DÚVIDAS

«Conviver com» e «compartilhar com»
Minha dúvida é singela – e, talvez, um tanto desarrazoada –, mas me martela há muito. Expressões como «conviver com» e «compartilhar com» não seriam redundantes? Quando um prefixo já sugere a ideia de uma preposição, o que fazer? Agradeço muito!
Regências: «partilhar de», «compartilhar de»
Numa resposta anterior sobre «partilhar e compartilhar», apresenta-se um exemplo que tem justamente que ver com a minha dúvida: «Homens e mulheres, apesar de diferentes, partilham da mesma essência.» A minha dúvida prende-se com o «da»: porque não «partilham a mesma essência»? Obrigado.
O conjuntivo na oração relativa «uma pessoa com quem possas partilhar o tempo»
Gostava de saber se a construção «Um bom amigo deve ser uma pessoa com que puderes partilhar o tempo e passá-lo bem» é correta e se poderia ser igualmente válida com presente de conjuntivo («com a que possas partilhar o tempo») E qual seria a explicação da razão de usar uma ou outra? Obrigadíssima e parabéns pelo trabalho.
O significado de espartilhar
Tenho ouvido a forma verbal espartilhar ser usada em contextos cujos sentidos são os de «estar repartido por» ou «estar dividido em várias partes ou segmentos», como por exemplo «os critérios de avaliação estão espartilhados em vários domínios». Parece-me que a palavra é derivada por sufixação cuja base é espartilho que apresenta um sentido oposto («apertar», «comprimir»). A palavra pode ter aquela aceção? Obrigada.
Ainda os verbos compartilhar e partilhar
A título de uma dúvida, consultei a vossa base de dados e obtive a resposta n.º 7248 – Compartilhar/partilhar, respondida por M.R.L. a 12/12/2000: «Os verbos partilhar e compartilhar podem ser sinónimos quando significam tomar parte em, compartir, o que se verifica na frase que apresenta como exemplo: "Vem compartilhar/partilhar os teus conhecimentos connosco."» A minha questão é a seguinte: existe outra possibilidade de estes verbos não serem sinónimos? E quais os seus significados?
O advérbio finalmente
Tenho uma dúvida sobre o advérbio «finalmente» e o seu uso como conector discursivo. Em várias gramáticas, «finalmente» é indicado como marcador do último elemento de uma sequência enumerativa. Infelizmente, não havia exemplos. No entanto, ao analisar textos reais, encontrei apenas usos diferentes (corrijam-me, por favor, se a terminologia não é a correta); - Como advérbio temporal – indica que algo acontece após espera: “O projeto finalmente começou.” - Conector conclusivo – introduz uma conclusão ou culminação de um raciocínio: “Foram analisados vários fatores e, finalmente, decidiu-se alterar a lei.” “O relatório estudou a evolução da despesa pública, o impacto das medidas fiscais e, finalmente, as perspetivas de crescimento económico.” Porém, se a frase for: “Em primeiro lugar, discutiu-se a educação. Relativamente à saúde, foram apresentados dados. Quanto a transportes, houve propostas. Finalmente, falou-se da cultura.” Neste caso há uma sequência temporal e finalmente introduz o último termo que é temporal. Até aqui entendo. A dúvida vem como uso numa sequência sem qualquer relação entre si, como marcador de enumeração neutra. Por exemplo, em textos argumentativos ou opinativos com tópicos independentes, uma frase hipotética seria (reforço que foi inventada): “Em primeiro lugar, penso que a educação é essencial. Relativamente à saúde, considero prioritário investir. Quanto a transportes, creio que o investimento deve ser maior. Finalmente, a cultura merece atenção.” Neste caso, os tópicos não seguem uma sequência temporal ou lógica, mas apenas refletem pontos de opinião sucessivos. Aqui, «finalmente» soa estranho, já que transmite um valor de conclusão ou encerramento diferente de marcadores puramente enumerativos como “por último”, que apenas indicam o último item da lista. A minha dúvida é, portanto: Será que «finalmente» pode ser usado de forma natural como marcador neutro do último ponto em listas de tópicos independentes? Não é o mesmo "por último" que "finalmente". Sendo assim, porque teimam as gramáticas em tê-los juntos? Poderiam ainda ajudar-me a classificar gramaticalmente os diferentes usos de «finalmente»? Agradeço desde já qualquer esclarecimento sobre a frequência real destes usos e a terminologia adequada para cada valor de «finalmente». Muitos parabéns pelo magnífico trabalho.
O adjetivo obnóxio
Aquando da leitura de um livro, encontrei a palavra adular cujo significado será algo como «lisonjear servilmente». Foi na consulta da palavra servil que me deparei com o sinónimo obnóxio, uma palavra que nunca tinha ouvido/lido (pelo menos que me lembre). Já conhecia a palavra obnoxious da língua inglesa, a qual pelo que sei, tem um significado distinto, algo como, rude ou ofensivo. A minha dúvida, para que possa ficar completamente esclarecido quanto a esta palavra, é : Por um lado, qual/quais o(s) seu(s) significado(s)? E por outro, como se pronuncia devidamente? Agradeço imenso a atenção. 
Uso de vírgula em provérbios e aforismos
Tendo em conta uma intenção estilística e aforística, tratando-se de uma citação para um guião de motivação, esta frase pode ser aceite pontuada desta forma? «Conhecimento que se guarda, perde força; conhecimento partilhado, multiplica-se.»
A expressão «eu é de querer isso!» (Brasil)
Tenho uma curiosidade de saber de onde surgiu uma forma de falar, negar enfaticamente algo. Talvez seja um regionalismo da região onde moro aqui no Brasil. De qualquer forma, queria compartilhar. Toda vez que alguém quer dizer que não deseja ou não aceita algo e quer expressar isso com bastante veemência, usa a expressão «é de». Por exemplo, se alguém oferece uma comida a uma pessoa X, esta pessoa, para dizer que não quer, bastaria simplesmente dizer «não, obrigado» ou simplesmente «não quero», mas diz assim: «Eu é de querer isso! Nem gosto!»
Os valores semânticos da construção ao + infinitivo
Tenho visto algumas frases em que a construção ao + infinitivo me parece inadequada, possivelmente por resultar de traduções literais do inglês by + ing form, e gostaria de saber se a sua aplicação está correta ou não nos exemplos de 1 a 3. 1) Pode ver mais informações ao clicar neste link. 2) Publica um anúncio ao aceder à página principal. 3) Descobre mais novidades ao ler este artigo. Intuitivamente, costumo usar a construção ao + infinitivo em orações temporais ou temporais-causais e valido a sua utilização substituindo-a por quando ou marcas temporais similares, como nestes exemplos. 4) Ao sair de casa, reparei que me tinha esquecido da chave. (Quando saí de casa, reparei que me tinha esquecido da chave) 5) A rapariga corou ao ver o rapaz. (A rapariga corou porque/quando viu o rapaz) 6) Ouviu as notícias ao preparar o jantar. (Ouvi as notícias enquanto preparava o jantar) Eu percebo que nos exemplos de 1 a 3 se possam substituir as expressões ao + infinitivo por quando e, ainda assim, obter frases gramaticais. Contudo, parece-me que há uma notória alteração no significado destas frases. Para ser mais exata, estas frases são exemplos inspirados em traduções do inglês em que a forma ao + infinitivo serve de tradução de by + formas terminadas em -ing, que optei por não partilhar na plataforma por razões de confidencialidade. No entanto, em inglês seria mais ou menos assim: 1) You can see more info by clicking on this link traduzido como «Pode ver mais informações ao clicar neste link»; 2) You can publish an ad by accessing the home page traduzido como «Publica um anúncio ao aceder à página principal»; 3) Learn more news by reading this article traduzido como «Descobre mais novidades quando leres este artigo». Partindo dos exemplos em inglês, não me parece que haja uma intenção temporal/causal nas construções introduzidas por by + formas terminadas em -ing. Na verdade, estas construções parecem-me muito próximas daquilo a que anteriormente designávamos como complemento circunstancial de modo: 1) Como é que podes ver mais informações? Clicando no link.  2) Como é que podes publicar um anúncio? Acedendo à página inicial. 3) Como é que descobrir mais novidades? Lendo este artigo. Convocando outros exemplos, não me parece que na nossa língua se utilize o ao + infinitivo para descrever a forma como certas ações são concluídas e daí a minha estranheza perante estas estruturas. Parece-me mais natural dizer: 7) «Visitámos vários países viajando de bicicleta» do que *Visitámos vários países ao viajar de bicicleta 8) «Ela informa-se das notícias lendo o jornal» do que *Ela informa-se das notícias ao ler o jornal 9) «Desloco-me ao escritório conduzindo» do que *Desloco-me ao meu escritório ao conduzir. Ou seja, se a minha intenção é a de explicar de que forma concluo determinada ação, é natural a aplicação desta estrutura? Obrigada pela ajuda.
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