DÚVIDAS

Antonomásias, pronominações e cognomes
Observem, por favor, estes exemplos: D. Pedro II, o Magnânimo; Princesa Isabel, a Redentora; Rui Barbosa, a Águia de Haia. Pois bem, a este respeito, pergunto-lhes: a) deve mesmo haver uma vírgula separando o nome da personagem histórica da sua antonomásia como no exemplo (a minha dúvida deve-se ao fato de que uns usam e outros não usam a vírgula nesse caso)? b) o artigo que antecede a pronominação deve ser escrito em minúscula como acima ou em maiúscula? c) o artigo faz ou não parte da antonomásia? d) a pronominação deve ser sempre escrita com inicial maiúscula como nos exemplos? e) em casos como os supramencionados, antonomásia e pronominação são sinônimos de cognome? Também gostaria de saber se o correto seria: «A sua bisavó conheceu a Redentora» ou «A sua bisavó conheceu A Redentora». Cito mais isto, pois quero saber se, mesmo estando a antonomásia sem o prenome ao qual está relacionada, o artigo que a antecede deve ser grafado em minúscula ou em maiúscula. Muito obrigado.
Tantas vezes menor
Ouvi ontem de uma pessoa que trabalha com números que existe uma impropriedade, até mesmo um erro, em dizer que alguma coisa é tantas «vezes menor» que outra. Isso não tem lógica, pois «vezes» só pode ser usado no sentido de adição, de maior. Isso procede? Não consegui encontrar nada em meus livros. Mas sendo assim, não seria redundância dizer que uma coisa é tantas vezes «maior» que outra? Pois, se vezes já implica o sentido de maior, não há por que repetir. A solução proposta por esse profissional foi que devemos usar fração (tal coisa é um quinto de outra) ou inverter a posição na frase: Em vez de dizer que Portugal é 30 vezes menor que o Brasil (em hipótese), temos que dizer que o Brasil é 30 vezes maior que Portugal. É uma dúvida grande, pois matematicamente acredito que faça sentido. Mas a lógica matemática é a mesma da língua?
Origem e significado de «carapau de corrida»
Ouvi há pouco tempo uma explicação interessante, e não completamente descabida, sobre a origem da expressão «carapau de corrida», que sempre me intrigou! O peixe é vendido pelos pescadores nas lotas, em leilões «invertidos», ou seja, com os preços a serem rapidamente anunciados por ordem decrescente, até que o comprador interessado o arremate com o tradicional «chiu!». Isto implica que o melhor peixe, e o mais caro, é o que é vendido primeiro, ficando para o fim o de menor qualidade. Em tempos anteriores ao transporte automóvel, as peixeiras menos escrupulosas compravam esse peixe no fim da lota, por um preço baixo, e corriam literalmente até à vila ou cidade, tentanto chegar ao mesmo tempo que as que tinham comprado peixe melhor e mais caro na lota (e tentando vendê-lo, evidentemente, ao mesmo preço que o de melhor qualidade). Nem sempre os fregueses se deixavam enganar, e percebiam que aquele carapau era «carapau de corrida», comprado barato no fim da lota e transportado a correr até à vila. Hoje ainda, o que se arma em carapau de corrida julga-se mais esperto que os outros, mas raramente os consegue enganar.
Sobre a aceitabilidade das pronúncias regionais (Portugal)
Sendo de Castelo Branco, ao mudar-me para Évora, fui "criticado" por uma maneira minha de falar que passarei a explicar. Se eu falar lentamente, direi: «A água está quente», p. ex. na oralidade formal. Porém, ao falar numa corrente familiar e com amigos, ao falar mais rapidamente, para tornar a frase menos complicada de dizer (inconscientemente...), direi algo do género: «Aiágua xtá quente.» Erro ao tornar inconscientemente a frase mais simples de dizer? Ou, cada vez que falo informalmente, tenho de "silabar" cada palavra dafrase? Para terminar, gostaria de saber se é correcto que um professor exija que eu diga «Eu vi ú cão» (em vez de «eu vi o cão»), "Hugo" (em vez de "Hugo") e "coalho" em vez de "coelho". Desde já obrigado e parabéns pelo magnifico estado deste site.
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