DÚVIDAS

Polémicos rendível/rentável (1)
Volto à questão rendível/rentável, pois parece-me que J.N.H não compreendeu totalmente a minha ideia. Eu também acho que as regras dão beleza. O que acontece é que rendível vai contra a regra. A regra é que o que é "ível" indica a capacidade de ser "ido"... O povo foge da palavra rendível porque ela cria a uma pessoa normal um conflito conceptual: aí é que está o problema que os linguistas não querem ver. Claro que convencionalmente podemos aceitar tudo mas então caímos na arbitrariedade. Sempre haverá aspectos ilógicos e arbitrariedades numa língua. O problema é que não se está a deixar o povo corrigir de uma maneira sensata um problema existente. Sabemos perfeitamente que há palavras derivadas que perderam a raiz ou que foram importadas. Isto acontece no Português mas muito mais no Inglês. Outras vezes a palavra tem aspecto de derivada mas a raiz não existe. Se não queremos aceitar a palavra rentável de rentar, podemo-la ver sozinha coincidente com a derivada do verbo rentar. O caso de rendível é diferente: aqui há um conflito conceptual. As pessoas evitam essa palavra porque lhes soa mal, não por ignorância ou falta de formação mas por causa do poder conflitivo da palavra. O conflito consiste em que a palavra sugere poderosamente a capacidade de ser rendido mas significa por vezes a capacidade de render. Por exemplo, procurável indica a capacidade de ser procurado e procurador a capacidade (ou o facto) de procurar. Já imaginou se estas duas palavras tivessem a mesma forma? Não era isso empobrecedor e conflituoso? Quantas mais palavras em português têm o significado de capacidade de ser "feito" ao mesmo tempo que capacidade de "fazer"... De qualquer maneira, muito agradeço os comentários feitos no Ciberdúvidas e parabéns pela iniciativa.
A interface ou o interface?
Sou utilizador habitual de computadores e uma das (muitas) dúvidas que me ponho é uma tão simples como isto: deve-se dizer "o" interface ou "a" interface, e quais os vossos comentários à utilização da própria palavra "interface". P.S. - Quanto às bichas... parece-me que se esqueceram de um pequeno detalhe, no Brasil (e também por cá) bicha é o homossexual efeminado, daí também a utilização da fila. E parabéns pela página, esperando que consigam levar o projecto em frente.
O "mas" no princípio de frases
Regresso ao tema do "mas" (conjunção adversativa e não advérbio, como lhe chamei...), para citar um ou dois exemplos ao acaso, colhidos em escritores portugueses que usam aquela conjunção no início de frases: Vergílio Ferreira, Conta-corrente 5, págs.253 e 255: "Mas mesmo obras de cultura geral, de ideias a aprofundar, a complicar." (pág. 253) ou (pág. 255)"Mas já não sei quem do júri declarou que não queria...etc.". Este volume está cheio de exemplos - praticamente em todas as páginas - do uso de "mas" no início de uma frase, a seguir a um ponto final. Em lugar de "mas" poderia usar-se "Porém", "Todavia", "Contudo", mas o certo é que não entendo por que razão há quem diga que não fica "bonito" usar o "mas"... Outro exemplo: José Saramago "Levantado do chão", pág. 11: "E também vermelho, em lugares, que é cor de barro ou sangue sangrado. Mas isso depende do que no chão se plantou e cultiva, etc." Obrigado desde já pelos vossos comentários.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa