O adjetivo compreensivo, novamente
Num artigo do Expresso, publicado em 27/04/2026, leio o título:
«O fim do modelo binário do ensino superior: por uma universidade compreensiva»
É o uso do adjetivo compreensivo que me suscita reservas.
Parece que está a significar «abrangente, completo, polivalente», aceção que é a do inglês comprehensive.
Não estaremos nós diante de mais um caso de anglicismo?
Complementos oblíquos: «veio de Lisboa, partiu para Madrid»
Na frase «O Pedro veio de Lisboa no dia em que Maria partiu para Madrid.», os segmentos «de Lisboa» e «para Madrid» constituem complementos oblíquos ou, antes, modificadores do grupo verbal, uma vez que «O Pedro veio no dia em que Maria partiu» é gramatical?'
Obrigada.
O nome permacrise
Donde vem a palavra "permacrise"?
Pessoas vivas e falecidas numa mesma lista
Estamos mandando confeccionar uma placa para homenagear algumas pessoas, entre elas temos pessoas falecidas e vivas.
Pergunto:
Para as pessoas falecidas, podemos escrever in memoriam depois do seu nome?
Para as pessoas vivas, podemos escrever in vivo ou «em vida» depois do seu nome?
Grato.–
A expressão «o espaço da cena»
O que dizem quanto à correção desta frase?
"O espaço da cena é NO castelo."
Obrigado,
Monóstico
O monóstico deve ser, ou não, considerado para efeitos de esquema rimático e tipos de rima? Sempre achei que sim, mas há manuais escolares que o desconsideram, sobretudo quando os versos são soltos.
O nome quiromancia
Quiromancia– é palavra exdrúxula ou não?
Se sim, não leva acento?
Quem interrogativo e referência
Introduzo minhas reflexões justificando que costumo viajar em minhas análises e possivelmente esta pode ser uma reflexão que está me levando a decolagem...
No campo da linguística textual, o estudo da coesão referencial é atravessado pelo conceito de referente e correferente. Em exemplos didáticos, a compreensão desses conceitos torna-se transparente, pois são apresentados por meio de textos denotativos, isto é, aqueles de significação unilateral, endofórica. No entanto, diante de um gênero como tirinha, charge, que trabalha com construções endo e exofóricas e com ferramentas sintáticas, lexicais para arquitetar a crítica da qual se propõe, deparei-me refletindo sobre a possibilidade de algumas classes gramaticais sofrerem correspondências classificatórias em decorrência da relação entre texto, cotexto e contexto.
Para exemplificar, há uma tirinha de André Dahmer, Malvados, em que encontramos o seguinte diálogo:
(Primeiro quadrinho) «A fome está assombrando os pobres do país.»
(Segundo quadrinho) «Quem assombra os ricos?»
(Terceiro quadrinho) «As palmeiras da piscina.»
Parece-me que o pronome quem está sendo usado propositalmente para a construção do humor, estabelecendo referência tanto com o primeiro quadrinho quanto com o segundo. Apesar de gramaticalmente esse pronome ser classificado como pronome indefinido interrogativo, logo, sem referente antecedente, pergunto se não seria possível estabelecer uma relação de referente («as palmeiras») e correferente («quem») entre eles, já que, em minha ingênua e flutuante viagem interpretativa, há uma intenção de prenuncio e posteriormente de quebra de expectativa por parte do autor, apresentando, pois, o pronome interrogativo também com relativo.
Obrigada.
«Desejo de» seguido de oração
Solicito a vossa posição quanto à correção desta frase, em especial da expressão sublinhada:
«O desejo manifestado pelo pai foi para se lembrarem dele.»
Obrigado
O nome fisiolostria
Li em peça de teatro escrita em 1898, a filha escrevia carta ao pai:
«- Querido Papá, remeto-lhe a minha FISIOLOSTRIA que tirei no retratista...»
A minha pergunta é: o termo fisiolostria está correto, como sinónimo de «retrato em papel»?
Podemos aceitá-lo como de uso corrente no ano de 1900?
Obrigado.
