A conjunção causal e a explicativa - Ciberdúvidas da Língua Portuguesa
Este é um serviço gracioso e sem fins comerciais, de esclarecimento, informação e debate sobre a língua portuguesa, o idioma oficial de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Sem outros apoios senão a generosidade dos seus consulentes, ajude-nos a dar-lhe continuidade: Pela viabilização do Ciberdúvidas. Os nossos agradecimentos antecipados.
A conjunção causal e a explicativa

Como podemos distinguir a conjunção causal da explicativa? Quais as diferenças? Existem regras?

Iolanda Soares Lima Professora Brasília, Brasil 52K

1. Em primeiro lugar, há a considerar que a conjunção causal é uma conjunção de subordinação, e que a conjunção explicativa é uma conjunção de coordenação. Esta nota é importante porque a diferença inquirida não está exclusivamente na conjunção, mas no tipo de conexão dos elementos da frase, que a conjunção explicita.

2. As principais diferenças entre coordenação e subordinação são as seguintes:

(i) a coordenação consiste na combinação de constituintes que desempenham as mesmas funções na frase; no caso da subordinação, a oração subordinada desempenha sempre, em relação à subordinante, uma função sintá{#c|}tica (sujeito, complemento dire{#c|}to, modificador...);
(ii) enquanto na subordinação só orações se combinam, na coordenação combinam-se orações e vários outros tipos de constituintes (grupos nominais, preposicionais...).

De notar que estas são diferenças de natureza sintá{#c|}tica ou formal, não são diferenças semânticas.

3. Porém, as classificações causal e explicativa são justamente de ordem semântica e interpretativa. Cunha e Cintra (1984)1 incluem as conjunções porque, pois, porquanto, que no conjunto das conjunções coordenativas explicativas (p. 577), com a descrição «ligam duas orações, a segunda das quais justifica a ideia contida na primeira»; as mesmas conjunções são classificadas como subordinativas causais (p. 581) e diz-se delas que «iniciam uma oração subordinada denotadora de causa».

4. Considerando o que se diz em Mateus et al. (2003, p. 559)2, podemos apontar um aspecto distintivo formal, pelo menos: porque é causal se puder co-ocorrer com outra conjunção:

a) «O bolo não subiu porque puseste pouco fermento e porque não deixaste aquecer bem o forno.»
b) «Vamos embora, porque aqui não resolvemos nada.»

1 CUNHA, Celso; CINTRA 1984 – Nova Gramática do Português Contemporâneo, Lisboa, Edições Sá da Costa.

2 MATEUS, M. H. M. et al. 2003 – Gramática da Língua Portuguesa, Lisboa, Caminho.


Ana Martins