Objeto direto preposicionado: «...mede o litoral como à criança»
Respeitosa turma do Ciberdúvidas, como vão? Antes de qualquer coisa, é preciso agradecer muito muito muito pelo trabalho de vocês. Vocês não podem imaginar a quantidade de vezes em que salvam minhas dúvidas e me ajudam a seguir em frente no ofício da escrita. Me impressiona quando me vejo lendo artigos e respostas que vão de 1996 a 2024. É coisa linda mesmo. Vida longa!
Dito isso, queria tirar uma dúvida que sempre me pega. E que me surgiu numa passagem específica de algo que estou escrevendo. A saber: «...mede o litoral como à criança no batente da porta.» A ideia aqui é uma comparação: a pessoa em questão mede o litoral como mediria a altura de uma criança no batente de uma porta. Antes, a passagem não tinha crase: «...mede o litoral como a criança no batente da porta.» Entendo que ela estaria correta, seria uma comparação direta: mede o litoral como [mede] uma criança no batente.
Agora, revisando, me pareceu mais interessante o uso da crase. Além de esteticamente mais intrigante, acho que ajudaria a não confundir a leitura. Sem ela, a pessoa pode entender que se mede o litoral como uma criança o mediria no batente da porta. Essa crase está correta, não?
Por vezes, quando vamos dançando com os verbos, eles parecem aceitar uma regência indireta que normalmente não aceitam. Poderiam elucidar a questão? Além de entender se a crase faz sentido, gostaria de entender se estou doidão ou se essa variação de regência existe mesmo.
Desde já, muito obrigado! Abraços!
«Antigamente costumava jogar ténis» e «Antigamente jogava ténis»
É certo de utilizar a composição de verbo (costumar em imperfeito + infinitivo) em vez de (verbo próprio em imperfeito), quando falamos de ações de passado? Isso dá o mesmo significado?
Por exemplo: «Antigamente costumava jogar ténis» em vez de «Antigamente jogava ténis».
Obrigado.
A pronúncia de saudável
Em saúde, o u não faz parte da mesma sílaba do que o sa, mas faz, sim em saudável. Por quais motivos?
Muitíssimo obrigado.
A expressão «fazer a cama de lavado»
Diz-se «fazer a cama de lavado» ou «lavar os lençóis»?
Regionalismos do Algarve
A peça de teatro Náufragos, de Fernanda de Castro (1900-1994), apresenta várias marcas do falar algarvio. Importa referir que toda a ação se desenrola em ambiente de pescadores. Assim, em contexto, solicita-se algum apoio no esclarecimento das expressões:
1. Emposta (será imposta/impostora?) – «Desde a Senhora da Encarnação que não me vê com bons olhos. Tudo por via do Amândio. Quando reparou nele a bailar comigo, pôs-se logo numa fúria, e vá de me tratar de falsa, de vadia e de emposta, defronte de toda a gente...»
2. Nágnas e Charlocas (náguas/anáguas e chalocas ?!) – Aquilo é que é uma bruteza. Ele são saias de pano fino, ele, charlocas bordadas, ele, nágnas de folhos, ele, corpos de chita…
3. Abiscámos (será um trocadilho popular com a ideia do isco) – Vou à do Bento… Andamos a concertar um negócio de sardinhas com os da fábrica… Já lhe abiscámos uma bruteza de encomendas. (à Rita) Anda daí Rita… Disse à Maria Rosa que te levava…
4. Brasalisco (será relacionado com inquietude?) – «Se desde mocinha me metes pena. Não te lembras? Quanto a gentinha caçoava dos trapos que te prantavam em riba, eu punha-te às cavalas, e fugia, fugia às carreiras até te fazer rir. Que chuvenisco tu eras, ó Mariana! Mesmo, mesmo um brasalisco.»
Pode, porventura, existir algum destes vocábulos mal escritos, uma vez que se retirou diretamente do manuscrito.
Os anglicismos biohack e biohacking
Qual pode ser a tradução para português dos termos ingleses biohacking ou biohack?
Desde já, obrigado.
Etimologia de autor e de auto-
O elemento autor-, das palavras autorização, autoridade e autoritarismo tem a mesma origem (etimologia) do que auto-, prefixo de termos como automóvel, autodidática e autocontrole?
As formas autor- e auto- são cognatos na realidade?
Muitíssimo obrigado!
O uso de «por quê» (Brasil)
Na frase «Não sei por quê nem como aquilo ocorreu», qual a justificativa para o porquê estar separado e com acento na frase acima já que não vem imediatamente antes de um sinal de pontuação, final de frase ou isolado?
Obrigado.
A pronúncia de superfície
Sou francesa e ando a estudar português.
Não sei bem como pronunciar a terminação "ie" em palavras como superfície, calvície, cárie, lingerie.
É a mesma pronúncia que a terminação "i" nas palavras aqui, javali, táxi, álibi?
Devemos ouvir um pouco a letra e? Ou a pronúncia do i em ie é mais longa por causa do e final?
Ou a pronúncia do i e do e em ie são diferentes se o i for tónico ou átono?
Muito obrigada pela sua resposta e disponibilidade.
Orações relativas: «... na qual me lembro de que pensava»
É correto dizer «coisa na qual me lembro de que pensava»?
E é errado «coisa em que me lembro de que pensava»? Trata-se de um erro sintático ou eufónico?
E quanto a «coisa na qual me lembro que pensava?» É correta?
Muitíssimo obrigado.
