Preposições - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Preposições

Estive estudando a natureza das preposições e pude chegar a uma conclusão: Existem frases em que as preposições podem ser subentendidas. Quando se diz, por exemplo: "O Reino Unido produz grande variedade de bens industriais para consumo doméstico e exportação". Pode-se interpretar da seguinte maneira: "O Reino Unido produz grande variedade de bens industriais para consumo doméstico e [para] exportação. Ou seja, podemos supor a presença da preposição para entre a palavra "e" e a palavra "exportação". O mesmo acontece na frase: "A criação de suínos e [de] aves domésticas. Entretanto, existem casos em que subentender a preposição torna-se um tanto complicado. Pois bem, aqui se iniciam minhas dúvidas.

   1) Na frase: "Tecnologia de força e robustez para desafios de peso". Podemos subentender a presença da palavra "de" entre o termo "e" e o termo "robustez"? Isto é, a frase pode ser interpretada assim: "Tecnologia de força e [de] robustez para desafios de peso"? Se eu quisesse deixar claro que "Tecnologia de força" é uma coisa e "robustez para desafios de peso" é outra, como deveria proceder? Existe a possibilidade de que na frase inicial (Tecnologia de força e robustez para desafios de peso) existam as duas interpretações?

   * Talvez, de facto, se possa interpretar a frase de duas maneiras: «tecnologia» pode estar relacionada também com «robustez», formando força e robustez um todo a ela ligado. Para deixar clara a separação entre as duas partes da frase, teria de recorrer a uma outra «ligação». Por exemplo:«tecnologia de força, além de robustez para desafios de peso». Mas o contexto, que não nos é dado, será determinante para a compreensão da frase.

   2) Na frase: "Lições de estabilidade e segurança em todos os pisos" – podemos subentender a preposição "de" entre as palavras "e" e "segurança"? Há mais de uma interpretação para essa frase?

   O que se depreende é que as lições são simultaneamente de estabilidade e segurança. Se houver lições de estabilidade e outras de segurança, a preposição de deverá estar expressa. Mas também aqui é fundamental conhecer o contexto.

   3) Quando se diz: "Petróleo e gás natural do Mar do Norte e, em menor grau, energia nuclear são destinados a suprir as necessidades da indústria e do consumidor final", significa que ambos, petróleo e gás natural, são do Mar do Norte? De acordo com este período, pode-se dizer que a energia nuclear também é do Mar do Norte?

   Sim, o petróleo e o gás natural são do Mar do Norte. A energia nuclear é que me parece estar fora do grupo. Para que fossem todos da mesma proveniência, «Mar do Norte» deveria vir após «energia nuclear».

   4) Na frase: "A produção de carvão, principalmente nos campos do sul do País de Gales, Escócia Central, nordeste da Inglaterra, Yorkshire e Midlands, destina-se à geração de eletricidade". – podemos subentender a preposição "de" antes dos termos "Escócia Central", "nordeste da Inglaterra", "Yorkshire" e "Midlands"? Ou seja, significa que a produção de carvão concentra-se também nos campos da Escócia Central, do nordeste da Inglaterra, de Yorkshire e de Midlands?

   Neste caso, não precisa repetir a preposição para ficar claro que os campos em que se produz carvão são os de todas as regiões nomeadas.

   5) Quando se diz: "Nos meados da década de 80, foi finalmente admitido que o sistema soviético havia chegado a um impasse e o fracasso da perestroika e seu programa de reformas precipitou a desintegração da União Soviética". Podemos supor a presença da conjunção "que" antes de "o fracasso da perestroika"? Também podemos supor a existência da preposição "de" antes do termo "seu programa de reformas"? Enfim, o período poderia ser reescrito do seguinte modo: "Nos meados da década de 80, foi finalmente admitido que o sistema soviético havia chegado a um impasse e [que] o fracasso da perestroika e [de] seu programa de reformas precipitou a desintegração da União Soviética"?

José Alexandre Brasil 5K

Não poderia, deveria. O período sem os elementos de ligação fica confuso. Sugeria que em vez de «precipitou» (pretérito perfeito) escrevesse precipitara (pretérito mais-que-perfeito), em paralelismo com «havia chegado» (pretérito mais-que-perfeito composto) da oração anterior.

* As respostas a itálico são da dra. Teresa Álvares.

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