DÚVIDAS

Discurso directo. A clareza
Gostaria, se fosse possível, que as minhas dúvidas fossem esclarecidas pelo dr. D´Silvas Filho, cuja clareza de raciocínio e de expressão eu admiro profundamente. Tenho algumas dúvidas que têm que ver com o discurso directo. Como devo pontuar as frases seguintes? Exemplo 1: — Que belo carro! — exclamou Pedro. — Gostava que fosse meu. ou — Que belo carro! — exclamou Pedro — Gostava que fosse meu. Exemplo 2: — Queres vir comigo? — perguntou Joana. — Não me demoro. ou — Queres vir comigo? — perguntou Joana — Não me demoro. Estão bem pontuadas as seguintes frases? — Eu não vou — afirmou João. — Estou farto. — Ela dorme — afirmou Tânia —, mas ouve tudo. Muito obrigada!
«Coffee break» e «pausa (para o café)»
Desculpem perguntar, uma vez que este site tira dúvidas em português: se num cartaz ou folheto tiver de escrever "Coffee-Break", qual é a forma mais correcta de o fazer? Numa busca no Google e em inglês, vejo sem hífen. Por ser um estrangeirismo tem de ser sempre em itálico, correcto? É legítimo nestes casos fazer a revisão de acordo com a forma que vejo mais escrita no Google (uma vez que suponho que não apareçam nos nossos dicionários)? Muito obrigada.
Sobre um «lençol de cima» na obra de Saramago
No contexto «Andei o resto do dia fora (...), saí da cidade no carro, levando ao lado a resma de papel, como quem passeia uma nova conquista, daquelas para quem o automóvel é já lençol de cima» (José Saramago, Manual de Pintura e Caligrafia), queria saber se «lençol de cima» é uma expressão idiomática consagrada/habitual, ou se devo considerar o significado sugerido pela associação que o autor faz. Agradeço desde já a sua atenção.
Vírgulas com contudo, porém e «como por exemplo»
Segundo me recordo, pela altura da minha 4.ª classe no Outeiro de São Miguel, na Guarda, ensinava-nos a irmã Gaspar (a nossa professora de Português) que, se bem que existam situações em que as vírgulas devam ser obrigatoriamente utilizadas, elas são utilizadas para acentuar uma pausa, de forma (a) que (por forma que) o leitor ou orador que está a ler o texto tenha a possibilidade de respirar durante a leitura e destacar de forma adequada o sentido das palavras. Alguém me dizia também que as vírgulas podem ser livremente utilizadas, desde que isso faça sentido. Custa-me contudo acreditar que, se bem que certas situações sejam admitidas como certas, elas venham substituir definitivamente as situações que anteriormente estavam legitimamente certas. Acho que é a isso mesmo que se chama evolução (da língua), o que não quer automaticamente dizer que ela siga pelo melhor caminho. A título de exemplo: «, contudo,» «Se desejar contudo proceder...» (a minha versão, a qual considero mais acertada) vs. «Se desejar, contudo, proceder...» (a outra versão) Acho uma aberração a utilização de uma única palavra entre duas vírgulas. Seguindo esta mesma lógica, pior ainda será utilizar duas vezes na referida situação:«, como, por exemplo,».  Segundo o meu parecer, acertado será «, como por exemplo,». Será que alguém me poderia elucidar mais alguma coisa acerca do assunto?
A pronúncia da palavra contexto
Um deputado, licenciado em Direito, pronuncia, na palavra contexto a sílaba -tex valendo tês. Todavia, o Dicionário Porto Editora confere à sílaba em questão a elocução –teis, o que está, aliás em consonância com texto, contextual, contextuação, etc. Para mim, que sou ignorante nestas matérias, e, para mais sem a proeminência de ser deputado eleito da A. R., testo com aquela pronúncia só conheço na acepção: «tampa de vasilha», «cabeça», «chapéu». Todavia, tendo em conta a proveniência do referido homem público, ficamos na dúvida se estamos na presença de uma variante insular açoriana, ou, pelo contrário, não passa de pura alarvice, isto na hipótese de que tenha completado no continente a sua instrução primária.
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