Hífen com ênclise e mesóclise
O Dicionário Online Priberam, quando pesquisamos sobre a definição de 'Hífen', fornece-nos a seguinte informação: «hí·fen (latim hyphen, do grego hufén, como um, num só) substantivo masculino [Tipografia] Sinal gráfico horizontal (-) usado na separação de elementos de um composto, de alguns prefixos, de sílabas em fim de linha e de ligações enclíticas, mesoclíticas ou proclíticas. = TIRETE, TRAÇO DE UNIÃO Plural: hífenes. "hífen", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa.»
Eu gostaria de saber se não há um erro por parte do Priberam quando afirma que o hífen pode ser utilizado em ligações proclíticas, uma vez que estas últimas possuem nas suas características o facto de apresentarem ausência de hífen (os pronomes clíticos não se unem por hífen às formas verbais às quais revelam ligação). Existirá, então, um lapso no Dicionário Online Priberam que deveria ser corrigido?
A combinação de formas pronominais tónicas e átonas
Em muitas leituras que já fiz, acabei por encontrar os dois pronomes se e lhe usados juntos. Gostaria de saber o porquê desse emprego.
Exemplificando: concede-se-lhe, arrojou-se-lhe, opor-se-lhe, em frases como «Dê-se-lhe vista dos Autos.», «Fora adorada pelos pais, pelo marido, pelos filhos; inspirara mais de uma paixão e as suas amigas disputavam-se-lhe a preferência. Habituou-se a ser sempre a primeira», «Viu-se então que a idade o não abatia. Num desempenho de rapaz atlético aprumava-se-lhe a estatura elegantíssima entre as voltas do poncho desbotado que lhe desciam até às botas de viagem, flexíveis e armadas das rosetas largas das esporas retinindo ao compasso de um andar seguro.»
Agradeço a ajuda, desde já.
Dois casos de obrigatoriedade da vírgula
«Se bobear eu te pego.» É preciso utilizar vírgula após a palavra bobear?
No segundo caso, «A gente vive sem comida, sem cerveja nunca.» É necessário o uso da vírgula depois de «cerveja»?
Obrigado pela atenção.
Classificação de orações subordinadas
Gostaria que me ajudassem a classificar as seguintes orações subordinadas e a identificar as suas funções sintáticas: «Cumpriam tudo que lhes mandavam», «Alijaram tudo que na coberta havia», «Como enfuriasse ainda mais o tempo, trataram de alijar os mastaréus das gáveas» e «Foi a de Jorge de Albuquerque Coelho a primeira de todas que se lançaram ao mar» (in História Trágico-Marítima).
Obrigada pela atenção.
Pois, conjunção adversativa
Minha dúvida tem a ver com a conjunção pois. Nas gramáticas normativas, nunca vi esta conjunção ser classificada como adversativa ou ser apresentada como uma conjunção de valor semântico adversativo. No entanto, em todos os dicionários que consultei (Houaiss, Michaelis, Priberam, Porto, Aulete, etc.), esse conectivo é também encarado como sinônimo de mas, porém, no entanto, etc. Devido a isso, fiquei com a pulga atrás da orelha: afinal, a conjunção pois é abonada por algum livro consagrado de gramática como sinônima de conjunções adversativas? Caso não encontrem a resposta a essa pergunta, mas creiam que o pois pode, sim, indicar oposição, gostaria que dessem exemplos (e os explicassem) para eu conseguir ensinar a meus alunos da melhor forma possível.
Sobre a conjunção correlativa nem...nem
Na frase «Nem os professores queriam chorar nem os alunos mostrar a sua tristeza» estamos perante orações coordenadas copulativas ou disjuntivas?
Obrigada.
«Ele era de opinião que...»
«Ele era de opinião que (ou "de que") céu cinzento e gotas de chuva nas janelas tiram o ânimo e causam melancolia.» Na frase citada, qual é a melhor regência para o termo "opinião"?
Obrigado.
Corresponder + complemento indireto
Gostaria, antes de mais, de agradecer pela ajuda por vós prestada.
A dúvida que venho colocar prende-se com a regência do verbo «corresponder» e sobre o complemento que este exige, uma vez que, na minha opinião, seleciona complemento oblíquo (pela exigência da preposição «a»). No entanto, em determinadas situações («Não correspondeu às expectativas.»/«Não correspondia ao padrão feminino.»), eu posso pronominalizar as expressões («Não lhes correspondeu.»/«Não lhe correspondia.»)
Assim, a dúvida é: nestes contextos (em que podemos pronominalizar) devemos considerar complemento oblíquo, complemento indireto ou considerar ambas as respostas corretas?
O verbo começar no futuro do conjuntivo
«Deixarei para estudar quando começar as aulas» ou «Deixarei para estudar quando começarem as aulas.»?
Grato antecipadamente.
Ainda sobre uso da forma de tratamento colendo
Li, recentemente, uma resposta de um colaborador v/, o Prof. Doutor Rui Pinto Duarte, a propósito do (não) uso do adjetivo colendo como forma de tratamento de juízes de tribunais superiores em Portugal (em comentário, de certo modo, contrariado pelo do Dr. Miguel Faria de Bastos). Permito-me, todavia, chamar a atenção para o facto de o adjetivo em questão, num nível de linguagem erudito, não ser desconhecido, nem mesmo, como é referido na resposta do v/ ilustre colaborador, em peças processuais (cf., por exemplo aqui e aqui) da Justiça dos III, VI, IX e X Governos pós-1974) intitulado "O contrato de transporte marítimo.O seu espaço próprio em confronto com o dos contratos de venda e de abertura de crédito documentário", inserto nos Estudos sobre o novo Direito marítimo. Realidades internacionais e situação portuguesa, Coimbra Ed., Coimbra, 1999, p. 156:
«O colendo Supremo Tribunal não captou a essência do problema - que, diga-se por amor à verdade, as partes não terão equacionado com límpida nitidez».
Na comunicação social surge também o adjetivo por referência a expressões usadas em ambiente judiciário: Diário de Notícias, 14.6.2017.
