DÚVIDAS

Impacte vs. impacto: ponto da situação
Sempre utilizei o termo impacte ambiental, mas cada vez mais vejo «este impacte» escrito com o. Para mim impacto está associado a choque/colisão e impacte está associado a questões relacionadas com ambiente. Houve alguma alteração? E quando falamos em termos de efeito, qual usar? Será que depende? Devendo usar impacte sempre que esse efeito está relacionado com ambiente? Por exemplo: «...transformar ideias em soluções com impacto social, ambiental, económico, artístico e cultura.» Obrigada.
Contexto, enunciado e modalidade
Antes de mais, congratulo-vos por este projeto. Gostaria que me esclarecessem quanto à modalidade e ao respetivo valor das frases abaixo, uma vez que não me parecem veicular uma ideia de obrigação, mas antes de certeza e de convicção do locutor. Ainda assim, na segunda afirmação, poderá transparecer um dever de consciência cultural, isto é, uma obrigação moral de respeito pelo legado literário de Almeida Garrett. 1.ª «É como não podermos fazer terra plana ali em Belém sobre a Torre de Belém»; 2.ª «[Há assim uns marcos da chamada escrita para teatro em português] mas não podemos pôr de fora Almeida Garrett». Muito obrigada pela vossa disponibilidade.
«Os que» (elipse) e «o que» (locução pronominal)
Depois de ter feito uma pesquisa no vosso site, gostaria de saber se estou a analisar corretamente, em termos oracionais e sintáticos, as seguintes frases complexas com a presença das expressões «o que» e «os que»: 1) «Estava calor, o que me transtornou.» Oração subordinante: «Estava calor.» Oração subordinada adjetiva relativa explicativa: «o que me transtornou», constituinte que exerce a função sintática de modificador apositivo da oração matriz. Quanto à análise sintática da oração subordinada: «o que» é sujeito e «me» é complemento direto. 2) «Façam o que mandei.» Oração subordinante: «Façam.» Oração subordinada substantiva relativa sem antecedente: «o que mandei», constituinte que desempenha a função sintática de complemento direto. Quanto à análise sintática da subordinada: «o que» é complemento direto do verbo mandar. 3) «Resolvam os que estão na página trinta» («Resolvam os [exercícios] que estão na página trinta»). Oração subordinante: «Resolvam os [exercícios]» Oração subordinada adjetiva relativa restritiva: «que estão na página trinta», constituinte que exerce a função sintática de modificador restritivo do nome [do nome exercícios]. Por seu turno, o constituinte «os que estão na página trinta» exerce a função sintática de complemento direto da matriz. Quanto à análise sintática da subordinada: «que» é sujeito, e «na página trinta», predicativo do sujeito. 4) «Os exercícios para resolver são os que estão na página trinta» Oração subordinante: «os exercícios são os» Oração subordinada relativa restritiva: «para resolver», com a função de modificador restritivo do nome (ou será uma completiva com função de complemento do nome?). Oração subordinada relativa restritiva: «que estão na página trinta», com a função de modificador restritivo do nome. Por seu turno, o constituinte «os que estão na página trinta» exerce a função sintática de predicativo do sujeito. Quanto à análise sintática da última oração subordinada: «que» é sujeito e «na página trinta» predicativo do sujeito A minha dúvida nas frases 3 e 4 é se o predicativo do sujeito [«os que estão na página 30»] não constituirá como um todo uma oração substantiva relativa, sendo a subordinante apenas até ao verbo ser. Isto gera certa estranheza: se a partícula os fizer parte da subordinante (pois a subordinada restritiva inicia-se apenas com que) soa estranho a subordinante ser «Resolvam os». Por outro lado, se «os que estão na página trinta» funcionar como substantiva relativa teríamos uma adjetiva restritiva («que estão na página trinta») encaixada na subordinada substantiva relativa, mas apenas com um verbo para as duas subordinadas («estão»), o que também parece estranho. Peço por isso a vossa ajuda para resolver este dilema, pois sempre tive dificuldades em classificar orações com a presença de «os que» ou de «o que». Votos de bom trabalho.
Modificador apositivo do nome seguido de relativa explicativa
Começo por vos agradecer pelo vosso extraordinário trabalho e pela ajuda preciosa que nos dão. A minha dúvida prende-se com a classificação da oração «que vivia na ilha Terceira», presente no excerto que transcrevo. Será uma oração subordinada adjetiva relativa restritiva ou subordinada adjetiva relativa explicativa? «E, com medo de colocarem a vida da criança em risco, decidiram que o pequeno Fernando ficaria em Portugal ao cuidado da avó materna, Madalena Xavier Pinheiro Nogueira, que vivia na ilha Terceira e o guiaria no temor a Deus e na estreiteza filosófica da educação cristã tradicional, rotineira e disciplinada da sociedade açoriana» (João Pedro George, “Os poemas da mãe de Fernando Pessoa”, 2.ª parte, in revista Sábado). Muito grato.
Ênclise no subjuntivo (frases optativas)
É sabido que os tempos do subjuntivo são quase invariavelmente precedidos de partículas atrativas (conjunções integrantes, condicionais ou teporais), o que impõe a próclise. Todavia, em contextos de exclamação optativa ou em construções elípticas, seria gramaticalmente aceitável o uso da ênclise? Por exemplo, num contexto de fala ou de escrita literária, em vez de «Oxalá o pudesse (fazer)!» ou «Quem me dera que o pudesse!», seria lícito dizer «(Eu) Pudesse-o!»? Existe algum registo histórico ou norma que autorize a ênclise no subjuntivo quando este inicia a frase sem a presença de partícula atrativa? Obrigado.
Valência
Eu gostaria de tirar uma dúvida em relação a uma expressão, cuja forma correta não sei escrever. Qual é o correto (não estou seguro quanto a escrita correta)? a). «Um senhor teve convulsão dentro do trem. À valência dele, havia um médico ali». b). «Um senhor teve convulsão dentro do trem. À valença dele, havia um médico ali». A expressão “à valência (ou: à valença)” equivale a “por (para) sorte”: «Um senhor teve convulsão dentro do trem. Por (para) sorte dele, havia um médico ali». Eu ouço mais a letra “b”, porém acho que a “a” seja a correta. Antecipadamente, obrigado.
Rerruptura ou rerrotura
Existe uma situação na especialidade de cirurgia do ombro que é ocorrer uma "rerruptura" ou "rerrotura" do tendão após seu reparo. Na língua inglesa chama-se retear ou rerupture. Todavia, no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras, não existem as palavras "rerruptura" ou "rerrotura". Existe a possibilidade dessas palavras serem inseridas no VOLP? Como fazer isso? Até isso se resolver, como devemos denominar essa intercorrência na cirurgia do ombro: “recidiva da ruptura”, "ruptura recorrente”, “nova ruptura”?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa