O radical de trabalho
Podem indicar-me se o radical do nome trabalho é trabalh-, ou trabalho? O radical não será como livr- para livro, mont- para monte?...
Mont- é o radical para a família de palavras relacionadas com monte: montanha, montado (de monte), montanhês, etc. Mas a palavra montar (a cavalo), que parece ter o mesmo radical, pode considerar-se da mesma família? É que, nos exemplos que apresentei, todas as palavras estão relacionadas diretamente ou indiretamente com uma forma de relevo, e «montar a cavalo», embora me pareça ter o mesmo radical, significa uma coisa muito diferente. Para serem da mesma família, basta terem o mesmo radical, ou é preciso haver outra relação?...
Muito obrigada pela a ajuda!
A classe morfossintática de após
Gostaria de saber em que contexto é que após pode ser um advérbio e quando é que é preposição. A dúvida surgiu nesta passagem: «Aquilo não era uma pouca de gente que se varresse assim sem mais nem ontem, de modo que os pelotões de polícia de intervenção progrediam com dificuldade e só conseguiram chegar ao Areeiro algum tempo depois, após muita cabeça partida e duas baixas nas suas hostes, de agentes que tinham sido sabiamente atraídos a vãos de escadas por populares mais expeditos.»
Muito obrigada.
Palavra onomatopaica
Actualmente, já não se distingue palavra onomatopaica de onomatopeia? Creio que a TLEBS inclui apenas a segunda designação, mas nos exemplos propostos não vejo nenhum dos que até agora eram abrangidos pela primeira (“ribombar”, “sussurrar”...).
Agradeço a vossa resposta.
Sujeito/predicado vs. grupo nominal/grupo verbal
Como professora do 1.º ciclo, deparo-me com as diferentes nomenclaturas nos diferentes manuais. Tanto se referem apenas a sujeito/predicado ou a grupo nominal/grupo verbal. Gostaria de saber qual a forma mais correcta de abordar o conteúdo nas aulas, de modo a não induzir em erro os meus alunos.
Já agora, pergunto se legalmente chegou a ser aplicada nos currículos a nova terminologia (que, caso não esteja enganada, foi anulada no ano passado).
Obrigada pela disponibilidade.
Sobre a regência do verbo designar
A propósito da questão levantada por mim (Opinião sobre frase), respondida sucintamente em 19/11/2007, gostaria, se for possível, de uma resposta mais estendida, com explicações mais pormenorizadas sobre os problemas de regência que envolvem o verbo designar no exemplo que dei e nestes que vou dar:
1 — «O presidente designou o deputado José de Abreu relator.» (ou «como relator», ou «para relator»)
2 — «O presidente designou o deputado José de Abreu relator das seguintes proposições...»
3 — «O presidente designou o relator para as seguintes proposições...» (agramatical?)
Poder-se-ia pensar que, na frase 3, está elíptica uma expressão de finalidade («para examinar as seguintes proposições»); no entanto, creio que, por exercer o complemento nominal uma função mais importante na sintaxe de uma oração e por relatar não reger para, nada abona o uso de uma expressão adverbial de finalidade, em detrimento daquele complemento, que já dá pleno entendimento à frase em questão.
O verbo suceder (com o sentido de ocorrer, acontecer)
Tenho um livro que diz que o verbo suceder no sentido de ocorrer, acontecer é verbo intransitivo. Não seria transitivo direto?
«Sou a enviar...»
Leio com crescente frequência a utilização do verbo "ser" onde sempre foi corrente o recurso ao verbo "estar". Por exemplo, numa mensagem de e-mail com um anexo, por vezes surge o texto «Sou a enviar em anexo (...)».
É correto, ou esta tendência resulta de más traduções de outras línguas onde não há esta distinção ser/estar e que acabam por ser incorretamente adotadas pelos portugueses?
Atarraxar
Qual é a expressão mais correcta: atarrachar, ou atarraxar?
Sobre as dificuldades na escrita
Desde sempre tive dificuldades ortográficas, desde o confundir g e j, u e o, ss e ç, z e s, entre outros. Na escola primária tentaram corrigir-me através de cópias, ditados e escrita n vezes da palavra onde falhava. Apercebi-me que comigo esse procedimento não funciona, apesar de concordar que para outras pessoas pode funcionar. Normalmente tento procurar sinónimos, mas é complicado, visto dar também erros nessas palavras, ou tiro dúvidas no dicionário ou prontuário, e quando escrevo ao computador uso o corrector ortográfico. Constato que a leitura de livros ajuda-me essencialmente a nível da redacção e não tanto da ortografia.
Penso que a minha dificuldade, e que será também a de muitos, está na forma diferente de o cérebro funcionar, que torna inadequados os meios tradicionais de lidar com este problema. Eis três exemplos: – Perante uma palavra em dúvida, eu questiono-me do porquê de se escrever de uma maneira e não de outra. Por exemplo, a palavra «viajar»; de acordo com as regras usa-se um j porque está junto à vogal a, contudo usa-se g para ter o mesmo som j na palavra «viagem», porque está junto à vogal e; apesar de ver a regra no prontuário, não consigo decorar todas as regras para o emprego do g e do j, porque são várias e parecem ilógicas, ou seja, fazem-me questionar do porquê de a regra ser dessa forma e não de outra. – apesar de falar correctamente os sons nhe e lhe, tenho alguma dificuldade em me lembrar de que, por exemplo, se determinou algures no tempo que o som lhe de «filho» se deveria traduzir na escrita por um l, seguido de um h e de um o. – Muito raramente, dou por mim a trocar p por b, só porque são semelhantes na escrita, um tem risco para baixo, e o outro tem-no para cima.
Penso que da mesma forma que existem técnicas, exercícios para pessoas com dislexia, também devem existir exercícios fora dos tradicionais e apropriados a adultos que dão erros deste tipo. O que busco são essas formas de treinar o cérebro de maneira a acabar com o que chega a ser uma tortura escrever à mão, dado dar tantos erros, e apesar de gostar de escrever.
Agradeço desde já a atenção dispensada, e peço desculpa de não ter sido mais sucinta.
Peixes-espadas, de novo
Relativamente ao plural do substantivo composto "peixe-espada", devo lembrar também que a Gramática de Celso Cunha diz o seguinte: "a) também só o primeiro toma a forma de plural quando o segundo termo da composição é um substantivo que funciona como determinante específico...".
Não estará o termo "espada" a funcionar como determinante específico do primeiro elemento? Não esqueçamos que a referida gramática faz constar entre os exemplos para a referida alínea o composto "manga-espada".
Sendo assim, não seria mais correcto dizer "peixes-espada"?
