DÚVIDAS

O uso da vírgula e as orações subordinadas adverbiais
Tenho sempre dúvida na utilização de vírgulas e o caso aqui é referente à virgula depois das conjunções e e mas. Abaixo deixo alguns exemplos de frases que selecionei e que queria  ajuda  para entender se estão certas, ou não, e o porquê. 1 – «Nada prejudica mais uma apresentação do que o nervosismo. E, quando isso acontece, a melhor maneira é respirar fundo e confiar em si mesmo.» 2 – «Eu pediria que voltasse a ser quem era e recordasse tudo o que vivemos. Mas, mesmo assim, se isso não for possível, esqueça tudo o que passamos.» 3 –  «Ontem, Maria me contou uma história de amor inesquecível que ela viveu há alguns anos. Então penso comigo. E, se essa história de amor for realmente verdade, será que um dia poderei vivê-la?» (Aqui não vejo necessidade de vírgula antes de e. É errado numa oração ter vírgula depois de se ou caso?) 4 – «Podes ter imaginado um caminho incrível rumo a um destino excepcional. Mas, para levar as pessoas até lá, é necessário que faças a viagem parecer atraente.» Nos exemplos acima, e e mas estão no início da oração. Sei que não é errado fazer isso, pois envolve uma questão de estilística, mas sei também que nesses casos eles poderiam estar em uma oração só. De qualquer forma, gostaria de saber se essas conjunções, exatamente do jeito que estão, têm a vírgula depois delas mal colocada. Obrigado.
Abreviaturas Eng., Dr., etc.
Na página 10 do Dicionário da Texto Editora abreviatura significa "parte de uma palavra que a representa; sinal indicador de supressão de letra ou letras numa palavra; resumo". Igualmente na página 11 do Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora abreviatura significa "sinal constituído por uma só letra ou por um grupo de letras em substituição de uma palavra ou mesmo de uma expressão; sinal indicador de supressão de letra ou letras numa só palavra; resumo". Como por exemplo as abreviaturas "Dr", "Eng", "Arq", "Prof" e "Lx". Estas abreviaturas, como outras, não constam directamente nos Dicionários de Língua Portuguesa, mas sim em alguns anexos a esses dicionários. Julgo eu por não serem consideradas expressões ou palavras. Pergunto o seguinte: uma abreviatura é considerada uma expressão, uma designação ou mesmo um nome na terminologia da língua portuguesa?
Novamente mídia, média e "media"
A directa assimilação de palavras estrangeiras, adaptadas à grafia ou à fonética, não é novidade em Portugal. É de estranhar que os léxicos portugueses incluam uma "corrupção" fonética do termo inglês media (em inglês diz-se "mídia") que é usado em diversos contextos com significados diferentes: — meios de comunicação social, suportes de dados, formatos de ficheiros áudio e vídeo. Das novas palavras relativas à ciência computacional já inseridas nos dicionários e que por não terem correspondências ou homónimos foram adaptadas ao novos significados: clique/clicar (click), disquete (diskette), formato/formatar (format), etc. Ser contra estes estrangeirismos é no mínimo bacoco, pois o vocabulário provém do inglês e contra isso não há nada a fazer, excepto evitar as divergências entre original, o significado e a sua tradução. Dada a troca de sons, do inglês para português, o e inglês diz-se "i", devia-se neste caso particular de media adoptar a fonética em detrimento da grafia. Ou seja "mídia". O principal problema é que as crianças e os jovens que se deparam com a palavra media ou média ambas com significados muito diferentes da palavra original em inglês. Se por um lado media é um tempo do verbo medir («eu/ele media»), média é o «quociente da divisão de uma soma pelo número das parcelas». A minha pergunta é: como é que se pode "oficializar" um "erro de dicção de uma palavra inglesa" em dicionários respeitáveis, perpetuando assim esse erro, e afectando de sobremaneira a credibilidade dos responsáveis desses dicionários que aparentemente não sabem falar inglês?
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