DÚVIDAS

O uso do hífen e do travessão
Relativamente à utilização de hífen e travessão na língua portuguesa, as diversas exposições neste site são esclarecedoras contudo algumas dúvidas subsistem. Segundo depreendo, o hífen deve ser utilizado em prefixos, sufixos, compostos e translineação, não devendo ser colocado espaço nem antes nem depois do mesmo. Mas relativamente ao travessão fica a dúvida... Se tomarmos o nosso travessão como sendo o americano em dash (?) [inserido com Alt + 0151, no Word, Alt + Ctrl + Num- (hífen do teclado numérico)], tal figura não deve ser antecedida nem sucedida por espaços, como se indica em diversos sites americanos. Será que na língua portuguesa a regra é a mesma? Relativamente ao americano en dash (Alt + 0150, no Word, Ctrl + Num-) desconheço como se designa em português e, como tal, desconheço também como deve ser utilizado. Será que pode ser chamado de traço? Utiliza-se como na língua inglesa em intervalos de valores? Com ou sem espaço antes e depois? Para aumentar um pouco a confusão, o sinal menos é um dos 3 sinais anteriores – hífen, en dash, travessão – ou outro distinto? Inserível no Word escrevendo 2212 seguido de Alt + x.
`Por exemplo´ entre vírgulas
Quanto à frase seguinte, gostaria de conhecer a vossa opinião sobre se posso retirar a vírgula antes de "por exemplo". ("por exemplo" refere-se à enumeração dos exemplos "encargos", "receitas" e "qualidade dos serviços".) Eu sei que a expressão deve ficar entre vírgulas, mas nem sempre consigo absorver esta regra. Poderiam ajudar-me? "Estes contratos envolvem compromissos quanto a objectivos relacionados com encargos, receitas e qualidade dos serviços, por exemplo, e fornecem mecanismos de partilha de lucros e de penalizações." Agradeço desde já e desejo-vos um bom trabalho.
Quereria e queria
Para mim está claro o uso formal de quereria em orações subordinadas, por exemplo: «Se eu pudesse querer alguma coisa, quereria viajar.» Tenho dúvidas no caso das solicitações: «Eu quereria falar com você.»/«Eu queria falar com você.» Embora o uso da língua consagre a segunda opção, normativamente a primeira está correta? Ou este não é um caso de uso do futuro do pretérito e, sim, do imperfeito com sentido de atenuação? Obrigada!
Espoletar/despoletar
Na noite do dia 8 de Abril, num programa informativo da portuguesa TVI, ouvi o Director dos Serviços Prisionais e o jornalista usarem o verbo despoletar umas cinco ou seis vezes, sempre com o sentido de "desencadear/ originar". Lembrei-me então das várias respostas/críticas em linha no Ciberdúvidas acerca do uso e significado deste verbo e decidi enviar-vos este comentário. Numa das suas muitas respostas em linha, o Prof. JNH afirma, e muito bem, que "a linguagem não é só para ser compreendida, é também para ser sentida.". Surgem então as seguintes questões: porque é que tanta gente "sente" que despoletar significa desencadear, originar, iniciar, activar, etc.? Porque é que ninguém usa, com esse sentido, a palavra espoletar, a qual, aparentemente, seria a mais indicada? Esta última questão leva-nos para uma outra: se "pôr espoleta em" é espoletar, "tirar espoleta de" não deveria ser desespoletar? Se des + espartilhar deu desespartilhar, se des + esperança deu desesperança, se des + esperar deu desesperar, se des + estagnar deu desestagnar, se des + estorvar deu desestorvar, etc., etc., porque é que des + espoletar não dá desespoletar? Será que despoletar é, realmente, sinónimo de desespoletar? Procurei em vários dicionários (edições recentes e antigas, tanto portuguesas como brasileiras) e nenhuma destas palavras (despoletar e desespoletar) está dicionarizada. Isto quer dizer que a palavra despoletar ainda não tem uma significação "oficial", isto é, aceite pelos dicionaristas. Porquê, então, insistir em atribuir-lhe um significado que é oposto ao que os lusófonos "sentem" que ela tem? Peço desculpa por estar a "meter a foice" numa seara que, claramente, não é a minha.
Todo, tudo, é que, só que, etc.
As minhas questões prendem-se com classificação morfológica, porque uma das coisas que tenho de fazer é exactamente classificar palavras, mas como não estou a trabalhar com portugueses, às vezes, oiço afirmações de tipo generalista que me colocam sérias dúvidas; do género: antes de pronome não há artigo definido! Quando fiz a pesquisa no vosso sítio agi de duas maneiras: colocando a palavra em questão na janela de pesquisa ou então escrevendo a categoria morfológica a que pertence e nunca me satisfizeram os resultados a ponto de conseguir respostas para as questões que se seguem: 1 – «Em todo o mundo se fazem festas.» – Todo é um determinante indefinido? 2 – «Tudo isto foi retransmitido em écrans gigantes.» – Tudo é um pronome indefinido e isto é um pronome demonstrativo? 3 – «Todos quantos passaram lá por casa, tiveram direito a uma prenda.» – Todos é um determinante indefinido? E quantos? Um pronome indefinido? 4 – «As meninas vestidas de branco estavam junto ao altar.» - Branco é um nome? 5 – «Fiz as malas com tempo, só que tenho sempre de me esquecer de alguma coisa.» – Só é um advérbio? E que? É uma conjunção de coordenação? 6 – «Eu é que tomei a iniciativa.» – Como classificar este que? Tanto quanto sei a expressão permite realçar o sujeito, mas não consigo classificar o 'que'. Grata pela atenção dispensada e por todos os esclarecimentos que eventualmente me possam prestar.
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