DÚVIDAS

Aonde/onde quer que…
Chamo-me Cláudia, sou brasileira, mas estou a aprender a variante europeia do português porque tenho de ensiná-la para estudantes italianos. Esta semana, enquanto fazíamos uma pequena revisão sobre o uso do presente e do futuro do conjuntivo, surgiu uma dúvida. Na seguinte frase: Aonde quer que eu ____ (ir), encontra-o sempre. Alguns alunos usaram o conjuntivo presente, outros o conjuntivo futuro. Eu, particularmente, diria que o certo é “Aonde quer que vá, encontra-o sempre”, pois soaria estranho o uso do conjuntivo futuro. Estou a procurar em algumas gramáticas que tenho em casa, como, por exemplo, a do Celso Cunha & Lindley Cintra, mas não consegui obter nenhum esclarecimento. De qualquer forma, no método utilizado pela faculdade de línguas onde ensino, que é o “Português sem fronteiras”, há uma explicação que diz que o uso desta estrutura, ou seja, “aonde quer que .....”, pede o conjuntivo presente. Eu havia pensado que se, talvez, no segundo período houvesse um verbo no imperativo, poderíamos usar o conjuntivo futuro, o que vocês acham? Vocês poderiam ajudar-me?
A pronúncia de vereador e de vereação
A minha dúvida é acerca da pronúncia padrão (de Portugal) das palavras "vereador", "vereação" e "verear", sobretudo no que diz respeito à sílaba inicial, motivada pelo texto "Os erros de Marcelo" de Maria Regina Rocha, no Pelourinho, onde se diz que a sílaba inicial dessas palavras tem um som aberto. Já tive sotaque brasileiro e, como tal, já pronunciei (ou poderia ter pronunciado) essas palavras com "e" aberto. No entanto, hoje ninguém suspeitaria desse meu anterior sotaque e não há qualquer possibilidade de eu pronunciar essas palavras à brasileira.
«Fiz-lhe fazer a lição»
Li num livro antigo da biblioteca que os verbos causativos e de sensação podem opcionalmente ser usados com pronomes indiretos quando o verbo seguinte tem objeto direto: «Fiz-lhe fazer a lição» a par de «fi-lo fazer a lição»; «vi-lhe cantar um tango» a par de «vi-o cantar um tango», mas simplesmente «vi-o cantar», porque aqui cantar não tem objeto. Nunca tinha ouvido falar nisso, mas gostei de saber da existência dessa alternativa. Gostaria que os senhores fizessem algum comentário ou retificação a respeito do que lhes expus e que falassem da freqüência, se é que existe, dessa construção na língua contemporânea. Muito obrigado mais uma vez.
A abreviatura de retórica
Em José Pedro Machado, "Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa", Livros Horizonte, 4.ª ed., Lisboa, 1987, III vol., p.172, na entrada "Grande", observa-se "«... de idade avançada; ret., o estilo sublime, estilo de grandes proporções, imponente»". Nas Abreviaturas e Siglas (págs. 11 a 19, do mesmo dicionário), não consta a abreviatura "ret.". Poderá esta ser a abreviatura de retórica? E, então, dizer-se que, em retórica, etimologicamente, "grande" significa «o estilo sublime, estilo de grandes proporções, imponente»?
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