? A juíza matou a tiro o ex-marido da filha da juíza? A juíza matou a tiro o seu próprio ex-marido? Serão a juíza e a filha do homem que matou um ex-marido uma só pessoa, ou serão elas irmãs? Impossível saber. A única solução é comprar  outro jornal. Breves como esta são o melhor atalho para o suicídio de qualquer publicação.

Fonte

In jornal i de 26 de novembro de 2012, na coluna do autor Ponto do i, com o título original "Breves". Manteve-se a antiga ortografia, seguida pelo jornal.

Sobre o autor

Jornalista português nascido no Brasil, é licenciado em Filologia Românica (Faculdade de Letras de Lisboa) onde lecionou Introdução aos Estudos Linguísticos, Sintaxe e Semântica do Português. Foi diretor de Informação das agências noticiosas Anop e NP, chefiou os serviços de comunicação das fundações Gulbenkian e Luso-Americana para o Desenvolvimento. Foi chefe de Informação (PIO) das missões de paz das Nações Unidas em Angola, Timor-Leste, Kosovo e Burundi. Foi diretor-geral da Leya em Angola.