DÚVIDAS

Sobre os nomes colectivos
Com quatro gramáticas, duas das quais de 2009, obtenho subclasses diferentes do nome, mas o que me interessa saber mais especificamente é se os nomes colectivos passam a constituir-se como subclasses dos comuns, passando a designar-se nomes comuns colectivos (como está numa gramática de 2009, da Areal Editores), ou não, uma vez que as outras não dão essa indicação, classificando-os apenas como nomes colectivos e como subclasse do nome. Grata pela atenção!
A origem dos nomes próprios Melissa e Mariana
Tenho duas netinhas (as minhas netinhas são sempre as mais lindas do Mundo...) que foram baptizadas há pouco tempo. Pondo de lado o aspecto religioso do acontecimento, que não é para aqui chamado, fixei uma coisa que o padre oficiante disse acerca dos seus nomes – Melissa a mais velha, Mariana a mais nova, de quatro e dois anos, respectivamente.Disse ele, então, «não sei donde vem o nome Melissa, mas Mariana vem de Maria, mãe de Jesus Cristo, e Ana, mãe de Maria – Nossa Senhora, Santa Maria – e Santa Ana, mãe de Nossa Senhora».Já procurei em dicionários, em busca de Melissa, e o que encontrei foi que «melissa», com minúscula, significa erva-cidreira. Quanto a Mariana, também gostaria de ouvir a vossa douta opinião sobre a forma como se formou esta palavra. Não queria terminar sem me congratular pelo facto de o Ciberdúvidas ter conseguido ultrapassar o mau bocado por que passou. Espero, apenas, que possam continuar o vosso bom trabalho com a liberdade e independência de sempre, na partilha de conhecimentos.
A forma por extenso de valores com decimais
Como devo escrever por extenso 2,34567? Existem concursos que admitem cêntimos até à quinta casa, e isso diferencia a escolha. A dúvida consiste em haver concursos em que os valores unitários apresentados vão até à quinta casa decimal e é necessário apresentar o valor do IVA por extenso, e tenho tido dificuldade em escrever o valor do IVA quando o valor de que estou a partir é pequeno. Ex.: um produto que custa por ex € 2,34567; este valor, mais o IVA a 5%, a 12% ou a 21%, tem de ser escrito em extenso!
Ainda espaciotemporal
Qual é a forma correcta: “espaciotemporal”, ou “espácio-temporal”? Na vossa resposta, com data de 09/06/1998, a uma pergunta semelhante, é afirmado que a forma correcta é “espaciotemporal”. O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa regista precisamente essa forma; de igual modo o faz a última versão do Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora. No entanto, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia das Ciências de Lisboa, regista a forma “espácio-temporal”, e o dicionário da Priberam, também. Numa outra resposta, com data de 29/04/1998, sobre o uso do hífen em palavras com o antepositivo sócio-, é dito o seguinte: b) O Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa, de Rebelo Gonçalves, na página 216, menciona um dos casos em que se deve usar o hífen: «Nos compostos em que entram, morfologicamente individualizados e formando uma aderência de sentidos, um ou mais elementos de natureza adjectiva terminados em o e uma forma adjectiva.» Entre os vários exemplos, cita os seguintes: físico-químico, póstero-palatal, trágico-marítimo, ântero-inferior; latino-cristão, grego-latino, afro-negro. Ora, nos poucos dicionários em que a palavra “espácio” aparece registada, ela é classificada como adjectivo. Assim, retomo a questão: qual é a forma correcta – “espaciotemporal”, ou “espácio-temporal”?
A palavra evitamento
Em ciências sociais, por exemplo em antropologia, é comum o uso da termo "evitamento", no sentido de um procedimento que visa, precisamente, evitar uma determinada situação que é socialmente indesejada (a presença de determinados parentes, o contacto com certas substâncias, etc.). No entanto, frequentemente esta palavra é "censurada" em textos escritos noutras áreas de trabalho, com o pretexto de ser inexistente ou uma incorrecção de português. Podem esclarecer-me sobre a validade da palavra? Trata-se de um neologismo ou de um calão específico das ciências sociais ou, pelo contrário, de uma palavra perfeitamente averbada na língua, como, aliás, se verifica em vários dicionários? Obrigado pela atenção.
Personagem: masculino ou feminino?
Susana Correia, ao responder sobre A pontuação no diálogo, cita a Nova Gramática do Português Contemporâneo (Cunha e Cintra, Edições João Sá da Costa), referindo que o verbo dicendi (respondeu, neste caso) pode estar no princípio, no meio ou no fim do discurso directo e que, sempre que faltar este verbo, o contexto e os recursos gráficos (dois pontos, aspas, travessão ou mudança de linha) têm «a função de indicar a fala do personagem» (pp. 630, 631). A citação está fiel ao que vem na obra citada, mas parece um caso em que o "melhor pano" não se livrou da "nódoa", dado que "personagem" é do género feminino. Aprendi que, em português, «não há nenhuma palavra terminada em -agem que seja do género masculino». Aliás o Ciberdúvidas tem uma resposta, citando o gramático brasileiro Napoleão Mendes de Almeida, no seu Dicionário de Questões Vernáculas, onde ele muito justamente se insurge contra o emprego de personagem no masculino. Em que ficamos?
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