DÚVIDAS

O uso da vírgula antes da preposição para
Algumas vezes encontro uma vírgula, em certos casos, sendo empregada antes da preposição para. Nestes casos, o emprego da vírgula não se relaciona com um par deste mesmo sinal ortográfico, constituindo algum tipo de intercalação ou comentário adicional; clarificarei adiante. A minha dúvida é a seguinte: a preposição para, exceto nos casos de intercalação e similares (e.g. «o edifício, para João, era muito alto»), não deixa de fazer sentido sintático/lógico quando é interrompida (precedida), antes, por uma só vírgula? Exemplo: «João viajou para Lisboa» vs. «João viajou, para Lisboa». Acredito ter visto exemplos assim em obras famosas. O emprego da vírgula, neste meu exemplo, é facultativo ou sintaticamente errado? Agradeço grandemente de antemão o tempo, o espaço providenciado e os esclarecimentos!
«Tal como» e «tais como»
Certa vez andei a traduzir páginas de ajuda dum navegador da Web, e recentemente a página que tinha traduzido foi revista, e uma das alterações foi a seguinte: «Os cookies são armazenados no seu computador por websites que visita e contêm informação tal como as preferências do site ou o estado de início de sessão.» [Esta frase foi] [a]lterada para: «Os cookies são guardados no seu computador pelos websites que visita e contêm informação, tais como as preferências do site ou o estado da sessão.» Reconheço perfeitamente que «estado de início de sessão» foi bem corrigido para «estado da sessão» e também que «pelos websites» soa melhor do que «por websites». No entanto, a minha dúvida (na verdade mais uma, mas menor) é a seguinte: a expressão «tal como» foi corrigida para «tais como» e antecedida de vírgula. Ora, a minha intuição linguística diz-me que deve ser «tal como» (no singular), pois «tal» deve concordar com «informação», e não com «preferências». Qual é a concordância que está correcta? Além disso, a vírgula antes é necessária ou dispensável? Altera o sentido como na diferença entre orações relativas restritivas e explicativas? Desde já vos agradeço a atenção e a resposta.
Correlação pretérito perfeito e futuro do presente
Por vezes vejo a correlação temporal pretérito perfeito + futuro do presente do indicativo principalmente no português do Brasil.Ex: «Eles endossaram as medidas que nós tomaremos» Porém quando procuro listas de correlação encontro pretérito perfeito + futuro do pretérito Ex: «Eles endossaram as medidas que nós tomaríamos.» É correta a primeira correlação ou é preferível fazer a correlação temporal presente do indicativo + futuro do presente" caso eu queira construir uma sentença que atenda as normas gramaticais? Ex: «Eles endossam as medidas que nós tomaremos.» Obrigado.
«Em que» numa oração relativa
Gostaria muito de saber a função ou classificação da locução «em que» retirado de um versículo bíblico: «Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós , sendo nós ainda pecadores.» (Romanos 5:8)1    1. N.E.: Versículo retirado de uma versão em linha da Bíblia Almeida Corrigida Fiel, a qual, por sua vez, se baseia na tradução do Novo Testamento por João Ferreira de Almeida (1628-1691), sacerdote português convertido ao protestantismo. À frase bíblica em causa deu-lhe o referido autor a seguinte formulação (mantém-se a grafia seiscentista): «Mas Deus encarece sua charidade pera com nosco, que Christo morreo por nós, sendo nós ainda pecadores.» No exemplo apresentado na questão, escreve-se corretamente conosco, forma normativa brasileira que, no português de Portugal, corresponde à grafia connosco,
Expressão adjetival intercalada numa oração relativa
Gostava de uma explicação acerca da utilização da palavra que. Surgiu o problema ao deparar-me com a letra de uma música sacra e pareceu-me que algo não está bem. Perguntei a outros colegas e eles dizem-me que gramaticalmente está correcto. A frase em questão é: «Fortalecei-nos com a protecção que, maternal do vosso coração, nas incertezas sempre nos conduz.» Pessoalmente faria uma alteração da palavra que para depois do conteúdo entre as duas virgulas. Ficaria assim: «Fortalecei-nos com a protecção, maternal do vosso coração, que nas incertezas sempre nos conduz.» No entanto gostava de saber "quid est veritas?" (o que é a verdade?), porque embora me pareça auditivamente mais "lógico", poderá não o ser. Grato pela atenção
«Amigas e amigos» e «amigos e amigas»
A necessidade de introduzir na escrita a igualdade de género, exige a meu ver, que terminemos com o masculino "universal". A propósito de um texto que escrevi e publiquei e que agora estou a rever, surge-me a seguinte dúvida: Escrevi no texto da 1.ª edição «amigas e amigos, senhoras e senhores», repetindo-se ao longo do conto, por mais duas vezes a referência «amigas e amigos» e «Companheiras e companheiros». Coloquei em primeiro lugar a palavra no feminino, optando por colocar em 2.º lugar o masculino. Deveria ter procedido de forma inversa (primeiro o masculino e depois o feminino), ou alternar (umas vezes em primeiro a palavra no feminino e outras no masculino)? Gostaria de conhecer o vosso parecer.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa