DÚVIDAS

Acento gaúcho
Tive uma conversa bastante desagradável com uma pessoa do Sul do Brasil. Ele disse que eu falava errado e eu lhe dizia que eu falava certo. De que se trata? Eu disse que no português normal brasileiro (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, DF, uma parte de Minas, zonas do Nordeste): 1. A vogal, o final e o artigo definido masculino (-o, o) soam como /u/ e não como /ô/ ou /ó/ (o senhor! e ó senhor! não são a mesma coisa). A vogal e final e a palavra e soam como /i/ e não como /ê/ ou /é/ (e e é não são a mesma coisa, de e dê não são a mesma coisa). Ti, di (sempre) e te, de (às vezes, principalmente quando átonas, finais ou palavras isoladas) se pronunciam como tchi e dji (ou ti e di), mas não tê e dê (para os sulistas "dê mais!" e "demais!" são a mesma coisa). Se os sulistas falam diferente é o direito deles, mas devem ter cuidado quando dizem que o resto do Brasil (que mais ou menos respeita 1, 2 e 3) fala errado. A mim, a pronúncia dos sulistas soa-me muito disfarçada. Eles talvez escrevam português, mas na verdade pronunciam-no à espanhola e não à brasileira. Obrigado.
Africadas, fricativas e galego-português
Tenho lido que o antigo galego-português fazia uma diferenciação na pronúncia das palavras paço, passo e entre cozer e coser, o que explicaria as diferentes grafias. No português actual restaria somente a diferenciação entre [s] e [z]. Em Trás-os-Montes tal sistema ainda subsistiria. Gostaria de saber, especificamente, como eram esses quatro fonemas, que se perderam na língua-padrão. Haveria a possibilidade de comparação desses sons com alguma outra língua, como se processou a evolução fonética? Muito obrigado.
ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa