DÚVIDAS

O em a e o na

Ficaria muito grata se me esclarecessem quais as contracções normativas, quer no padrão europeu, quer no brasileiro. Pode parecer uma pergunta básica, mas por vezes ainda me admira encontrar no mesmo texto "em a + N" e "na + N". Não existe uma norma que dite quando devem contrair, ou não, preposições com artigos, indefinidos, demonstrativos, advérbios, etc.?

Obrigadíssima pela vossa pronta resposta.

Resposta

Quanto à norma de Portugal, as preposições que podem contrair com os artigos definidos contraem sempre. A grande excepção/exceção é que não deve haver contracção/contração quando o artigo faz parte de um constituinte de uma frase infinitiva introduzida por uma preposição («não concordaram com a sua opinião por a mesma ser disparatada»), assim como também não deve havê-la quando em vez de um artigo temos um pronome pessoal que lhe é semelhante («obrigado por o mencionares»). Esta (obrigação a não contrair) é na verdade a única regra normativa em Portugal quanto a esta questão, no sentido em que é aquela que é prescrita nas gramáticas mas é por vezes desrespeitada.

Quando o artigo faz parte de um título, existem casos de flutuação: «em Os Lusíadas», «n' Os Lusíadas».

Relativamente aos demais determinantes e pronomes que podem contrair com preposições, seguem regras semelhantes às que regulam a contracção/contração das preposições com artigos (não devem contrair quando a preposição rege não o sintagma nominal a que os pronomes ou determinantes pertencem mas introduzem a frase em que os determinantes ou pronomes se encontram, frase que será sempre infinitiva).

Nos outros contextos, depende um pouco de cada determinante ou pronome ou advérbio. Por exemplo, embora, à semelhança dos artigos definidos, os demonstrativos também contraiam sempre que dispõem de uma forma contracta/contrata, os indefinidos «um, uma, uns, umas» têm um comportamento misto, pois apesar de contraírem com a preposição «em» («num, numa,...») generalizadamente e de também poderem contrair com «de», são mais frequentes/freqüentes as sequências/seqüências «de um, de uma, etc.». Há outros casos parecidos: «algum, alguma,...» podem contrair com «em» ou não («em algum lado», «nalgum lado») mas é mais raro encontrar a sua contracção/contração com «de». Há pois casos em que a contracção/contração ou não contracção/contação é completamente opcional mas uma delas é mais frequente/freqüente: por exemplo, a de «de» com o advérbio «onde» (sendo a não contracção/contração muito mais frequente/freqüente). Estas considerações não são normativas.

Quanto à norma brasileira, não posso falar com autoridade mas parece que há alguns pronomes que em Portugal contraem muitas vezes mas que no Brasil frequentemente/freqüentemente não contraem.

ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de LisboaISCTE-Instituto Universitário de Lisboa ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa