DÚVIDAS

O género de perna-vermelha
Perna-vermelha designa o nome de uma ave limícola da família dos maçaricos, com o nome científico Tringa totanus. Os observadores de aves referem-se a esta espécie no masculino: «o perna-vermelha», «um perna-vermelha», havendo também referências bibliográficas antigas (de 1930) que utilizam o género masculino quando se referem a esta espécie. Contudo, em todos os dicionários que consultei, o termo perna-vermelha é registado como sendo um substantivo do género feminino. Penso que esta é uma daquelas situações em que os dicionários registam uma forma, e as pessoas que mais utilizam o termo preferem outro género. Gostaria que me esclarecessem sobre o género correcto da palavra perna-vermelha. A mesma dúvida se aplica à ave perna-verde (a qual, contudo, não encontrei nos dicionários).
Ainda o «Estado-membro»
Voltando à questão, já abordada, de termos como «Estado-membro», grafados com ou sem hífen, um dos consultores do Ciberdúvidas afirma a dada altura, nos seus esclarecimentos: «... é a mesma regra (sem hífen), quando nos referimos a clube membro, empresa associada, sócio gerente, administrador delegado, etc., etc.». No entanto, a minha dúvida tem que ver com a questão daquilo a que, à falta de melhor, chamarei de «simultaneidade» da situação do sujeito. Explico-me: «sócio-gerente» não deverá grafar-se com hífen, precisamente por a pessoa ter a qualidade de ser simultaneamente «sócio» e «gerente» da empresa? A palavra «gerente», pelo que vi no dicionário, tanto pode ser um adjectivo, e, neste caso, sim, estaria apenas a qualificar o sócio (portanto não se justificaria a utilização do hífen), mas pode também ser, ela própria, um substantivo, e, nesse caso, estaremos perante um composto de dois substantivos, onde suponho que se justifica a utilização do hífen (como, por exemplo, em «capitão-tenente»). Será possível darem mais uma pequena achega a este assunto, por favor?
A supressão ou não das consoantes e as regras do hífen, pós-AO
Acho que este acordo suscita muitas dúvidas. Segundo informações que obtive no Telejornal, passaria a ser obrigatório a palavra acto escrever-se "ato", mas, segundo o que está escrito num site, em palavras que contêm duas letras assim, a consoante "muda" seria de dupla grafia. Mas é verdade que passará a ser obrigatório que palavras tipo "corrector" se escrevam "corretor" nos dois países? E também as palavras acentuadas graves perdiam o acento; mas perdem ou não o acento? E como é que ficamos com os hífenes nas palavras tipo: «lavar-me», «comer-te»? Eles desaparecem ou "colam-se"? E também as conjugações do verbo haver? E as palavras compostas por justaposição? Como ficam? Quais as diferenças? Agradecia que me esclarecessem melhor as minhas dúvidas. Obrigado!  
Maiúsculas nos compostos
Se, em trabalhos académicos, ao fazer citações e referências bibliográficas, o hábito português e o Acordo Ortográfico (e não sei se a NP 405) requerem que se iniciem as palavras de sentido pleno do título de uma obra em maiúsculas (deixando em minúscula as não flexionadas — excepto se iniciam título ou subtítulo), o que fazer com o segundo membro de um nome comum composto unido por hífen? Fica em minúscula, por se entender que integra a palavra, dela é parte indissociável, como um "continuum" (isto é, tudo junto é que constitui a palavra significativa) — uma razão semântica? Ou inicia também esta segunda em maiúscula, pois se mantém a consciência da composicionalidade e a imagem dum lexema que continua a ter (noutros contextos) vida autónoma — uma razão gráfica —, tal como o entendemos nos compostos (lexias complexas, segundo certos autores, algumas delas semelhantes a meras colocações...) não unidas por hífen (ou de estrutura mista), como «fogão a gás», «máquina de lavar roupa», «energia nuclear», «escova do limpa-pára-brisas»: «A Decoração da Casa de Banho, da Sala de Jantar e do Salão Nobre do Palácio Real»? Assim, será correcto «Uma Casa à Beira-mar no Século XIX», ou «à Beira-Mar»? «O Caso do Tenente-coronel da 2.ª Companhia», ou «do Tenente-Coronel»? «O Guarda-chuva Colorido», ou «O Guarda-Chuva Colorido»? Tal como "As Pinturas do Salão de Chá"... E quando um dos elementos é um radical que não tem uso autónomo, no português actual? «As Auto-estradas no Período pós-Revolução», «auto-Estradas» — ou é como em «As Vias Rápidas»? «Nem Tudo É Bio-degradável»?; «Incentivar o Micro-Crédito»? «O Dia-a-Dia [dia-a-dia (?)] de um Luso-Descendente?», «dos Afro-americanos» — um maiúscula e outro não? E, já agora, nos derivados, por exemplo, o que fazer com um prefixo? «Notícia das Infra-estruturas no ex-Congo Belga», «das infra-Estruturas», ou «das Infra-Estruturas no Ex-Congo»? «O Pós-Operatório em Oncologia»? «A Tradição do Acordo Pré-nupcial na Cultura Ibérica», «pré-Nupcial», ou «Pré-Nupcial»? Perante tanta variedade, talvez devamos já simplificar — só maiúscula na primeira —, conforme o novo Acordo Ortográfico... Agradeço a vossa resposta, sublinhando que a dúvida é só relativa às regras da escrita de títulos (artigos, partituras, gravuras, filmes, livros), sem que confundamos com o que a tradição chama nomes próprios (sejam antropónimos, topónimos, orónimos...), pois estamos perante convenções gráficas (algo semelhante sobre prefixos e N.P. foi já respondido em http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=2568 e http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=2740).  
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