A classe gramatical de «muitas»
Na frase «Na nossa escola, há muitas árvores», a palavra muitas pertence a que classe/subclasse de palavras? Diria quantificador existencial, no entanto, esta designação já não consta do Programa e Metas Curriculares de Português – Ensino Básico e Secundário. Qual a classificação atual e correta [em Portugal]?
Muito obrigada pela ajuda.
A sintaxe do verbo mandar
Primeiramente, quero enaltecer o excelente serviço prestado pelos consultores, que muito nos têm ajudado a esclarecer as dúvidas com que frequentemente nos deparamos no dia-a-dia ou no trabalho.
Dito isso, vamos à dúvida: nos mandados que são distribuídos aos oficiais de justiça para serem cumpridos, consta o seguinte texto: «o MM. Juiz de Direito manda a qualquer Oficial de Justiça ao qual for este mandado apresentado que se dirija ao local, e proceda ao despejo.»
Apesar de ter consultado as respostas anteriores, persiste a dúvida quanto à regência do verbo mandar. Contudo, darei alguns exemplos que creio serem aceitos, a saber:
1) «O MM. Juiz de Direito manda qualquer Oficial de Justiça ao qual for este mandado apresentado que se dirija ao local, e proceda ao despejo»;
2) «O MM. Juiz de Direito manda qualquer Oficial de Justiça ao qual for este mandado apresentado dirigir-se ao local, e proceder ao despejo»;
3) «O MM. Juiz de Direito manda que qualquer Oficial de Justiça, ao qual for este mandado apresentado, dirija-se ao local,e proceda ao despejo.»
Em outros manuais vi que é possível utilizar o verbo mandar na acepção de ordenar tanto com o pronome o quanto com o lhe, assim:
1) «O MM. Juiz de Direito manda qualquer Oficial de Justiça cumprir o mandado»;
1a) «O MM. Juiz de Direito manda-o cumprir o mandado»;
1b) «O MM. Juiz de Direito manda-lhe cumprir o mandado.»
Gostaria de saber se apenas nessa situação o verbo mandar rege o pronome lhe («Mandar a alguém cumprir alguma ordem»).
Obrigado.
Metáfora / alegoria
Dê exemplos do que pode ser, em nossa cultura, exemplo linguístico e não linguístico de metáfora ou alegoria.
Faz e faze
Pode escrever-se, indiferentemente, "faze-se" ou "faz-se"?
Muito agradecido pelo, eventual, esclarecimento, neste que é dos meus sites favoritos e indispensáveis.
Campos lexical e semântico
Agradecia a clarificação dos conceitos associados aos campos lexical e semântico, porquanto têm vindo a suscitar polémica entre os professores da escola. Estes já transmitiram conceitos diferentes aos alunos, corroborados pelas gramáticas até agora à disposição.
y: vogal ou consoante?
Vivo no Japão há 11 anos e minha filha tem aulas de Português com uma professora particular. No livro que ela adota consta que o “y” é vogal e não estamos de acordo. Alguns dizem ser consoante, outros dizem ser vogal. Sabemos porém que esta letra não faz parte do alfabeto português, mas aqui os nomes geralmente possuem esta letra. Como, por exemplo, Yumi, Emy, Akemy... Por isso lhes pedimos que nos esclareçam esta dúvida. Desde já ficamos muito agradecidos.
O se calhar e o talvez
Gostava que me explicassem a diferença entre as duas frases: «Se calhar o motorista adormeceu» e «Talvez o motorista tivesse adormecido». Pensei que «se calhar» e «talvez» tivessem o mesmo valor, e não consegui encontrar nenhuma regra que me explicassem por que, no caso de «talvez», tenho que usar o pretérito mais-que-perfeito composto do conjuntivo, e não o posso usar na construção da outra frase.
Obrigada pela ajuda.
A pronúncia de cervo e de servo
Na pronúncia das palavras cervo (veado, por exemplo) e servo (criado, escravo) ambas pronunciam-se com o "e" aberto? Tratam-se de homófonas?
À volta de gripar, engripar e engripado
[...] [T]enho um outro comentário a fazer [sobre a forma engripar]: [...] à forma "gripar" (com remissão no Houaiss a "grimpar") corresponde o étimo francês "gripper" (na acepção de mecânica), no entanto, o mesmo, bem como outros dicionários — o Priberam, por exemplo — apresentam o verbo gripar como produto de uma formação portuguesa (mesmo se a palavra primitiva tenha entrado na língua portuguesa através de um empréstimo ao francês grippe, atestado em português desde 1881), sendo constituído por gripe+ar, um derivado sufixal, portanto é homónimo do primeiro (por isso mesmo têm direito a entradas diferentes). A forma gripar na acepção de «provocar ou ficar com gripe» é atestada pelo menos desde 1942 e o seu particípio, grippado (sic), desde 1928, como nos informa o Houaiss.
Quanto a engripar, foi-lhe acrescentado o prefixo en- à forma já existente gripar (de gripe+ar e não de gripper), sendo por isso decomposto em: en-+ a base gripe +sufixo -ar, tendo, então todas as características para ser um derivado parassintético, embora me custe a compreender, pelas razões já anteriormente expostas e que conto com a vossa magistral ajuda para a sua resolução.
Ainda a propósito deste tema, teria uma outra pergunta (de resposta bem mais fácil, segundo creio).
Na vossa primeira explicação à minha questão, que remetia então a engripado, foi-me dito que este era "apenas" o particípio passado de engripar, e que engripar, esse sim, teria sido formado parassinteticamente. Mas, seguindo essa lógica de raciocínio, deveríamos responder também que engripar é o infinitivo impessoal. Ambos têm a marca da desinência do tempo verbal a que pertencem: engripado- ado, do lat.-atu, engripar - ar, do lat -are, forma do infinitivo dos verbos da primeira conjugação.
Por último gostava de vos pedir um conselho para uma obra de referência acerca das regências verbais e nominais que não fosse uma gramática.
Um grande bem-haja a toda a vossa equipa por todo o excelente trabalho que tem vindo a realizar.
O significado da expressão «não vá o Diabo tecê-las»
Tenho tentado descobrir a origem do provérbio «não vá o Diabo tecê-las», mas até agora não tenho tido sucesso. Será que me conseguem esclarecer a este respeito?
Muito obrigada!
