DÚVIDAS

«Trabalhar em relé»
Em primeiro lugar gostaria de agradecer pelo trabalho que têm vindo a desenvolver nesta página, é de louvar a precisão, a coerência, o conhecimento e empenho que os implicados dedicam às respostas de todos os falantes com dúvidas, como eu. Há algum tempo que me debato com a dúvida no momento de traduzir a expressão espanhola «hacer/coger el relé», supostamente esta expressão vem do francês relais e utiliza-se muito no mundo da interpretação de cabine. Quer dizer que um intérprete traduz da língua em que é dada a conferência (imaginemos que é o inglês) para o espanhol (por exemplo) e os intérpretes das outras línguas apoiam-se na tradução desta cabine e «cogen el relé» para traduzir às suas respectivas línguas de chegada (no meu caso o português). Já consultei imensos dicionários e não consigo chegar a nenhuma conclusão. Seria possível sugerirem-me alguma expressão/palavra portuguesa que traduza esta situação? Muito obrigada pela ajuda.
Acerca do pronome relativo que precedido de preposição
Desejava saber se sempre o relativo que precedido de preposição não leva artigo ou há casos em que sim o leva e como posso explicar esse uso. Tinha ouvido categorizar no sentido de que o pronome relativo que não se empregava com artigo se precedido de preposição. Ontem mesmo lia em Boa Tarde às Coisas Aqui em Baixo, do Lobo Antunes: «A pedir-lhe que não Marina, repare no que escrevo e o director a segurar-me o braço.» «Pensei no criado do vizinho, no que ajudava no mercado.» Obrigada.
O uso do se junto a verbos no infinitivo e no gerúndio
Recentemente, deparei-me com um tópico envolvendo a escrita no nosso idioma que acabou por me gerar duas dúvidas próximas entre si, por isso tomo a liberdade de apresentá-las em conjunto ao Ciberdúvidas. Trata-se do uso do se junto a verbos no infinitivo e no gerúndio (excluindo da discussão verbos pronominais/reflexivos, que sem dúvida exigiriam o se). Fui informado que em diversos casos envolvendo o infinitivo impessoal, já carregando ele impessoalidade e valor passivo, será dispensável o uso do se tanto como índice de indeterminação do sujeito quanto como pronome apassivador. Cito alguns exemplos: «Fazer o bem é importante» (e não «Fazer-se o bem»), «Osso duro de roer» (e não «duro de roer-se»), «Hora de chamar a polícia» (e não «de chamar-se a polícia»). Gostaria de perguntar se, em casos como esses, o uso do se é meramente dispensável ou, mais do que isso, é proibido. Se meu entendimento (leigo) não é falho, suponho que a presença do se simplesmente assinalaria a voz passiva ou o índice de indeterminação do sujeito (conforme o caso), daí a dúvida quanto a uma estrita proibição de seu uso em decorrência do infinitivo impessoal. No entanto, o assunto trouxe-me outra dúvida, para mim mais difícil ainda de resolver. A linha de pensamento exposta acima, se correta, aplicar-se-ia ao gerúndio também? Dizendo de outro modo, o gerúndio pode tornar o índice de indeterminação do sujeito e o pronome apassivador se igualmente dispensáveis? Apresento alguns casos a seguir e sobre eles gostaria de perguntar se o se é necessário, facultativo ou, até mesmo, proibido. 1) «Levando-se em conta a crise, bom seria aumentar a poupança.» 2) «A obra desses poetas, considerando-se o pouco que viveram, é vastíssima.» 3) «Pensando-se em casos como o dele, não pode haver dúvidas quanto ao perigo de fumar.» 4) «Vivendo-se, daí vem a paciência.» Muito obrigado. Parabéns pelo site!
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