DÚVIDAS

A vírgula e as expressões religiosas «ave, Maria» e «salve, Rainha»
Na conhecida oração ave-maria, uma saudação à Virgem Maria, não deveria o vocativo Maria estar separado por vírgula («Ave, Maria, cheia de graça! O Senhor é convosco…», em vez de «Ave Maria, cheia de graça…», como aparece em todos os textos? O mesmo se poderia perguntar em relação àquela outra oração católica salve-rainha: «Salve, Rainha, Mãe de misericórdia…», e não, como vemos sempre, «Salve Rainha, Mãe de misericórdia…». Sabendo nós que os imperativos latinos ave e salve se tornaram interjeições de saudação em português («Viva, Maria!», «Olá, Maria!»), poderemos considerar que a falta de vírgula nos textos das orações ave-maria e salve-rainha se enquadra no chamado «consagrado pelo uso»? Como neste interessante artigo [de Gonçalo Neves], do Ciberdúvidas se refere, «é frequentemente citada (e até se encontra numa aventura de Astérix...) a frase com que os gladiadores, já na arena, saudavam o imperador antes de entrarem em combate: "Ave, Cæsar, morituri te salutant." É curioso notar que o tradutor Paulo Rónai se serviu de salve para traduzir este ave: "Salve, imperador, os que vão morrer saúdam-te..."» É interessante notar que o dicionário em linha Infopédia regista o seguinte, devidamente virgulado: «do latim eclesiástico Ave, Maria, «ave, Maria!»” Muito obrigado.
Sobre a partícula apassivante se
A relação entre a partícula apassivante "se" e a passiva latina com a desinência "r" suscita-me esta dúvida: Se o "r" é «o que que resta de uma partícula pronominal "se" que evoluiu para "re"» e se é «uma construção já proveniente do latim clássico», como aparece de novo "se" na posterior evolução para o português? Renovo as minhas felicitações pelo excelente trabalho desenvolvido.
Nomes de países das Caraíbas
Alguns dos nomes de países e territórios da região das Caraíbas têm uma multiplicidade de grafias, sendo complicado compreender qual delas adoptar. Se por um lado algumas são pouco usuais, outras são bem portuguesas. Neste caso, quando devemos adoptar os estrangeirismos locais? As minhas dúvidas prendem-se com os seguintes casos: — "Anguilla" (inglês), "Anguilha" (português), ou "Anguila" (português)? — "Antigua e Barbuda" (castelhano), "Antígua e Barbuda" (misto de castelhano e português), ou "Antiga e Barbuda" (português)? — Curaçao (neerlandês, vindo do português), ou Curação (português)? — Bahamas (inglês, vindo do cast. «baja mar»), ou Baamas (português)? — Ilhas Cayman (inglês, usado aparentemente no Brasil), Caymans, Caiman ou Caimã (português brasileiro), ou Ilhas Caimão (português europeu)? — Dominica, ou Domínica? — Montserrat (inglês), Monserrate (português), ou Monte-Serrado (como já vi aqui no Ciberdúvidas)? — Nevis (inglês), Névis (misto de inglês e português), ou Neves? — Trinidad (inglês, vindo do castelhano), Trinidade (misto de castelhano e português), ou Trindade (português)? — Turks e Caicos (inglês): Turcos ou Turcas (português) e Caicos ou Caícos (português)? Desde já, um muito obrigado.
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