DÚVIDAS

Palavras novas
Tenho por hábito inventar palavras novas que, geralmente, não passam do círculo restrito de familiares e amigos, mas espanta-me o uso sistemático (por parte até de figuras públicas, leia-se políticos) de miríades de palavras que não constam dos dicionários, ou que até podem constar mas induzem uma aplicação noutros contextos. Da lista fazem parte verbos muito em voga como "elencar", "compaginar" e "plasmar" ou o mais do que inédito substantivo "implantamento", que ouvi outro dia numa reunião. Serão modismos, erros crassos ou sinal de que a língua portuguesa é uma língua viva, passível de ver o seu léxico engrossado com um ramalhete fértil de palavras novas e úteis? Passado o espanto, é de integrar ou excluir aquilo que muita gente pensa, por soberba ou ignorância, estar a pronunciar correctamente? Para já não falar de certos aportuguesamentos ("clicar" já existe?) e expressões da moda como "sendo que", verdadeira rival dos "portantos" de outrora. Outro aspecto tem a ver com a dificuldade em traduzir/inventar rapidamente palavras novas capazes de serem adoptadas pelo público em geral, para que não tenhamos, por exemplo, de passar uma boa parte da nossa vida a falar de "T-shirts" e a ter de escrever a palavra em itálico ou entre aspas.
A aquisição do som "i"
Desculpem-me, desde já, se o Ciberdúvidas não for o sítio certo para esta pergunta. Embora saiba muito pouco sobre o assunto, sempre me pareceu interessante tentar perceber como se formam os sons no aparelho vocal, na medida em que isso ajuda a entender a evolução da nossa língua. Recentemente, a minha curiosidade foi espevitada pelo facto de o meu filho, de 13 meses, estar a descobrir a "fala" e de me parecer que lhe é difícil articular o som "i", de “li”, “vi”, “ti” ou “ni”. A criança tem alguma facilidade em dizer palavras que me parecem mais complexas (como “orelha”, “pente”, “água”, “põe”, “pão” ou “banana”), mas nota-se que faz um esforço adicional, mesmo a nível físico, quando tenta dizer sons como “li”, “pati”, “atchim”, “pita” ou “menina”. No caso de "li", sai-lhe apenas o som "i" e, nos seguintes, diz "pata", "atcha", "pota" e "menena". No entanto, diz facilmente “mãe”, “pai”, “cai”, “caí” e outras palavras em que o som "i" se segue ao "a", aberto ou fechado. Em resumo: a formação do som "i" no aparelho vocal é mais exigente, em termos físicos, do que a dos restantes sons correspondentes às vogais?
Gaita de foles e gaita-de-foles
Gostaria de saber se o correto é conforme o dicionário, "gaita de foles", ou "gaita-de-fole". Caso seja o primeiro, por que então noutros idiomas próximos, como em Galego, Espanhol, Francês e Italiano, as derivações do Latim "follis" perderam a terminação e no Português teria se mantido? Há quem diga inclusive que "gaita de foles" é uma corruptela moderna, sendo "gaita-de-fole" o tradicional. A dúvida abrange também o uso dos hífens. Obrigado.
Pronomes e determinantes possessivos
Nas frases «São os meus cromos.» e «São os lápis deles.», "meus" e "deles" são determinantes ou pronomes possessivos? E na resposta à pergunta «De quem é o livro? É dela.», a palavra dela é um determinante possessivo ou um pronome possessivo? Na minha opinião, trata-se de um pronome uma vez que está a substituir o nome “livro”. Mas não tenho a certeza absoluta. Parabéns pelo trabalho desenvolvido.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa