DÚVIDAS

O Mirandês: dialecto ou língua?
Foi com grande espanto que, numa resposta a consulente, o Ciberdúvidas refere o Mirandês como um dialecto. Não será, por acaso, antes uma Língua a par da Língua Portuguesa? Tanto quanto eu sei há poucos anos o Mirandês foi oficializado como segunda Língua passando Portugal a ter duas Línguas e não uma como até então. Se é um dialecto por que razão foi oficializado o Mirandês e não o Beirão, ou o Alentejano, por exemplo? Grata pela v/ resposta.
Paneleiro: valor denotativo e conotativo
«paneleiro s. m. fabricante ou vendedor de panelas de barro; oleiro; (vulg.) homossexual.» (De panela + -eiro) Estas são as definições devolvidas pelo dicionário 'on-line' da língua portuguesa da Porto Editora para a palavra paneleiro. Como leigo que sou nesta matéria, não posso, contudo, deixar de achar curioso que a definição principal da palavra seja aquela que menos é usada hoje, já que as panelas deixaram há muito de ser feitas por artesãos ou vendidas em lojas de paneleiros (será que há excepções?). Por outro lado, não me imagino a entrar numa loja que só venda panelas e perguntar se é ali que é o paneleiro. «Paneleiro é você», seria a resposta mais certa... Se não fosse ainda pior. A questão que quero colocar está directamente relacionada com os chamados «palavrões», constantemente usados e constantemente negados. Apesar de poder parecer inocente, irónico ou maldoso, não queria deixar de perguntar qual é o critério linguístico que justifica a exclusão de várias palavras dos dicionários (não preciso obviamente de as citar), aparentemente porque são considerados «palavrões» e, por outro lado, refere-se o «paneleiro» inocentemente porque o seu significado primitivo seria o de vendedor de panelas? Será que não é um critério linguístico mas sim apenas um critério moral? (Recordo que, em muitos casos, o uso do termo «paneleiro» não serve apenas para atribuir «homossexualidade»; serve também para fazer outras considerações sobre as pessoas que se pretende atingir)
«Inversão de marcha» = «inversão do sentido de marcha»
Há dias, ouvi no Telejornal, da RTP 1 [Portugal], dizer-se que alguém fez «inversão de marcha». Em bom português, fazer inversão de marcha não significa, para quem vai no sentido norte-sul, voltar para o sentido sul-norte? A isto deve dizer-se «inversão do sentido de marcha». Fazer inversão de marcha é, para quem vai em frente, parar, meter a marcha-atrás e recuar. Pelo bom português.
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