DÚVIDAS

Ambiguidade na frase «odeio algumas pessoas, como tu, racistas.»
Gostaria de saber se a vírgula é sempre obrigatória nos casos em que se pretende subentender o verbo, ou se, quando o resultado é dúbio, se pode prescindir dela. Por exemplo: «Odeio algumas pessoas, como tu, racistas.» O que se quer dizer é que X odeia algumas pessoas da mesma forma que Y odeia racistas. Mas, com a vírgula a subentender o verbo «odiar» não poderá a frase passar a ideia de que X odeia algumas pessoas, como por exemplo a pessoa Y e racistas? Poderia ser correcto, neste caso, grafar a frase assim: «Odeio algumas pessoas, como tu racistas»? Obrigado.   O consulente escreve de de acordo com a norma ortográfica de 1945.
A expressão «erro de simpatia»
A expressão «erro de simpatia» voltou a ouvir-se sobre o caso à volta do currículo do Procurador Europeu José Guerra, cuja categoria profissional erradamente atribuída a ministra da Justiça Francisca van Dunem considerou ser «um erro de simpatia». Ou seja, que julgo ser esse o sentido da expressão, que é desculpável e, portanto, não penalizável. A minha dúvida é porém esta: qual a origem concreta da expressão «erro de simpatia»? Os meus agradecimentos.
Mimizento e afromimizento
Gostaria de saber o significado da palavra "afromimizento" , usada por Sergio Camargo, presidente da Fundação Cultural Palmares: «Mutilação politicamente correta de obra literária, promovida por quem deveria defender o legado do bisavô. É crime! Nenhum preto pediu! Não vemos racismo na obra de Monteiro Lobato! Exceto afromimizentos, ínfima minoria, pretos odeiam a ridícula tutela da branquitude marxista!»
Concordância verbal com «cidade após cidade»
Gostaria de saber se, em frases como as a seguir exemplificadas, o verbo deve ser conjugado no plural ou no singular: À medida que cidade após cidade iam caindo... / À medida que cidade após cidade ia caindo... Geração após geração de professores acreditavam que... / Geração após geração de professores acreditava que... Estudo após estudo demonstrou que... / Estudo após estudo demonstraram que... Vieram geração após geração de... / Veio geração após geração de... Obrigado.
A locução adverbial «por exemplo»
Antes de mais, como utilizadora frequente do Ciberdúvidas, gostaria de agradecer pelo serviço que prestam. Na resposta a uma pergunta relacionada com a expressão "por exemplo" (https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/por-exemplo/10225), vi que esta é descrita como uma locução adverbial. Gostaria, no entanto, de saber se não pode ser igualmente descrita como locução prepositiva, na senda da designação usada no Dicionário Terminológico (http://dt.dge.mec.pt/). Agradeço, desde já, a atenção que possam dispensar a esta questão.
O regionalismo ressolho/rossolho (Aveiro)
Uma amiga minha da zona de Aveiro falou-me da existência do termo "ressolho" ou "rossolho" aplicado no sentido de «estar-se mal vestido, mal arranjado». Contudo, apenas conheço os vocábulos ressolho, com sentido de «redemoinho produzido nos pegos dos rios, quando há cheia», e de ressolhar, no sentido de «sentir-se (o cavalo) incomodado com os efeitos do sol forte». Como se explica, então, o uso oral do termo que apresentei no início? Muito obrigada!
O hífen e bebé como elemento de composição
Como bem se sabe, o género do nome bebé não está marcado morfologicamente, mas sim sintaticamente através do uso, por exemplo do artigo definido («o bebé»/«a bebé»). Não obstante, casos há em que não é possível recorrer a essa diferenciação através de um determinante, pelo que é habitual, ainda que também sintaticamente, estabelecer a diferença de género com o recurso à justaposição dos nomes menino ou menina (p. ex.: «Vende-se roupa de "bebé menina”»). Ainda que seja infrequente encontrar tal composição hifenizada, não estaríamos perante um caso de uma palavra composta através da justaposição de dois elementos de natureza nominal que, além de manterem o seu próprio acento, formam também uma unidade sintagmática e semântica (à semelhança da já lexicografada bebé-proveta), pelo que deveria ser grafada com hífen (p. ex. “bebé-menina”/“bebé-menino”)? Agradeço, desde já, a vossa resposta e atenção!
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa