A regência do verbo acordar - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
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A regência do verbo acordar

A utilização do verbo acordar no sentido de «chegar a acordo» não carece de preposição? Ou seja, as frases «Os contratantes acordam colaborar na venda» e «As partes acordam que o ato é inválido» estão corretas? 

Maria Sacramento Jurista Bruxelas, Bélgica 529

     Segundo João Malaca Casteleiro, no seu Dicionário Gramatical de Verbos Portugueses, o verbo acordar, com o significado de «concordar», é transitivo direto e indireto e intransitivo:

  1. «A concertação social acordou as propostas a implementar.» (transitivo direto)
  2. «Todos os condóminos acordaram na escolha da proposta.» (transitivo indireto)
  3. «O pai e a mãe acordaram sobre o castigo para os filhos desobedientes.» (transitivo indireto)
  4. «Depois de acesa discussão, acabaram por acordar.» (intransitivo)

    Como se pode constatar, as frases apresentadas «Os contratantes acordam colaborar na venda» e «As partes acordam que o ato é inválido» estão corretas, sendo o verbo aqui utilizado como transitivo direto, isto é, com complemento sem preposição. No entanto, o complemento direto de ambas as frases não é facilmente identificado por se tratar de uma oração: «...colaborar na venda»/«...que o ato é inválido». 

Aura Figueira
Classe de Palavras: verbo
Áreas Linguísticas: Discurso/Texto; Sintaxe Campos Linguísticos: Regência