É possível usar o advérbio já tanto no interior de uma frase como em início de frase.
Entre outros usos de natureza temporal, o advérbio já pode ser usado para estabelecer um contraste entre estados de coisas, como se verifica em (1):
(1) «O João foi à praia, já a Maria preferiu ficar em casa.»
Este mesmo valor pode ser estabelecido entre duas frases autónomas, sendo a conexão entre elas sinalizada por já, que ativa a inferência de relação contrastiva entre as realidades descritas em cada uma das frases. Deste modo, a frase (2) é possível:
(2) «O João foi à praia e aproveitou o dia para descansar. Já a Maria preferiu ficar em casa porque detesta areia e muita agitação.»
Este uso tem registos vários no Corpus do Português, de Mark Davies. Deixamos alguns exemplos:
(3) «E foi Natalino que se voltou primeiro, como a abrir caminho para Ana Dulce. Já a Zulmira havia tornado à varanda.» (Josué Montello, A Noite sobre Alcântara. 1978)
(4) «Laurindo meteu o envelope no bolso, confirmando que a mãe tinha mesmo uma letra linda. Já a letra dele, além de não ser linda era muito difícil de ler […]» (Dinah Silveira de Queiroz, A Muralha. 1954)
(5) «O líder da JS, Sérgio Sousa Pinto, autor da proposta, discorda frontalmente da realização do referendo. Com o argumento de que «uma questão que deve ser resolvida entre a mulher e a sua consciência» não deve ser interposta pela «legitimidade democrática». Já Francisco Assis considera que o compromisso assumido caducou, uma vez que a proposta a apresentar em Dezembro não é rigorosamente a mesma […]» (Jornal Expresso, “Apesar das promessas do 1º-ministro”, 01-11- 97)
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