Sentar-se com complemento oblíquo
Na frase «O silêncio senta-se NOS MEUS OMBROS», qual a função sintática das palavras grafadas com letra maiúscula?
Na frase «O silêncio senta-se NOS MEUS OMBROS», qual a função sintática das palavras grafadas com letra maiúscula?
De acordo com o Dicionário Terminológico (DT), a expressão «nos meus ombros» desempenha a função sintática de complemento oblíquo, com valor semântico de lugar.
O verbo pronominal sentar‑se é um verbo transitivo, no sentido em que seleciona um argumento interno. Neste caso, o constituinte selecionado é introduzido por uma preposição, indicando o local onde a situação descrita ocorre, ou seja, «sentar‑se em algum lugar».
Segundo o DT, os complementos verbais introduzidos por preposição e semanticamente selecionados pelo verbo podem ser classificados como complementos oblíquos. É precisamente este o caso da expressão «nos meus ombros», que completa o sentido do verbo sentar‑se e especifica o local, aqui apresentado de forma metafórica, associado ao sujeito «o silêncio».
Esta análise pode ser corroborada por alguns testes sintáticos frequentemente usados para distinguir complementos selecionados de elementos acessórios, como o teste da pergunta-resposta:
(1) – «O que fez o silêncio nos meus ombros?»
– «*Sentou‑se.»
(2) – «O que fez o silêncio?»
– «Sentou‑se nos meus ombros.»
Note-se que o facto de o segundo par de frases ser aceitável, ao contrário do primeiro, mostra que a expressão «nos meus ombros» não pode ser retirada sem afetar a frase. Isto indica que essa expressão está diretamente ligada ao verbo, sendo por ele exigida para que o enunciado fique completo. Por esse motivo, «nos meus ombros» deve ser classificada como complemento oblíquo.
Em síntese, à luz da terminologia atualmente em vigor no ensino básico e secundário, a expressão «nos meus ombros» deve ser analisada como complemento oblíquo. Esta classificação reflete o facto de o constituinte ser exigido pelo verbo e contribuir de forma essencial para a construção do seu significado na frase.