DÚVIDAS

O termo as como pronome demonstrativo
Sobre o esclarecimento 24 344, na frase «Existem velhas parábolas chinesas sobre tudo, e as que não existem a gente inventa» sobre a qual é pedido um esclarecimento, consideram que as é um pronome demonstrativo porque pode ser substituído por aquelas. No entanto, também pode estar a substituir a palavra parábola, num mecanismo de coesão textual. Então, por que razão considerá-lo um pronome demonstrativo e não um pronome pessoal? Afinal, o, a, os, as são pronomes pessoais? São demonstrativos? Será que só é demonstrativo o pronome o quando antecede o relativo que («Sei o que pensas») ou antecede/segue um verbo («O João disse-o») e pode ser substituído por isso/aquilo?
Sobre as dificuldades na escrita
Desde sempre tive dificuldades ortográficas, desde o confundir g e j, u e o, ss e ç, z e s, entre outros. Na escola primária tentaram corrigir-me através de cópias, ditados e escrita n vezes da palavra onde falhava. Apercebi-me que comigo esse procedimento não funciona, apesar de concordar que para outras pessoas pode funcionar. Normalmente tento procurar sinónimos, mas é complicado, visto dar também erros nessas palavras, ou tiro dúvidas no dicionário ou prontuário, e quando escrevo ao computador uso o corrector ortográfico. Constato que a leitura de livros ajuda-me essencialmente a nível da redacção e não tanto da ortografia. Penso que a minha dificuldade, e que será também a de muitos, está na forma diferente de o cérebro funcionar, que torna inadequados os meios tradicionais de lidar com este problema. Eis três exemplos: – Perante uma palavra em dúvida, eu questiono-me do porquê de se escrever de uma maneira e não de outra. Por exemplo, a palavra «viajar»; de acordo com as regras usa-se um j porque está junto à vogal a, contudo usa-se g para ter o mesmo som j na palavra «viagem», porque está junto à vogal e; apesar de ver a regra no prontuário, não consigo decorar todas as regras para o emprego do g e do j, porque são várias e parecem ilógicas, ou seja, fazem-me questionar do porquê de a regra ser dessa forma e não de outra. – apesar de falar correctamente os sons nhe e lhe, tenho alguma dificuldade em me lembrar de que, por exemplo, se determinou algures no tempo que o som lhe de «filho» se deveria traduzir na escrita por um l, seguido de um h e de um o. – Muito raramente, dou por mim a trocar p por b, só porque são semelhantes na escrita, um tem risco para baixo, e o outro tem-no para cima. Penso que da mesma forma que existem técnicas, exercícios para pessoas com dislexia, também devem existir exercícios fora dos tradicionais e apropriados a adultos que dão erros deste tipo. O que busco são essas formas de treinar o cérebro de maneira a acabar com o que chega a ser uma tortura escrever à mão, dado dar tantos erros, e apesar de gostar de escrever. Agradeço desde já a atenção dispensada, e peço desculpa de não ter sido mais sucinta.
Acerca de vós e de vocês
Numa resposta à pergunta intitulada Nós/a gente; vós/vocês, a propósito da substituição do pronome vós pelo pronome vocês nos dialectos centro-meridionais da variante europeia da língua, é citada a Gramática Histórica de 1921, onde já se observa que, «dirigindo-nos a mais de um indivíduo, servimo-nos hoje de vocês como plural semântico de tu». O que eu gostaria de saber, se possível, era se é certo que tal fenómeno terá ocorrido previamente na variante brasileira (e se há registos que nos permitam datar de forma aproximada a sua emergência) e quando é que essa evolução começou a fazer-se sentir em Portugal, pelo menos no eixo Lisboa-Coimbra. Já agora, aproveitaria também para perguntar, de forma muito concreta, se é possível que em meados do século XVIII tal fenómeno já fosse comum na fala de pelo menos parte dos portugueses?
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