DÚVIDAS

Novo acordo. Duplas grafias, facto, factor, etc.
Acompanhando a polémica sobre o novo acordo ortográfico com bastante interesse (e com opiniões divididas sobre alguns aspectos do mesmo) gostaria de esclarecer uma dúvida sobre a questão da dupla grafia de várias palavras. Segundo o que tenho lido (e consultado, p. ex., no dicionário da Texto Editora), a grafia de palavras como facto passará a depender única e exclusivamente da sua pronúncia. Se se pronunciar o 'c', escrever-se-á 'facto' (caso de Portugal); se não se pronunciar, escrever-se-á 'fato' (caso do Brasil). Todavia, existem palavras da mesma família de facto, como factor, factorização, etc., cujo 'c' não se pronuncia em Portugal. A minha dúvida é esta: por uma questão de coerência, considero que deveria escrever todas esssas palavras da mesma família com o 'c', mesmo quando este não fosse pronunciado. Poderei fazer isso, ou o critério fonético será o obrigatório? É de se notar que todas as palavras supracitadas admitem dupla grafia, embora não tenha ficado muito claro até agora se a dupla grafia se pode utilizar no mesmo país, ou se servirá apenas para distinguir como se escreverão as palavras pronunciadas de forma diferente em Portugal e no Brasil.
Feminino/a
Um colega insiste que não existe a palavra feminina. Ele diz que o correto é feminino, pois é o contrário de masculino. Consultando um dicionário, obtive a resposta que feminino é adjetivo. Segundo meus estudos de português, sendo adjetivo, a palavra feminino concorda com a palavra a que se refere. Meu colega insiste que está errado. Para ele o correto é: roupa feminino, penitenciária feminino. Por favor, esclareça esta dúvida.
Sóror
Depois de todas as opiniões, doutas, que os senhores já emitiram, subsiste-me uma dúvida. O que é que significa, na língua portuguesa, a expressão «soror»? É mais uma forma, possível, de tratamento devido às freiras? Exemplos: Grande Dicionário da Língua Portuguesa, José Pedro Machado, Sociedade de Língua Portuguesa, Amigos do Livro, 1981, Tomo XI, SART a TIMA: «Soror, s. f. Forma alatinada, equivalente a irmã. || O tratamento usual das freiras. || Pl.: sorores (ô). A conhecida obra literária portuguesa Cartas Portuguesas (Lettres Portugaises), escrita na França por Soror Mariana Alcoforado.»
A história da expressão «ouvidos de mercador»
Em 2009 este assunto foi aqui tratado e a opinião foi que a expressão «ouvidos de marcador» não fazia sentido. Mas hoje encontrei a referência seguinte, que poderá fazer sentido: «Não é “ouvidos de mercador” e sim “ouvidos de marcador”. Na origem do provérbio está a marcação de escravos com ferro quente, com o nome do seu dono, para que fossem facilmente identificados. “O marcador” nunca "ouvia" as súplicas e gritos daquelas pessoas» (@vilminha_reis, Twitter, 07/05/2022). Qual é a vossa opinião? Obrigado.
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