Na frase final do aviso em causa deveria efetivamente figurar o verbo comunicar ou outro, e não denunciar.
O verbo denunciar não é simplesmente sinónimo de «avisar», pois, no seu uso transitivo, significa genericamente «divulgar publicamente alguma coisa que se considera errada» e «indicar alguém como responsável por um dado ato condenável» (cf. dicionário da Academia das Ciências de Lisboa)1. A expressão que realiza o complemento direto tem valor negativo ou disfórico como evidenciam exemplos como «denunciar um abuso» ou «denunciar um crime» (ibidem).
Denunciar pode ainda ocorrer como verbo transitivo-predicativo, isto é, como verbo que, além de selecionar um complemento direto, tem ainda associado um predicativo do complemento direto introduzido pela conjunção como:
(1) «Fichte pronunciou em praça pública seus Discursos à nação alemã, onde denuncia Napoleão como inimigo dos ideais de liberdades propagados pela Revolução Francesa» (Corpus do Português).
Em (1), revela-se como o predicativo «como inimigo...» tem significado negativo.
Sendo assim, voltando à frase em questão, torna-se evidente que «denunciar como seguro» é expressão incoerente, visto que o adjetivo seguro denota uma propriedade positiva.
É, pois preferível, optar por um verbo de sentido neutro como comunicar, assinalar ou indicar e construir a frase «Comunicar/assinalar/indicar como seguro».
1 O próprio verbo denunciar na aceção de «acusar em segredo; delatar» (Infopédia) pode adquirir conotações negativas, em situações de cumplicidade e confiança: «Se a confissão não vinha, passavam todos pela palmatória. Mas nunca um irmão denunciou outro» (José Rodrigues Miguéis, A Escola do Paraíso, 1982, in Corpus do Português).