DÚVIDAS

«Preferir a estrada à casa», novamente
O consulente Jairo Pinto Neto apresentou a seguinte frase:   "O roteiro do filme oferece uma versão de como conseguimos um dia preferir a estrada à casa, a paixão e o sonho à regra, a aventura à repetição."   Daí perguntou se, quanto à construção "à casa", estaria a crase corretamente empregada, afirmando dizer a regra que casa, sem que esteja especificada, no sentido de lar, domicílio, não é craseada.   O Sr. João Carreira Bom, por sua vez, respondeu-lhe o seguinte:    «O verbo preferir rege-se com a preposição a. Daí a construção "preferir a estrada à casa" (ou "preferir um copo de vinho a um copo de cerveja"). Em "a estrada", empregamos apenas o artigo definido a; mas, em "à casa", temos a crase de um artigo definido e uma preposição: a + a = à.   Tendemos a empregar o verbo preferir em construções como "preferir antes..." ou "preferir mais do que...". Mas este verbo já contém o significado de "gostar mais" ou "querer mais".    Portanto, diga-se: prefiro o atletismo ao futebol, prefiro o futebol ao atletismo, prefiro o cinema à televisão ou prefiro a televisão ao cinema.   O verbo preferir vem do latim vulgar "praeferâre", por "praeferre" = levar avante.»   Gostaria eu, agora, de acrescentar ao consulente que, no caso apresentado, a palavra casa, além de ter a preposição "a" anteposta em virtude da regência do verbo preferir, tem também o artigo "a" por uma questão de paralelismo.   Tendo em vista que, na construção "preferir a estrada à casa", usa-se o artigo em "estrada", dever-se-á usá-lo também em casa, mesmo não estando ela especificada e significando ela lar, residência, domicílio. É o paralelismo, portanto, e não o sentido da palavra "casa", que indica, nessa expressão, a necessidade do artigo; e a regência do verbo preferir, como bem explicou o Sr. J.C.B., indica a necessidade da preposição. Daí então a crase.   Obrigado pela atenção. Márcio Coimbrafuncionário públicoBrasil    Tenho a impressão de que cabe razão ao consulente Jayro Pinto Neto quando se refere ao uso incorreto do acento grave na palavra "casa" na frase citada por ele.    "Preferimos ficar em casa a estar na estrada."   "Preferimos a estrada a casa."   Pedindo licença, parece-me também que a dúvida apresentada não foi solucionada na resposta.
Subordinada causal ou consecutiva?
Como classificar a segunda oração da frase: «O avô chegava a mentir, de tanto medo que tinha dela.», causal ou consecutiva? Se, por um lado, a oração é marcada pelo conector tanto... que, típico das consecutivas, e pelo facto de exprimir o grau de intensidade («de tanto medo»), por outro lado, a relação de sentido entre as duas orações é de consequência - causa, sendo o medo que "o avô ... tinha dela" a causa para o facto de ele lhe mentir. Assim, tendo em conta o facto de a oração subordinada possuir formalmente os marcadores indicativos das subordinadas consecutivas, mas evidenciar um nexo semântico causal, como classificá-la corretamente: causal ou consecutiva?
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