A palavra "ponderância"
Coloquei uma dúvida sobre a existência ou não da palavra "ponderância" no português falado e escrito em Portugal. Hoje recebi pedido vosso solicitando o contexto em que ela surgiu. Pois então foi assim:
A dúvida sobre a sua existência ou não surgiu no meio de uma acalorada tertúlia universitária. Subitamente a palavra surgiu e rapidamente foi contestada tendo dado início a uma acalorada discussão sobre a sua validade ou não.
Quem a proferiu inadvertidamente pretendia utilizar o termo ponderação, mas, num instinto, sai-lhe «ponderância» eventualmente por analogia com tolerância. Claro que consultámos várias fontes, incluindo a Diciopédia X, da Porto Editora, e a palavra "ponderância" não aparece. Mas consultando o Google verificamos que a palavra é utilizada no Brasil e encontrámo-la num documento da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (encontram a palavra «ponderância» na 2.ª linha do 4.º parágrafo, na página 5).
O meu objectivo ao recorrer à vossa ajuda era o de desvanecer as dúvidas que permaneceram na maioria dos intervenientes da discussão (incluindo quem a proferiu).
Pelo exposto lhes rogo que desenvolvam um esforçozinho um pouco para além da consulta de dicionários para que as nossas dúvidas desapareçam.
Grato pela atenção.
O feminino de melro
Gostaria de saber se existe feminino para melro. Já ouvi o termo "melroa", mas não sei se é correcto.
O termo itinerância
Agradeço a confirmação da existência, ou não, da possibilidade de usar o termo itinerância, em português de Portugal.
As palavras vila, concelho, cidade e aldeia com inicial minúscula
Gostaria que me esclarecessem se as palavras vila, concelho, cidade e aldeia deverão aparecer (segundo a regra geral) em minúscula ou maiúscula.
Por exemplo: o correcto será «vila de Pedroso» ou «Vila de pedroso»?
Sinceros agradecimentos.
«Tu és uma ranhosa/ronhosa!»
Está correcta a frase «Tu és uma ranhosa!», ou deverá ser dito «Tu és uma ronhosa!»?
Obrigada pela vossa atenção.
A diferença entre a escrita e a pronúncia
Como vivo aqui em Portugal procuro me adaptar, mas tem coisas que não consigo entender... tais como «porque escrevem certo e pronunciam errado». Ex.:
correios (pronunciam "curreios")
coração ("curação")
piscina ("pixina") e por aí afora.
Já procurei explicações, mas ninguém me deu uma que fosse convincente ou correta.
Se puder, «diga lá». Obrigada.
«Reservar o direito»/«reservar-se o direito»
Vi as vossas respostas relacionadas com a questão reserva o direito/reserva-se o direito, mas não estou satisfeito com elas.
Digam-me, por favor, como devo traduzir para português o seguinte início de frase em inglês: «XPTO reserves the right to change product features...»
Eu acredito que a seguinte forma é a correcta:
«A XPTO reserva o direito de alterar as características dos produtos...»
No entanto, as vossas respostas parecem indicar que o correcto seria dizer «A XPTO reserva-se o direito de alterar as características dos produtos...»
A XPTO não se está a reservar-se a si própria, nem pretende dizer explicitamente que está a reservar o direito para si própria (isso deve estar apenas implícito, dado que proporciona vários subterfúgios legais que as empresas consideram ser muito úteis). Quanto ao reservar o direito para si própria, também não vejo como a conjugação reflexa "reserva-se" (dado que o sujeito está imediatamente antes) poderia significar «reserva para si».
Sem sujeito/nome, não há dúvidas. A forma correcta é «Reserva-se o direito de admissão», por exemplo.
Obrigado.
Citação em contexto interrogativo
Me deparei com uma frase que emprega os dois-pontos, e o sentido ficou obscuro pra mim, a frase é um verso da bíblia na versão Almeida revista e corrigida de 94, e a frase em questão é a seguinte:
«Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?»
Minha dúvida é se o ponto de interrogação no fim da frase se refere a toda ela ou apenas ao período que vem depois dos dois-pontos. Disso, creio, depende a interpretação correta do sentido do texto. Se válido para toda a frase, implica em que o Espiríto em questão tem ciúme, e se válida a interrogação apenas para o que vem após os dois-pontos, esse período seria uma pergunta retórica sem necessidade de resposta.
Qual seria a forma correta de se interpretar essa frase?
«Preciso de estudar» e «preciso estudar»
Uma propaganda de uma rede educativa, que traz de vez em quando questões relacionadas à língua portuguesa aqui no Brasil, disse que a norma culta não considera correto o uso de «Eu vou precisar de fazer as questões»; o problema apontado por esse programa é a presença da preposição antes do verbo no infinitivo, mas, buscando respostas no Ciberdúvidas, vi que ambas as formas estão adequadas à norma culta, ou seja, «Eu vou precisar de fazer» ou «Eu vou precisar fazer», ambas estão corretas segundo vocês, mas não segundo o programa daqui do Brasil. Afinal, existe alguma referência, algum gramático que acabe com a minha dúvida se ambas as formas podem estar corretas, ou só uma delas, como disse o programa?
Muito obrigado.
Substituibilidade e substitubilidade
Gostaria de saber se a palavra "substitutibilidade" existe em português, porque não a consegui encontrar em nenhum dos dicionários que consultei. No entanto, parece-me ser um termo correcto para caracterizar algo que pode ser substituído, por exemplo: «Não sendo produtos substitutos, o grau de substitutibilidade entre obrigações e depósitos a prazo é elevado.»
