Condicionais contrafactuais: tempos simples e tempos compostos
Desconsiderando a substituição do futuro do pretérito simples do indicativo pelo pretérito imperfeito do indicativo em condicionais, que os lusofalantes fazem, gostaria de saber a diferença de significação entre:
(1) «Se ele não tivesse roubado isso, nós teríamos fugido.»
(2) «Se ele não roubasse isso, nós fugiríamos.»
Não consigo identificar a distinção de condicional contrafatual quando formada pelo (1) pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo + futuro do pretérito composto do indicativo e pelo (2) pretérito imperfeito do subjuntivo + futuro do pretérito simples do indicativo. E ainda, não sei se é possível combinar as formas supracitadas e quais seriam os novos significados, como em:
(3) «Se ele não tivesse roubado isso, nós ganharíamos»;
(4) «Se ele não roubasse isso, nós teríamos ganhado».
Obrigado pela atenção.
Os advérbios de tempo associados ao auxiliar vir
no pretérito perfeito composto do indicativo
no pretérito perfeito composto do indicativo
Que advérbios de tempo é que podem ser usados com a perífrase «ter vindo a» mais infinitivo? Os que indicam tempo passado ou presente?
Pode usar-se atualmente com a mesma locução, como em: «Atualmente tem vindo a dar-se esse fenómeno»? Pode essa perífrase denotar o mesmo que um verbo finito acompanhado da preposição a seguida dum infinitivo, sendo equivalente a «Atualmente está a dar-se esse fenómeno»?
Obrigado
O advérbio mó no português do Brasil
Donde surgiu "mó": de mor (maior) ou muito? Por exemplo, «ela é mó linda».
Li em algum sítio de português que isso veio de muito, mas eu discordo.
É normal ouvir também «ele é o maior babaca», então me parece que vem de maior, e não de muito, como dizem alguns.
Acarretar e acartar
A palavra acarta está errada na seguinte frase? Deveria ser acarreta?
«Escrevo-lhe sobre um tema que tem estado em agenda e que necessita de clarificação e algumas elucidações, na vertente das repercussões que o mesmo acarta para a privacidade de cada um de nós.»
Obrigada!
O uso do adjetivo elegível
Gostava de saber se o adjectivo elegível tem o significado de «qualificado». Por exemplo: «os trabalhadores elegíveis podem receber um subsídio de 100 euros.»
Perguntei a vários portugueses e eles responderam que sim, equivalente à expressão «que reúnam os requisitos». Contudo, não consegui encontrar este significado («qualificado») nos dicionários portugueses.
Obrigado.
A frase bíblica «Eu sou o pão vivo, que desci do céu»
A frase «eu sou o pão vivo, que desci do céu» [João 6, 51] soa-me sempre mal, mas fico na dúvida se em português é possível fazer esta construção ou se, pelo contrário, seria obrigatório que o verbo da oração relativa ficasse na terceira pessoa, concordando com o antecedente do relativo – «o pão vivo».
Fico com a ideia de que em latim, por exemplo, esta frase não resultaria problemática porque o que declinado indicaria a sua relação com o eu da oração subordinante, equivalendo a «eu, que desci do céu, sou o pão vivo», sendo então esta a única formulação em português que se poderia aceitar como correcta, obrigando a que o relativo esteja mesmo sempre a seguir ao seu antecedente.
É assim?
N. E. (07/04/2020) – Manteve-se a forma correcta, que é da norma anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.
O conjuntivo na oração relativa «uma pessoa com quem possas partilhar o tempo»
Gostava de saber se a construção «Um bom amigo deve ser uma pessoa com que puderes partilhar o tempo e passá-lo bem» é correta e se poderia ser igualmente válida com presente de conjuntivo («com a que possas partilhar o tempo»)
E qual seria a explicação da razão de usar uma ou outra?
Obrigadíssima e parabéns pelo trabalho.
«Fazer dinheiro», «fazer erros», «fazer música» e «fazer passeio»
Alfredo Gomes, Júlio Nogueira, Luiz A. P. Victoria, entre outros gramáticos, consideram as seguintes expressões como galicismos sintáticos:«fazer dinheiro» (no sentido de «realizar, de conseguir dinheiro»); «fazer erros»(por «cometer erros»); «fazer música» ( por «compor música») ;«fazer passeio» (por passear ou «empreender um passeio»).
Gostaria de sabe se essas expressões já são aprovadas pela gramática normativa, já que são usadas com frequência, inclusive por grandes escritores contemporâneos.
Grato pela resposta.
«Face a» e «frente a»
Vejo com frequência as locuções «face a» e «frente a» em textos da mídia e até em textos acadêmicos , inclusive de alunos de letras.
Sei também que [Celso] Luft, no Dicionário de Regência Nominal abona essa expressão assim como «frente a».
Gostaria de saber se o uso de «face a» e «frente a» já está liberado em textos formais?
Grato pela resposta e parabéns pelo belo serviço de vocês.
Os advérbios nunca e jamais
Como sabemos, os advérbios 'nunca' e 'jamais' pertencem, agora, aos advérbios de tempo. Será que podemos dar como exemplos de frases com polaridade negativa aquelas que incluem estes dois advérbios? Como explicar aos alunos que é uma frase com polaridade negativa, se não está presente um advérbio de negação? Não vejo, nos projetos editoriais, esta questão muito clara! Muito obrigada.
