O Acordo Ortográfico e a palavra bahia
Mais uma pergunta suscitada pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).
Se bem entendo, o Acordo Ortográfico de 1990, o Acordo Ortográfico de 1945 e o formulário brasileiro de 1943 estabelecem que a letra h só se usa: (i) no início de certas palavras por razões etimológicas (eg. habitar) (ii) no final de algumas raras palavras (eg. ah) e (iii) e nos dígrafos ch, lh e nh.
Assim sendo, gostaria de obter um comentário de um consultor do Ciberdúvidas sobre o fato de o VOLP brasileiro (tanto a recentemente publicada 5.ª edição como a 4.ª edição estão disponíveis em linha) incluir a palavra «bahia s. f.».
Isto está correto? (Assinalo que se trata de palavra com inicial minúscula e não é portanto o nome "tradicional" da cidade da "Bahia".)
Infante e infanta
Sobre as palavras infante e infanta o dicionário dá a definição de: infante: 1. s. m. menino, criança; 2. soldado de infantaria; 3. filho de rei, mas não herdeiro da coroa; 4. peão; e infanta: 1. s. f., filha de rei, mas não herdeira da coroa; 2. esposa do infante. Visto que infante é sinónimo do s. m. menino, infanta pode ser sinónimo do s. f. menina?
Felicidade
O vocábulo "Felicidade" não varia quanto ao número?
Aprendi que alguns substantivos abstratos, tais como: esperança, fé etc, não devem ser flexionados. Deveremos empregá-los sempre no singular.
Esta informação está atualizada?
Sou professora de Português/Inglês e tenho ministrado alguns cursos de atualização gramatical.
Fogo (casa)
Na resposta a uma consulente sobre o tema em epígrafe, permita-me, senhor professor José Neves Henriques, que acrescente um esclarecimento, eventualmente útil.
Ao fogo sagrado existente nos lares gregos e romanos, chamavam estes «vesta, ara ou focus». Esse fogo estava sempre aceso, de dia e de noite, como protecção contra os males do destino, cuja protectora era, em Roma, a deusa Vesta (o mesmo acontecia nas casas gregas, onde se dizia «estia», numa transcrição muito aproximativa). Era a esse fogo que correspondia a ideia de «casa« e não ao lume de cozinhar ou aquecer.
Embora, etimologicamente, focu(m) seja a origem da palavra, a verdade é que a origem de fogo como casa, é proveniente, de facto, das mitologias (como, de resto, acontece com tantas palavras e realidades da nossa língua e da nossa civilização). Qualquer bom dicionário de mitologia latina o indica, para já não falar em Fustel de Coulanges, na sua obra clássica "A cidade antiga", onde o assunto é abordado com profundidade.
A diferença entre ofender e insultar
Qual a diferença, se há alguma, entre ofender (por palavras) e insultar?Obrigado.
Sobre sinónimos de algoritmo
É correcto dizer-se “contas de pé” em vez de “algoritmo”?
«Quanto mais compras...»
Deparou-se-me uma dúvida que não consegui esclarecer com base no recurso às gramáticas de língua portuguesa que possuo. É a seguinte: Diz-se "quantas mais compras fizer, mais descontos tem" ou "quanto mais compras fizer, mais descontos tem"? Está em causa a utilização da locução conjuncional designada, em Cunha & Cintra, «Nova Gramática do Português Contemporâneo» (p. 585), por conjunção subordinativa proporcional. Dado tratar-se de uma locução conjuncional, pertencente a uma classe de palavras fechada, presumo que deveria utilizar-se a forma invariável "quanto mais"; no entanto, ao procurar testar a aplicação desta estrutura a outras frases, parece-me preferível a "forma flexionada". Ex.: "quantos mais filhos tiver, mais descontos terá nos impostos" vs "quanto mais filhos tiver, mais descontos ...". Serão possíveis, afinal, as duas formas, haverá só uma correcta, ou uma será a preferida? Creio que as duas são possíveis, dependendo do escopo da quantificação: o evento denotado pelo verbo ("quanto mais compras fizer ..."), isto é, a frequência do acto de fazer compras, ou o número de entidades (coisas) compradas, denotadas textualmente pelo objecto directo da oração subordinante ("quantas mais compras fizer ..."). Note-se que a consulta efectuada em Cunha & Cintra não é esclarecedora a este nível, nomeadamente por apenas se incluir, na página referida (vide também p. 605), exemplos que nitidamente focalizam uma espécie de quantificação-intensificação do evento: "Quanto mais se distingue, mais se funde" (p. 585), "Quanto mais o conheço, mais o admiro" (p. 605). Agradeço a vossa ajuda!
«Quanto mais»
Quanto à construção abaixo, como classificar a locução «quanto mais» no contexto?
«Mal consigo andar agora, quanto mais correr, meu filho.»
Verbos com particípio passado duplo (I)
Sou estudante de Antropologia e já por diversas vezes me interroguei sobre qual será a conduta a assumir quando o costume vai contra as regras gramaticais.
Sabendo da existência de particípios passados duplos, da regra que prevê o uso da sua forma regular na voz activa e o da sua forma irregular na voz passiva (como em "tinha ganhado" ou "tinha sido ganho") o que é que se deve fazer quando o costume que actualmente vinga é o de utilizar, a todo o custo, as formas irregulares? É frequente ouvirmos expressões como: "tinha entregue", "tinha ganho", "tinha morto". Além disso, ao utilizarmos a forma adequada à voz activa, a maioria das pessoas resolve corrigir-nos.
Parece-me haver todo um movimento em direcção à adopção exclusiva da forma irregular nos particípios passados duplos.
Será isto parte da dinâmica de uma língua? Haverá uma tendência normal para as formas irregulares substituírem por completo as regulares?
Agradeço a vossa atenção e peço, desde já, as minhas desculpas por vos colocar uma questão que talvez seja mais de índole filosófica do que gramatical.
Os significados de cavaleiro e ginete
Em vários idiomas há palavras para distinguir «aquele que monta a cavalo» daquele que era um guerreiro montado medieval da classe mais baixa da nobreza. Desta forma há no francês cavalier/chevalier, no alemão Reiter/Ritter, no holandês ruiter/ridder e no inglês há vários termos como rider, horseman, cavalier, knight, que são invarialvemente traduzidos como cavaleiro, apesar dos significados relativos em seus idiomas originários. Portanto, gostaria de saber se há na língua portuguesa palavras para fazer essa distinção e qual é o uso correto de cavaleiro e ginete.
