`Por exemplo´ entre vírgulas
Quanto à frase seguinte, gostaria de conhecer a vossa opinião sobre se posso retirar a vírgula antes de "por exemplo". ("por exemplo" refere-se à enumeração dos exemplos "encargos", "receitas" e "qualidade dos serviços".) Eu sei que a expressão deve ficar entre vírgulas, mas nem sempre consigo absorver esta regra. Poderiam ajudar-me? "Estes contratos envolvem compromissos quanto a objectivos relacionados com encargos, receitas e qualidade dos serviços, por exemplo, e fornecem mecanismos de partilha de lucros e de penalizações." Agradeço desde já e desejo-vos um bom trabalho.
«Em um» = num
No Brasil, costuma-se corrigir, em textos mais formais, o emprego de num (contração de em + um) e suas flexões. Existe no país a ideia (entre os mais prescritivos, obviamente) de que num é exclusivamente de uso informal e não deve ser posto em textos com maior grau de formalidade. Apesar de saber que se trata de uma prescrição, eu a considero questionável, uma vez que esse "erro" da escrita é usado amplamente no português falado e não contraria os processos de contração da língua – haja vista que costumamos juntar preposições com artigos. Nesse sentido, gostaria de obter do Ciberdúvidas um posicionamento sobre essa questão. Deve-se mesmo censurar o uso de num na escrita? Existe em Portugal semelhante condenação?
Sujeito simples e composto
Na frase «Eles comeram o peixe», Eles considera-se sujeito simples, ou composto?
Todo, tudo, é que, só que, etc.
As minhas questões prendem-se com classificação morfológica, porque uma das coisas que tenho de fazer é exactamente classificar palavras, mas como não estou a trabalhar com portugueses, às vezes, oiço afirmações de tipo generalista que me colocam sérias dúvidas; do género: antes de pronome não há artigo definido! Quando fiz a pesquisa no vosso sítio agi de duas maneiras: colocando a palavra em questão na janela de pesquisa ou então escrevendo a categoria morfológica a que pertence e nunca me satisfizeram os resultados a ponto de conseguir respostas para as questões que se seguem: 1 – «Em todo o mundo se fazem festas.» – Todo é um determinante indefinido? 2 – «Tudo isto foi retransmitido em écrans gigantes.» – Tudo é um pronome indefinido e isto é um pronome demonstrativo? 3 – «Todos quantos passaram lá por casa, tiveram direito a uma prenda.» – Todos é um determinante indefinido? E quantos? Um pronome indefinido? 4 – «As meninas vestidas de branco estavam junto ao altar.» - Branco é um nome? 5 – «Fiz as malas com tempo, só que tenho sempre de me esquecer de alguma coisa.» – Só é um advérbio? E que? É uma conjunção de coordenação? 6 – «Eu é que tomei a iniciativa.» – Como classificar este que? Tanto quanto sei a expressão permite realçar o sujeito, mas não consigo classificar o 'que'. Grata pela atenção dispensada e por todos os esclarecimentos que eventualmente me possam prestar.
O advérbio né
É muito comum as pessoas, principalmente aqui, no Mato Grosso do Sul, utilizarem a palavra né especialmente ao final de uma frase, o que na maioria das vezes soa como uma pergunta, como se substituísse o «não é?». Por vezes, ao meu ver, isso soa como insegurança ao fazer uma afirmação.
Pergunto: a palavra né existe? Se sim, ela deve ser acentuada? Qual a origem dessa palavra? Devemos utilizá-la normalmente?
Obrigado!
A diferença semântica entre «ao menos» e «pelo menos»
Gostaria de saber se o uso de «pelo menos» e «ao menos» é indiferente. Tenho lido em noticiários que «ao menos 10 pessoas morreram». Costumo usar «pelo menos» só para quantificar. Estariam certas as frases abaixo?
«Pelo menos 10 pessoas morreram.» «Ela não virá à festa. Ao menos foi o que me disse.»
Muito obrigada.
Coser e cozer
Qual é a diferença entre coser e cozer?
O paralelismo nas cantigas de amigo
Relativamente à cantiga de amigo Ai flores, ai flores do verde pino, é constituída por dísticos seguidos de refrão ou por tercetos?
Logo: advérbio e conjunção
Na frase «Mal entrei, vi logo na secretária o Poeta e o Gabriel», logo é um advérbio de tempo, ou é uma conjunção?
Rima rica e rima pobre
Antes de mais, felicito-os pelo excelente trabalho que fazem em prol da língua portuguesa.
De forma geral, aprendemos na escola que rima rica é aquela em que o autor utiliza palavras de diferentes categorias; rima pobre, aquela em que são usadas palavras da mesma categoria gramatical. Porém, recentemente, tenho visto outras designações tais como «rima rica é a que requer igualdade de sons vocálicos e consonânticos a partir da última vogal tónica». Outros autores rejeitam por completo rica e pobre, devido à conotação negativa que a última pode ter.
Resumindo:
1. Existem as denominações de rima rica e rima pobre?
2. Se sim, como se distinguem?
3. Se não, como classificar os versos que terminam em bonita (adj.)/saltita (v.), vão (v.)/são (v.), feliz (adj.)/infeliz (adj.), ordem (n)/sacodem (v.)?
Muito obrigada pela atenção recebida.
