DÚVIDAS

O uso do acento grave na pronúncia figurada
Tenho dúvidas num assunto do Dicionário Priberam. Vou mostrar a seguinte definição: «objecção | s. f. ob·jec·ção |èç| substantivo feminino 1. Argumento com que se replica ou se impugna. 2. Dúvida. 3. Dificuldade. • Grafia alterada pelo Acordo Ortográfico de 1990: objeção. • Grafia no Brasil: objeção.» Ora, a transcrição fonética de "OBJECÇÃO" no Dicionário Infopédia, por exemplo, é: ɔbʒɛˈsɐ̃w̃. No Dicionário Priberam, que demonstra qual é a pronúncia que deve ser efectuada para cada vocábulo sem exibir uma transcrição fonética completa, mas observando em detalhe a parte do vocábulo que, quiçá, poderá manifestar maior dúvida no falante, a nota que observamos para "OBJECÇÃO" é a seguinte: |èç|. A minha interrogação é se este "è" de |èç| está ou não correcto, se deveria ser um "é" ("E" com acento agudo e não grave, como se vê em "DILECTO" (|ét|)) visto que a transcrição fonética do "E" só pode ser manifesta com os seguintes exemplos: [e] (dedo), [ɛ] (fé), [ɨ] (metal) e [ẽ] (vento). Podeis explicar-me em que transcrições fonéticas [...] o Dicionário Priberam se base[ou] para dizer que o "JECÇ" de "OBJECÇÃO" deve ter esta fonética |èç|? É que o mesmo acontece com "ABJECÇÃO" (|èç|) e "EFECTUAR" (|èt|) e "PROJECTAR" (|èt|) e outros vocábulos similares, mas "PROJECTO" (|ét|) e "CORRECTO" (|ét|) já se encontram da forma a que estou acostumado, com "é" com acento agudo. Auxiliai-me nisto, por favor. Muito obrigado pela vossa atenção.
As regências de caminho e guia
[...] [E]m muitos dos [livros de Geshe Kelsang Gyatso traduzidos por certa editora brasileira] encontramos a expressão «caminho à iluminação» (ex. «O caminho à iluminação é um dos objetivos dos ensinamentos de buda.») ou, no caso de um dos títulos, encontramos Novo Guia à Terra Dakini. Tanto num caso como no outro, parece-me que a preposição correta a utilizar seria para, ou seja «caminho para a iluminação» e Novo Guia para a Terra Dakini. Gostaria de conhecer a vossa posição. Obrigado.
Reticências para sugerir uma palavra
[Sobre] «tá quente pra c...» «Tem estado "um calor e ananases", como diria Fradique Mendes, pela pena de Eça de Queirós. Por estes dias, podem usar-se outras frases castiças caídas em desuso como “está de rachar” ou “derrete os untos!” Denise e Raimundo, brasileiros de Santa Catarina, chegaram esta semana a Lisboa. Pouco dados à leitura de Eça, escolheram tiradas como “tá quente pra caracá” e “tá quente pra dedéu!”, para terminarem com um estrondoso “tá quente pra c…!” […] Victor Bandarra, "Calores Luso-brasileiros", Correio da Manhã / Revista Domingo, 26.8.2018, p. 25 Todos sabemos de antemão com o que  «c...» está conotado. Que nome se dá a esta arte de abreviar palavras com reticências? Obrigado.
Adjetivos prefixados com inter-
Gostaria de saber se substantivos combinados com o prefixo inter- e que servem como adjetivo ficam sempre no plural. Por exemplo: «transação intercompanhia» ou «transação intercompanhias»? «Serviço intercidade» ou «serviço intercidades»? «Reconciliação interempresa» ou «reconciliação interempresas»? «Descanso interjornada» ou descanso «interjornadas»? Muito obrigada.
Enamorar-se: norma e evolução de uso
Venho parabentear-vos por este vosso esforço em prol da língua portuguesa e, ao mesmo tempo, questionar-vos sobre uma particularidade da regência de enamorar. Na pergunta «A regência de enamorar-se», [...] vós respondestes que «A regência correcta de enamorar-se é com a preposição de.» No entanto, pesquisei na Internet e encontrei vários sítios que regem enamorar-se com a preposição por, tal como a regência de apaixonar-se. Serão erros desses mesmos sítios ou a regência de enamorar-se está a mudar e está a começar a aceitar essas duas possibilidades? Pergunto isto porque tive um professor de linguística na faculdade que me dizia que o idioma não é feito pelas convenções, mas sim pelos falantes do mesmo. Desde já, muito obrigado pelo vosso auxílio.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa