DÚVIDAS

Dever e tempos verbais: «Todos deviam sair»
Tenho uma pergunta quanto ao uso do verbo dever no pretérito perfeito simples. Ele é muito usado? Pergunto porque numa roda de conversa um amigo disse: «Os donos da casa saíram e todos deveram sair também.» Pela lógica, a frase é gramaticalmente correta, mas confesso que soou estranho ouvi-la. Se tivesse ouvido o «ter de» em vez de dever, não teria soado estranho: «Os donos da casa saíram e todos tiveram de sair também.» Talvez seja porque quase não ouço a construção do verbo dever no pretérito perfeito simples. Por isso, pergunto se é muito usado ou não. Agradeço desde já a atenção dispensada.
Hífen e colocação de pronomes átonos
Tenho dúvidas quanto à mais adequada colocação do hífen. Em vez de escrever «Por toda a vida poder amar-te», eu gostaria de saber se poderia escrever: «Por toda a vida poder-te amar», ao que me foi respondido que sim. Entretanto, surgiu-me uma nova dúvida: Nesse último caso, o sentido não ficaria diferente, já que o te, originalmente, refere-se a amar («amar a ti») e não a poder? No Brasil, ele seria escrito «por toda a vida poder te amar», ou seja, em vez de uma ênclise em poder, seria uma próclise em amar. Não sei se, gramaticalmente, essa colocação já seja "pacificamente" aceita como possível, embora seja bastante difundida na prática. Ela pareceu-me mais apropriada já que, ao que me parece, amar-te seria uma oração subordinada substantiva reduzida de infinitivo, em vez de formar uma locução verbal com poder. A mesma dúvida aparece em «tentar servir-te», etc. Mais uma vez, grato pela atenção!
Dativo ético: «coma-lhe e beba-lhe»
Estou lendo O crime do padre Amaro e vi que o Eça às vezes usa expressões como «beba-lhe» e «coma-lhe», assim mesmo, no imperativo. Cito: «E quando as beatas, que lhe eram fiéis, lhe iam falar de escrúpulos de visões, José Miguéis escandalizava-as, rosnando: — Ora histórias, santinha! Peça juízo a Deus! Mais miolo na bola! As exagerações dos jejuns sobretudo irritavam-no: — Coma-lhe e beba-lhe, costumava gritar, coma-lhe e beba-lhe, criatura!» Como explicar esse «lhe»?
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa